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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Meu caminhar profissional

Este ano (2017) completou quatro anos que chegamos em Curitiba. Confesso, mesmo sabendo que foi muita inocência da minha parte, que achava que as coisas seriam mais fáceis mas não foram.

2013: chegamos em setembro e tinha consciência de que seria quase impossível conseguir um emprego em escola no último trimestre do ano. Pensamos em voltar antes para passar por esse período de adaptação e fazer tudo com calma. Foi o que aconteceu.

2014: foi "o" ano. Eu e o Paulo passamos um período de muitas provações, ficamos os dois desempregados juntos pela primeira vez, foram longos quatro meses. Com ajuda de amigas queridas, muito obrigada Dani, Thais e Simara, consegui emprego em uma escola pequena. Ali comecei a entender um pouco como funcionam as coisas aqui em Curitiba. Para nossa alegria logo depois que eu comecei a trabalhar, ele começou também. 

A experiência que eu tive foi muito boa, aprendi muito e conheci crianças incríveis. Pequenas, carinhosas, curiosas, felizes, crianças. Famílias que confiaram em mim. Obrigada Adri, Juliana e Stéfanie. 

Como a escola era somente de educação infantil, eu não tinha como levar o Nicolas comigo então precisei sair e lá fomos nós novamente se adaptar.

2015: passei o primeiro semestre inteiro sem trabalho. Me senti horrível, incapaz e muito, muito estranha. Não entrava na minha cabeça que eu só conseguiria um emprego se alguém me indicasse. E o que eu sabia, minhas vivências, não serviam para nada? 

Respirei fundo muitas vezes, molhei muito travesseiro também. Achava que não iria conseguir. Respira, aguenta  coração que as coisas vão se acalmar.
Lembro que no final do ano anterior encontrei uma amiga querida da faculdade, que não nos víamos há anos. Conversando com ela, algo me marcou muito, ela disse: "- você percebeu o quanto está usando a palavra difícil?". Não, eu não estava reparando mas era porque estava tudo muito difícil mesmo. Obrigada Angela pelo toque.

Ver suas economias de anos indo pro ralo e rapidamente, me deixava em pânico. O Paulo ficou apenas alguns meses no trabalho que havia conseguido e lá estávamos nós dois desempregados novamente.  Mas final de março ele conseguiu um emprego e final de julho, eu. Com a ajuda de uma amiga querida.

Tina, serei eternamente grata a ti. Você sabe né? Obrigada.

Nos viramos para organizar a rotina, eu trabalhava algumas horas pela manhã, levava o Ni na escola e o Paulo buscava. Eu chegava do trabalho e ele saia. Só nos víamos aos finais de semana. 

A escola era grande, muita criança, muita gente e aos poucos fui entendendo como tudo funcionava.

2016: um ano ótimo. De muitos aprendizados, muitas alegrias e as coisas começaram a caminhar. Nicolas foi para a escola comigo e o coração foi se acalmando. 

2017: um ano ótimo, novamente. Com surpresas boas. De repente algumas das famílias que conheci e  convivi em 2014 escolheram a escola que eu trabalho para colocar seus filhos e graças aos céus, eles foram meus alunos. Vocês não imaginam minha emoção de reencontrá-los. Perceber o quanto eles amadureceram, ver com meus olhos o fruto de algumas das sementes que eu havia plantado, os sorrisos, as conquistas. Crianças que, em uma ano eu auxiliei a dar "tchau" para o xixi e o cocô no vasinho, agora estavam conquistando o mundo das letras, dos números, lendo com fluência, produzindo textos, sendo gentis e criativos.

Muito obrigada as famílias pela confiança, pelo carinho e por termos vivido esse período juntos. Obrigada em especial a família da Camila, a família do Guilherme, a família da Luana, a família do Leonardo e a família da Rafaela.

Termino o ano pensando nesse caminhar, nessa estrada que estou construído com a companhia de tantas pessoas queridas. Sozinha jamais eu conseguiria ser quem eu sou. 
Obrigada. 

Que bom perceber que hoje estou onde eu gostaria de estar e quero que continue assim pelos próximos anos.

domingo, 17 de abril de 2016

Ser professor hoje.

Mais uma semana de muitas reflexões, de momentos tensos e intensos e hoje parei várias vezes durante o dia refletindo sobre essa semana.
 
Lembrei do que eu vivi na escola, do que meu filho tem vivido e o que meus alunos estão vivendo.
 
Lembrei das minhas vivências nas escolas inglesas; no quanto nós brasileiros (ainda) somos maternais com as crianças e isso é cultural pois, muitas vezes, não adianta a escola incentivar a independência e em casa fazerem tudo por ela.
 
Fiquei martelando sobre o respeito ao próximo, aos mais velhos, o papel do professor em um ambiente onde cada um acredita que manda mais, a luta árdua e diária que muitas vezes parece não fazer sentindo nenhum e no meio disso tudo, meio sem querer, assistir um vídeo do Gustavo Reis muito bom.
 
"No Brasil a gente tem que ser socialmente resistente se quer ser professor". Gustavo Reis.
 
Te convido a assistir esse vídeo de 15 minutos, eu passei dos 10 segundos, eu passei dos 10 anos de sala de aula e continuo resistindo em não perder a minha essência, em não desistir da profissão professor.
 
 
Espero que gostem.
 
Por que eu demorei tanto para voltar a postar, talvez você esteja se perguntando?
Não foi por nada especial não somente o tempo tem sido curto e eu preciso dormir algumas horas por noite ainda; nem conseguir ler meus livros eu tenho conseguido, infelizmente.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Ah os Tapetes!!!

Nesse final de semana fomos apreciar a exposição "Os Tapetes Contadores de Histórias" na Caixa Cultural Curitiba.

Eu ouço/ leio e já "conhecia" os Tapetes de alguns bons anos mas nunca tinha tido a oportunidade de ver, sentir, ouvir e tocar com meus próprios olhos (da alma, da face e dos dedos).

Quando li que eles estariam em Curitiba não pensei duas vezes. O Nicolas ficou com aquela preguiça de não querer sair porque era sábado e estava com cara de chuva e sei lá mais o que; mas eu insisti um pouco porque sabia que seria muito legal e foi. Isso já aconteceu outras vezes, ele não quer ir, faz bico, emburra mas vai e depois que está lá, a coisa tá acontecendo abre um sorrisão e diz que é muito legal e tals. Ou seja conheço meu filho e insisto porque sei que ele vai gostar.

Saímos com a ideia de ver a exposição e a  contação de história. Chegamos umas 14h45' vimos um pouco da exposição e as 15h um monitor avisou que os ingressos estavam sendo distribuídos. Garanti o nosso, fomos comer algo e voltamos as 16h.

Foi muito gostoso. Vi crianças (de idades variadas) e adultos atentos e se divertindo. Ouvimos três histórias: duas nos tapetes e uma no livro. A vontade no final era pedir mais e mais. Continuamos na exposição, lendo as histórias e manuseando os personagens nos tapetes.

Sim pode brincar e é bem legal.

Um dos Tapetes Contadores de Histórias. 

Uma pequena amostra do que é a contação de histórias em si.

Se você está em Curitiba aproveita pois a exposição vai até dia 31 de maio.
De terça a domingo acontece a exposição e as sessões de contação de histórias são nos sábados e domingos as 16h (retirada dos ingressos as 15).

Para entrar na sala onde estão expostos os tapetes você terá que tirar os sapatos; ir com um sapato que seja fácil de tirar e colocar facilita a vida além de meias limpas, por favor.

Acompanhe mais informações na fanpage do grupo "Os Tapetes Contadores de Histórias"

Caixa Cultural
Rua Conselheiro Laurindo, 280 - Centro Curitiba

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A carta para o prefeito

Faz um tempinho que o Nicolas tem tido lições de cidadania na prática. Cada vez que visitamos o Parque Gomm ele vê o movimento, toda a energia que tem naquele espaço, corre, brinca, ajuda e sempre pergunta algo:
- De quem é o parque?
- O que é público e o que é privado?

Entre tantas outras questões dele. Vamos respondendo de uma forma que ele entenda, não com falas infantilizadas mas de forma clara e objetiva; explicando que todos os meses pagamos um pouco de impostos que são usados em tais e tais locais, para que serve o IPTU e por ai vai.

Ele, que é um menino observador, segue a vida observando!

Eis que um belo dia do nada, aparentemente, ele disse que queria escrever uma carta para o prefeito pedindo para ele arrumar as calçadas porque eles são muito ruins.

A oportunidade apareceu e ele escreveu uma carta e entregou nas mãos do prefeito de Curitiba - Gustavo Fruet. Não colocarei a foto aqui porque as crianças estão de uniforme e não posso expor ninguém mas vos asseguro que foi um momento emocionante. 

Hoje faz uma semana que ele entregou a carta e sinceramente não sei se teremos resposta e muito menos se surtirá algum efeito porém nós (como pais) não poderíamos impedi-lo de fazer o que ele fez, não tínhamos nenhum direito de desencorajá-lo e não pensamos em fazer nada disso em nenhum momento. Foi uma iniciativa dele e demos nosso apoio incondicional.

Uns três dias depois eu ainda estava com a carta na cabeça, pensando o que levou um menino de sete (7) anos a escrevê-la. E aí comecei a juntar algumas coisas e o que ele teve/ tem foi empatia por quem tenta usar as calçadas e não consegue além de adorar correr.

Acredito que três fatores contribuíram para que ele desejasse escrever a carta:

* quase toda semana quando estamos indo para a escola cruzamos no caminho com um senhor em uma cadeira de rodas, ele usa luvas nas mãos e tem uma cadeira que parece ser leve. Ele andar super rápido na rua pois nas calçadas é impossível e já vimos vários carros tirando fina dele. Um perigo. Sem dizer que ele sobe uma rua considerável até chegar em um tubo (também conhecido como ponto de ônibus onde passam os ônibus que andam nas canaletas, é uma via exclusiva deles).

* na volta da escola também encontramos uma menina que aparenta ter uns dez anos, em uma cadeira de rodas sendo empurrada por uma mulher, talvez a mãe ou uma cuidadora, não sei. Ela sempre nos olha com um sorriso nos olhos enquanto a mulher faz um esforço enorme empurrando a cadeira mais pesada que a do senhor; ela intercala entre a calçada e a rua.

* um dia uma mulher com limitações motoras desceu do carro apoiada em uma bengala deu uns poucos passos e caiu, de cara no chão. Eu corri para ajudá-la a levantar e o Nicolas presenciou tudo. A mulher ralou as mãos e o rosto e estava muito incomodada por não conseguir andar direito na calçada que só dificultava ainda mais a vida dela.

Além desses fatores as pedrinhas portuguesas podem ser lindas mas são super escorregadias e em dias de chuva é um perigo só. Nesses dias saímos mais cedo de casa porque vamos mais devagar, muitas vezes tem pedras soltas que enchem de água e nos sujam, uma maravilha.

A sensibilidade do meu filho me surpreendeu. Orgulho desse menino que ainda tão pequeno me ensina tanto.

Muito obrigada por tudo filho.


(Tem erros de português, não corrigi e tentei intervir o menos possível. Auxiliei somente na elaboração de algumas frases questionando-o sobre algo. Produção dele.)

domingo, 28 de setembro de 2014

A escola que sonhamos.

Se voce acredita que a educacao e' um agente transformador e que a escola pode ter uma estrutura diferente da que ela tem hoje entao, por favor, assista esse documentario.

O que eu mais ouvi foi: educacao, aprendizagem, escola, vertical, acolhimento, fazer ninho, respeito, estar junto, ao lado, sem paredes, sem turmas, com prazer, cultura da paz, mudancas, e' possivel e por ai vai.

Cada vez que vejo essas experiencias dando certo meu coracao transborda de alegria. Tudo que esta' relatado no documentario sao aqui do Brasil. Sim nos tambem fazemos coisas boas (e muitas).



domingo, 10 de agosto de 2014

Pulgas de uma sexta-feira

A semana foi tranquila apesar da correria de sempre mas terminou com uma sexta um pouco "diferente" digamos assim.

Vim embora para casa do meu trabalho com duas pulguinhas atras da minha orelha que tinham (ou tem ainda, nao sei) o peso de elefantes. Isso mesmo duas questoes pequenas mas pesadas e que me fizeram pensar.

1) Quao preocupada devo ficar quando a pediatra do meu filho que e' muito mas muito ocupada com uma agenda para la' de apertada -so' passamos em consulta a cada 4 meses- me liga na sexta e diz que conseguiu um encaixe para ele na segunda e quer ve-lo. Tudo isso apos analisar o laudo de uns exames que ela solicitou. 

2) Sexta vim de tarde ouvi de alguem que eu gosto que minha turma esta' atrasada, que eles deveriam estar aprendendo X Y e Z; que as outras turmas estao caminhando mais adiante e um monte de bla', bla', bla'. 

Minhas consideracoes: 

1) A medica tem acompanhando o Nicolas e na ultima consulta ela me deu uma bronca porque ele ficou ruim eu entrei em contato com ela mas nao consegui falar e fui em um atendimento de emergia, e ai aconteceu o que acontece sempre: atiraram para todos os lados, deram antibiotico, antinflamatorio, antialergico e a crianca nao melhorou. Ela foi enfatica que qualquer mudanca era para eu entrar em contato e falar com ela. Entao acredito que nao tenho do que me preocupar mas que deu um friozinho na barriga, deu.

2) A pessoa em questao e' alguem que eu adoro, admiro porem adora pesar nos meus calos. Sempre em semanas importantes como: dia de reuniao com os pais, dia de comemoracao do dia das maes ou  como  essa semana que foi semana de comemoracao do dia dos pais. Eu ouco, tento explicar, argumentar mas nao adiante; a referencia dela e' outra, ela nunca trabalhou em outra escola e ainda por cima tem 17 anos. Nunca estudou nada de educacao, sabe o que sabe do pouco que viu e de ouvir falar. 
Depois de ouvir e tentar conversar sem muito sucesso, respirei fundo para conseguir terminar meu dia e lembrei que eu fiz 4 anos de magisterio, 5 anos de faculdade, varios cursos, fiz um curso de um ano inteiro, ja' ministrei cursos para professores sobre o material apostilado de uma rede de escola e trabalho com criancas desde 1994. A pergunta que ficou para mim foi "por que essas colocacoes ainda mexem comigo?" Por que?

Para ajudar a ligacao da medica veio depois dessa conversa. Voltei para casa sexta carregando o mundo nas costas, com vontade de sentar, chorar e sair correndo. Infelizmente ou felizmente nao posso, a vida esta' ai me chamando a vive-la.

**************
Hoje e' dia dos pais por aqui e pela primeira vez nao estou sofrendo por nao ter meu pai perto. Achei que ficaria muito pior ja' que esse ano e' o primeiro ano que comemoro dia dos pais por aqui e sem ele; o que me consola e' que dia dos pais, para mim, e' todo dia entao nao tenho porque sofrer hoje.

Terca-feira foi a comemoracao do dia dos pais na escola que trabalho e sai de la' muito feliz por tudo que vi e vivi. O clima estava otimo, as criancas adoraram, se divertiram e os pais tambem. Meu  coracao se encheu de alegria e esperanca pois eu creio que podemos ter um mundo melhor e mais amavel.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Semeando inspiracoes

Tenho vivido questoes muito concretas de conflito com relacao a educacao.
A educacao de um modo geral, a educacao que meu filho tem vivenciado e a educacao na qual eu estou inserida ate' o pescoco (que esta' longe mas muito longe de ser a ideal porem e' a que no momento me auxilia a pagar as contas no final do mes -triste mas real-).

E ai no meio do caminho desse processo de conflito-reflexao-transformacao-e o que eu vou fazer agora? vou conhecendo e suspirando com algumas experiencia lindas que encontro por ai. Foi assim que ouvi falar do filme/ documentario "Sementes do nosso quintal". Queria muito assista-lo e foi o que eu fiz domingo passado. Mesmo estando super cansada pois havia trabalhado o sabado inteiro, nao deixei a preguica me dominar, acordei cedo e fui assistir a este filme lindo. Para  ficar ainda melhor depois da exibicao teve um bate-papo com a diretora Fernanda que foi ex-aluna da "escola", foi ou e' ainda mae de aluna e apaixonada pela Terezita.

Quanto aprendizado, quanta inspiracao. O mais dificil foi voltar a realidade e ir trabalhar na segunda-feira pensando nos objetivos que minhas criancas precisam alcancar ao final do ano, no controle absurdo que ocorre dentro do ambiente escolar, no quanto subestimamos a capacidade das criancas (voces nao imaginam o quanto de saliva precisei gastar para poder usar tesouras com meus alunos e os absurdos que ouvi) entre outras coisas pensei muito no quanto privamos as criancas do contato com a natureza e o pior de tudo o quanto nao valorizamos os interesses delas, os momentos de brincar e criar. Fiquei em crise, vontade enorme de largar tudo e sair correndo mas nao posso. 

Entao guardei em um cantinho todas essas questoes e estou tentando ainda buscar algum caminho do meio, se e' que e' possivel.

O filme "Sementes do Nosso Quintal" mostra a experiencia de uma "escola" em Sao Paulo que existe ha' 40 anos porem nao e' reconhecida como escola e que tem feito diferenca na vida de muita gente. Uma realidade paralela a tudo que estamos acostumados a ver e entender como educacao.

Construcao do conhecimento no mais puro sentido da palavra que inclui investigar, construir, elaborar, executar, errar, acertar e o melhor ter prazer nisso tudo.   

A conversa com a diretora Fernanda foi possivel gracas a movimentacao de algumas pessoas entre ela a querida Grace do Maezissima. Grace muito obrigada pela manha de domingo tao inspiradora. 



* Se voce tiver oportunidade nao perca a chance de ver esse filme que nos faz tao bem apesar de tocar em muitas das nossas feridas.


terça-feira, 25 de março de 2014

Pensar e agir diferente e' so' comecar.

Pensar e agir diferente e' so' querer e comecar.

A Psicologia explica muita coisa entre elas e a dificuldade que o ser humano tem para mudar um determinado comportamento principalmente se ele esta' enraizado, foi iniciado desde muito cedo e e' mantido por reforcos positivos.

Nao vou entrar na parte teorica porque nao cabe aqui, agora, nesse espaco. So' queria comentar uma situacao que vivi e que me incomodou porem nao desistirei. Sabe aquela frase que diz algo assim: O errado e' errado mesmo que todos achem certo e o certo e' certo mesmo que todos achem errado; entao.

Fui a um encontro com adultos e criancas e na hora do lanche foi servido leite com achocolatado. Mas nenhum dos adultos que la' estavam ofereciam leite com achocolatado e sim leite com Nescau. Comecei ajudar a servir o lanche e perguei para as criancas: voce quer leite com chocolate ou suco? Uma pessoa chegou ate' mim e disse que eu era estranha porque sempre foi dito "leite com Nescau" e eu era a primeira pessoa que nao estava falando aquilo.

So' comentei que eu nao iria fazer propaganda para a Nestle e muito menos "ensinar" as criancas que so' existe aquela marca de achocolatado. Recebi um olhar de reprovacao mas nem liguei. 

Fiquei pensando no quanto aquela simples acao tem um efeito enorme na vida daquelas criancas; fiquei imaginando o quanto aquela simples frase pode causar varios transtornos -imaginem as criancas pedindo leite com Nescau em casa e se nao tiver nescau, so' toddy, nesquik ou qualquer outra coisa, ela nao tomara'? - pensei muito na nossa responsabilidade enquanto cidadao.

Lembrei tambem que na minha infancia, gracas a minha avo' e a nossa situacao economica que nao permitia, nunca nos apegamos a marcas, consumiamos o que tinha e em geral era o mais barato; tipo da marca do mercado mesmo.

Sera' que e' tao dificil pensar um pouco antes de formular uma frase? "Quer leite com chocolate?"

E mais ainda, sera' que criancas de 1/ 2/ 3 e 4 anos precisam tomar leite com chocolate, sera' que elas precisam de tanto acucar assim?

Cuidado com o leitinho nosso de todo dia. Ele pode esconder muito mais coisa do que voce imagina.


Mais informacoes acompanhe a pagina do Movimento Infancia Livre de Consumismo. 

Ninguem disse que mudar e' facil mas e' possivel, so' precisa querer. 



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dia Mundial do Museu

"No dia 18 de maio é comemorado o DIA MUNDIAL DO MUSEU. A data foi instituída pelo Comitê Internacional de Museus (ICOM) com o objetivo de chamar a atenção da sociedade e do público para a importância dos museus. Afinal, são os museus os responsáveis por preservar a história e a cultura da humanidade. Através dos anos, preservam os objetos que foram utilizados, inventados ou descobertos pelo homem ao longo de sua existência histórica. Visitar um museu é, portanto, voltar no tempo, aprender nossa história e valorizar o conhecimento humano!

Se não puder ir pessoalmente a um museu, que tal visitar online com o google art project: http://www.googleartproject.com/pt-br "
 
Hoje li essa publicacao varias vezes ao longo do dia e nao tinha como nao trazer para ca'.
 
Voce ja' foi em um museu? Gostou? Nao gostou? Se apaixonou ou se angustiou? Voltou? Quer voltar?
 
Eu gosto muito de museu, nao fui ensinada a gostar/ visitar, quando pequena. Aprendi a ir a museus depois de grande, quando ja' trabalhava. Mais uma vez a educacao me (re)educou. Eu so' tenho a agradecer.
 
A Patricia do blog Turomaquia, fez 3 posts muito bons sobre o assunto: Museu. Eles sao rapidos de ler (te garanto) e lindos de ver, corre la':
 
 
 
La' no Facebook, tem tambem um album lindo que esta' se formando na pagina Foto de Viagem, com o mesmo tema.
 
Nos aproveitamos muito os museus que temos disponiveis e posso contar, o Nicolas adora (pelo menos ele esta' pegando o gostinho desde pequeno; como a Patricia diz no post, o importante e' aproveitar a experiencia de estar em um museu.
 
Eu nao sei nada de arte, so' sei que eu gosto do clima dos museus, aprecio obras de arte, gosto de saber um pouco mais sobre a vida dos artistas, aprender sobre a historia. E' como se aquelas historias se misturassem com a minha e naquele momento acontecesse uma transmutacao; sempre tenho a sensacao que nunca saio igual de como eu entrei em um museu (pode parecer viagem, mas nao e', e' somente minha percepcao, como vivo e sinto).
 
Para finalizar segue algumas fotos (todas sao minhas):
 












sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Nao consigo ficar quieta!

Tenho meus momentos de calmaria tambem, mas muitos outros de agitacao. Ontem foi um dia intenso, por varios motivos, principalmente porque aconteceu a Blogagem Coletiva: Estudar Vale a Pena e eu fiquei muito feliz mesmo por estar participando e ver pessoas queridas participando, escrevendo, relatando vivencias tao significativas com ou na escola, o quanto a escola fez diferenca na vida delas.

Tem varios textos otimos, entao listarem alguns por aqui, para deixar registrado meu muito OBRIGADA a todos e para que se algum adolescente cair por aqui, perceber que sim vale a pena estudar.

* A querida Lelei contou o percuso dela durante a caminhada escolar e que os pais fizeram faculdade enquanto ela crescia. Ela sempre gostou de estudar e foi muito dedicada, passa la.

* A Fernada leu sobre a blogagem no blog da Lelei e se inspirou tambem, e escreveu contando que a ida a escola - por indicacao do medico - foi tao significativa que ela passou "de menina tímida à menina falante graças à escola." Leia voce vai gostar.

* "A escola pode ser assustadora" e talvez seja para todos nos, como a Helo comentou. E ainda assim vale a pena, passa la no canto da Helo para ler o que ela escreveu.

* O Filipe comentou algo que me chamou a atencao, alguns blogs tem a mesma funcao do professor, nao o substitui, mas exerce a mesma funcao. Aprendi e aprendo muito com os blogs. Mais o que me chamou ainda mais atencao no texto dele, foi o comentario do Pedro Marin, leia por favor. Alias todos os professores deveriam ler e refletir sobre a questao da avaliacao, sobre expectativas, patrodizacao....E' muito serio!

* "Estudar não torna você melhor do que ninguém, mas faz florescer o melhor de você em você mesmo." Essa frase e' da Rosana, que conta que foi a unica da familia a chegar a cursar uma universidade. Ela nao precisa de apresentacao nao ne? E' super conhecida e famosa na blogosfera e no jornalismo.

* Me emocionei com esse post, por um unico motivo: a humildade. O Andre teve e humildade em assumir que nao passou nas universidades federais que ele prestou vestibular, por culpa dele e nao ficou arrumando desculpas. Que corajoso Andre, parabens! Passa la, e voces verao que ele percebeu que o unico caminho era estudar, de maneira seria! 

* "Educação é a maior herança que se pode deixar para os filhos" Essa frase e' do pai da Eliane, que nos chama atencao para algo muito importante, a participacao da familia na educacao dos filhos.

* A Ingrid fez alguns reflexoes sobre a realidade dela e a realidade que ela conheceu em uma escola publica, relembrando o papel do professor nesse processo. Muito bom Ingrid, obrigada!

* O aprendizado pode e deve (ou pelo menos deveria) se estender para alem da escola e ter continuidade em casa, nas pequenas coisas: como ler uma receita. Foi sobre isso que a Patricia falou.

* Uma linda declaracao de amor para a mae, foi o que o Guilherme fez, ao nos contar sobre a trajetoria dela e a paixao pela profissao. Leia, vale a pena!

Por hoje e' so', em breve faco outro post com mais links. Aqui tem 10 textos sobre a blogagem coletiva - sao os que estao em vermelho - porem te garanto que na internet tem muito mais. E se voce fez um texto ou quer fazer, fique a vontade e deixe o link nos comentarios que quero ler.


Blogagem Coletiva #EstudarValeAPena As imagens são selos que a equipe de Leandro Ogalha, um dos apoiadores oficiais do movimento, criou para quem quiser usar como apoio nos seus posts. http://www.samshiraishi.co​m/o-dia-do-estudante-e-a-b​logagem-coletiva-estudarva​leapena/

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Blogagem Coletiva: Estudar Vale a Pena!

"Quem abre uma escola, fecha uma prisao"
Victor Hugo, escritor frances


Gosto de estudar, fato. Sempre gostei.
Quando a Sam escreveu o convite sobre o tema da Blogagem Coletiva, fiquei um pouco perdida, sem saber por onde comecar. Por ser dificil expressar com palavras os sentimentos.

Fui la no meu bau de memorias, resgatar alguns fatos e me lembrei que:

* comecei na escola com 6 anos completos, por ter nascido em outubro. Todas as outras criancas ja tinham alguma vivencia na escola, nem por isso me senti intimidada.

*da 1a. a' 4a. serie me apaixonei pelo mundo das letras. Foi la que as professoras Helia e Cleusa soltaram o bichinho da leitura que me picou e nunca mais me deixou (que bom!).

* da 5a. a' 8a.serie foi tudo muito estranho no comeco: um monte de professores, muitos cadernos e livros, licao de casa que nao acabava mais. A 5a. serie foi a pior, depois me acostumei e entrei no ritmo. Adorava aprender algo novo a cada dia ou semana. Os trabalhos em grupo exigia sempre um pouco mais tambem, contudo estavamos sempre juntos, nos ajudando (nao havia internet naquela epoca), juntos exploravamos bibliotecas (municipais e as particulares, das casas dos que podiam ter uma).
Quem?
Os amigos, sao presentes extras, os bonus de estudar. Alguns tenho contato ate hoje.

* Ja' no ensino medio, fui para o periodo noturno (trabalhava meio periodo na epoca e precisava trabalhar o dia inteiro, escola durante o dia estava fora dos planos). Entao no 1o. ano nao consegui vaga na escola que eu tanto queria, porem a escola que me recebeu, nao somente me ensinou o que estava no curriculum escolar, mas permitiu qu eu vencesse o cansaco do dia longo de trabalho e me fizesse presente todas as noite, inclusive as 6as. feiras.

* No ano seguinte me adiantei, fui para a fila de madrugada e consegui minha tao sonhada vaga no Magisterio.
Foram os 4 anos que mais aprendi sobre a vida e talvez o que eu mais tenha lembrancas.

* Depois entrei na faculdade privada, demorei alguns meses para me adaptar (na verdade entender) as novas regras, entender como fazer um resumo de qualidade, conquistar amigos, entender o novo sistema e perceber que quem era responsavel por meu aprendizado, era somente eu, que estava ali disponivel, eu so precisava me apropriar dele. E la se foram mais 5 anos de estudo a bagagem.

Se valeu a pena? Muito.
Foi na vida escolar que conheci Monteiro Lobato, Machado de Assis, Guimaraes Rosa, Rubem Alves, a Colecao Vaga-Lume, Emilia Ferreiro, Piaget, Vygotsky, Freud, Winnicott, Melaine Klein, Foucault... Legiao Urbana, Italo Calvino e nao deixei de ler "Olhai os lirios do campo" ou "Dibs, em busca de si mesmo".
Ralei muito o joelho, tive muita dor no pe (do tenis do uniforme), me diverti muito nas excursoes ao Playcenter e ao Sesc Pompeia, chorei de nervoso para as provas e de alegria com as notas... ah! a escola. Que saudade, eu tenho.

Olha ja ia me esquecendo, ate o ensino medio eu estudei em escola estadual publica.
Hoje, mais do que nunca, eu sei que se nao fosse pelos estudos, eu nao seria a pessoa que sou.

Fica aqui registrado minha pequena retribuicao para que juntos possamos construir um futuro melhor, que somente se concretizara atraves da educacao.



Se quiser, acompanhe quem esta participando, pelo twitter #estudarvaleapena

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Educacao infantil combina com alfabetizacao?

Antes de comecar a escrever sobre qualquer coisa, gostaria de fazer algumas observacoes:

* as vezes nao tenho vontade de relatar algumas coisas que acontecem com meu filho aqui no blog, para que nao aconteca comparacoes (sempre acaba acontecendo);

* sem dizer que me cansa ficar ouvindo que ele e' muito esperto, que deveriamos fazer o teste para medir o Q.I. dele, que deve ser acima da media, entre outras perolas que ouco;

* ja disse, mas volto a repetir, meu filho nao tem nada de excepcional, so acho que ele e' estimulado (bem e muito, deveria eu parar?). E digo isso com muita tranquilidade, pois conheco e ja convivi com muitas criancas nessa vida, inclusive ja convivi com criancas com QI altissimo, entao acho que tenho condicoes de perceber e diferenciar as caracteristicas de cada uma.

Agora depois dessas ressalvas, quero colocar aqui um dialogo "rapido/ ligeiro" com a Ceila outra dia (13/05) no Twitter:
@ceila #escolainfantil alguma mae pensa em alfabetizacao na hora da adaptacao? crianca de 3 a 6 anos pecisa saber letras e numeros, pra que?

@gra_flor to no parque agora, nao consigo responder, + faz parte do desenvolvimento
                meu filho tem 3a. e meio, escreve o nome proprio, reconhece varias letras e numeros e tudo na base da brincadeira

@ceila entao voce sugere que a alfabetizacao e' valido como brincadeira para criancas de 3 anos?  #escolainfantil

@gra_flor sendo de forma natural, divertida, contextualizada e sem imposicao, por que nao?

@ceila eu fui ansiosa nesse sentido de usar letras e numeros aos 3 anos. Hoje nao vejo nenhuma necessidade porque ha outros meios para brincar

Resolvi escrever esse post, porque as vezes nao da para explicar algo em 140 caracteres, nao sei ser sucinta, desculpe!

Como eu disse: se a alfabetizacao acontecer de forma natural, divertida, contextualizada e sem imposicao, por que nao?
Vou tentar explicar como as coisas acontecem aqui em casa:
Meu filho gosta muito de ouvir hitorias, sempre lemos para ele, lemos o livro antes para nos familiarizarmos com a historia e saber do que se trata (sempre fazemos isso). E quando vamos ler para ele, depois de lermos o titulo do livro, sempre tambem, lemos o nome do autor e ilustrador (se for o caso).
Um dia do nada, ele disse que ia escrever um livro e o nome dele ia estar na capa.
[Olha ai ela acontecendo de forma natural]

******
Desde pequeno ele desenha e um dia fez uns "rabiscos" e disse que era o nome dele.
Ali percebi a deixa e perguntei se ele queria que eu o ajudasse, com a resposta positiva, escrevi o nome dele em um papel e dei para ele.

Pronto, naquele momento iniciou-se o processo de alfabetizacao do meu filho (e nem lembro quando foi, faz tempo!)

Depois daquele dia, sempre que ele fazia um desenho, eu perguntava de quem era, ele dizia que dele, e eu contestava dizendo que nao tinha como saber pois nao tinha nome. Entao ele ia ate o quarto e pegava a plaquinha com o nome e "escrevia" do jeito dele.
[Agora ela esta contextualizada]
Passado um tempo ele pediu para eu escrever os nossos nomes tambem (mae e pai) e depois os dos amigos.

Ele sempre nos ve escrevendo, outro dia fez sua propria lista do mercado. Escreveu: banana, uva, abacaxi, brocolis, leite e frango.
Sem dizer que sempre me preocupei com o ingresso dele na escola, pela cultura diferente, a lingua, o periodo curto de permanencia na escola (somente 3 horas por dia) e "tentei" de alguma forma prepara-lo, como contei aqui.

No quarto dele, em uma das paredes tem um varal, com os desenhos e as producoes dele e na outra tem um cartaz (que veio junto com um livro) os numeros de 1 a 10.

Brincamos muito, confeccionamos jogos juntos e sempre respeitamos o tempo e a vontade do nosso filho. Nunca jamais sentei ele e disse vamos fazer letras ou numeros.

As vezes quando esta desenhando, depois de uns minutinhos ele diz: "Mae nao quero mais" ou "ja acabei", vamos brincar de correr (de carros ou de qualquer outra coisa). Paramos na hora, guardamos as coisas e vamos fazer o que ele quer.

Exemplifiquei so para mostrar que muitas vezes as criancas nos dao sinais de que estao prontas para aprender outras coisas e por que nao aproveitar essas oportunidades.

Ele nao deixa de brincar para escrever e para minha surpresa, na reuniao da escola, a professora nos disse que ele e' otimo em numero e contas e que queria nossa ajuda com relacao a escrita e leitura (???).

Cuidado temos que ter sempre, para nao subestimar as criancas. Lembrando que meninos, no geral, tem menos interesse para leitura e escrita e que o mundo letrato so fara sentido se for contextualizado.

Quem nao tem otimas lembrancas de brincar de escolhinha, escritorio, mercado. Tudo envolve as escrita, leitura e numeros.

As criancas nos tomam como exemplo e nos imitam em tudo, tanto que eles (quando menores) adoram brincar com chaves, controles remoto, telefone celular; pois sao coisas que nos utilizamos muito. E hoje em dia, nossas criancas brincam, desde cedo (apesar de que nao acho necessario) no/ com computador, e do que e' composto o teclado: letras e numeros.

As letras e os numeros estao por toda a parte, nos querendo ou nao. Alem do que nas escolas, eles sao estimulados, pois faz parte dos PCNs (Parametros Curriculares Nacional ou RCN - Referencial Curricular Nacional) que toda escola deve seguir, entao porque nao brincar com a "escrita" em casa tambem? Mas sem imposicao, pelo amor!

E voces como lidam com essas questoes em casa? Sera que da para ignorar e nao estimular as criancas, deixar essa "tarefa" somente para a escola?

Se alguem ainda tiver tempo e paciencia, essa materia da Eliane Brum mostra o desespero de um professor, com alunos que chegam no final do ensino fundamental sem saber ler, infelizmente essa e' uma realidade muito real do nosso Brasil, triste muito triste. 

Para fechar, nos "trabalhando" por aqui, esse final de semana.




Porque educar em casa e' bom!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Carta de compromisso!

Um grupo de maes blogueiras (ou nao), na qual eu participo redigiu a carta abaixo, nao participei na elaboracao, mas estou aqui na divulgacao e convido voce para nos auxiliar a levar essa carta ao maior numero possivel de pessoas. Vamos refletir e agir. Ser seres melhores e' possivel.

Caso opte por publicar no seu blog, por favor usar o link do endereco:
http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais/


“Que futuro terão nossos filhos?

Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.

A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo, temos de começar pelas crianças. Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?

O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é? Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor! Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.

Ana Cláudia Bessa    www.futurodopresente.com.br 
Cristiane Iannacconi www.ciclicca.blogspot.com
Letícia Dawahri     http://sorrisosdaalma.blogspot.com/ 
Luciana Ivanike    www.lucianaivanike.blogspot.com
Renata Matteoni  www.rematteoni.wordpress.com

***
Os grifos sao meus.
Gra
Aquela que ainda acredita na forca do amor e da fe!
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