quarta-feira, 25 de maio de 2011

Educacao infantil combina com alfabetizacao?

Antes de comecar a escrever sobre qualquer coisa, gostaria de fazer algumas observacoes:

* as vezes nao tenho vontade de relatar algumas coisas que acontecem com meu filho aqui no blog, para que nao aconteca comparacoes (sempre acaba acontecendo);

* sem dizer que me cansa ficar ouvindo que ele e' muito esperto, que deveriamos fazer o teste para medir o Q.I. dele, que deve ser acima da media, entre outras perolas que ouco;

* ja disse, mas volto a repetir, meu filho nao tem nada de excepcional, so acho que ele e' estimulado (bem e muito, deveria eu parar?). E digo isso com muita tranquilidade, pois conheco e ja convivi com muitas criancas nessa vida, inclusive ja convivi com criancas com QI altissimo, entao acho que tenho condicoes de perceber e diferenciar as caracteristicas de cada uma.

Agora depois dessas ressalvas, quero colocar aqui um dialogo "rapido/ ligeiro" com a Ceila outra dia (13/05) no Twitter:
@ceila #escolainfantil alguma mae pensa em alfabetizacao na hora da adaptacao? crianca de 3 a 6 anos pecisa saber letras e numeros, pra que?

@gra_flor to no parque agora, nao consigo responder, + faz parte do desenvolvimento
                meu filho tem 3a. e meio, escreve o nome proprio, reconhece varias letras e numeros e tudo na base da brincadeira

@ceila entao voce sugere que a alfabetizacao e' valido como brincadeira para criancas de 3 anos?  #escolainfantil

@gra_flor sendo de forma natural, divertida, contextualizada e sem imposicao, por que nao?

@ceila eu fui ansiosa nesse sentido de usar letras e numeros aos 3 anos. Hoje nao vejo nenhuma necessidade porque ha outros meios para brincar

Resolvi escrever esse post, porque as vezes nao da para explicar algo em 140 caracteres, nao sei ser sucinta, desculpe!

Como eu disse: se a alfabetizacao acontecer de forma natural, divertida, contextualizada e sem imposicao, por que nao?
Vou tentar explicar como as coisas acontecem aqui em casa:
Meu filho gosta muito de ouvir hitorias, sempre lemos para ele, lemos o livro antes para nos familiarizarmos com a historia e saber do que se trata (sempre fazemos isso). E quando vamos ler para ele, depois de lermos o titulo do livro, sempre tambem, lemos o nome do autor e ilustrador (se for o caso).
Um dia do nada, ele disse que ia escrever um livro e o nome dele ia estar na capa.
[Olha ai ela acontecendo de forma natural]

******
Desde pequeno ele desenha e um dia fez uns "rabiscos" e disse que era o nome dele.
Ali percebi a deixa e perguntei se ele queria que eu o ajudasse, com a resposta positiva, escrevi o nome dele em um papel e dei para ele.

Pronto, naquele momento iniciou-se o processo de alfabetizacao do meu filho (e nem lembro quando foi, faz tempo!)

Depois daquele dia, sempre que ele fazia um desenho, eu perguntava de quem era, ele dizia que dele, e eu contestava dizendo que nao tinha como saber pois nao tinha nome. Entao ele ia ate o quarto e pegava a plaquinha com o nome e "escrevia" do jeito dele.
[Agora ela esta contextualizada]
Passado um tempo ele pediu para eu escrever os nossos nomes tambem (mae e pai) e depois os dos amigos.

Ele sempre nos ve escrevendo, outro dia fez sua propria lista do mercado. Escreveu: banana, uva, abacaxi, brocolis, leite e frango.
Sem dizer que sempre me preocupei com o ingresso dele na escola, pela cultura diferente, a lingua, o periodo curto de permanencia na escola (somente 3 horas por dia) e "tentei" de alguma forma prepara-lo, como contei aqui.

No quarto dele, em uma das paredes tem um varal, com os desenhos e as producoes dele e na outra tem um cartaz (que veio junto com um livro) os numeros de 1 a 10.

Brincamos muito, confeccionamos jogos juntos e sempre respeitamos o tempo e a vontade do nosso filho. Nunca jamais sentei ele e disse vamos fazer letras ou numeros.

As vezes quando esta desenhando, depois de uns minutinhos ele diz: "Mae nao quero mais" ou "ja acabei", vamos brincar de correr (de carros ou de qualquer outra coisa). Paramos na hora, guardamos as coisas e vamos fazer o que ele quer.

Exemplifiquei so para mostrar que muitas vezes as criancas nos dao sinais de que estao prontas para aprender outras coisas e por que nao aproveitar essas oportunidades.

Ele nao deixa de brincar para escrever e para minha surpresa, na reuniao da escola, a professora nos disse que ele e' otimo em numero e contas e que queria nossa ajuda com relacao a escrita e leitura (???).

Cuidado temos que ter sempre, para nao subestimar as criancas. Lembrando que meninos, no geral, tem menos interesse para leitura e escrita e que o mundo letrato so fara sentido se for contextualizado.

Quem nao tem otimas lembrancas de brincar de escolhinha, escritorio, mercado. Tudo envolve as escrita, leitura e numeros.

As criancas nos tomam como exemplo e nos imitam em tudo, tanto que eles (quando menores) adoram brincar com chaves, controles remoto, telefone celular; pois sao coisas que nos utilizamos muito. E hoje em dia, nossas criancas brincam, desde cedo (apesar de que nao acho necessario) no/ com computador, e do que e' composto o teclado: letras e numeros.

As letras e os numeros estao por toda a parte, nos querendo ou nao. Alem do que nas escolas, eles sao estimulados, pois faz parte dos PCNs (Parametros Curriculares Nacional ou RCN - Referencial Curricular Nacional) que toda escola deve seguir, entao porque nao brincar com a "escrita" em casa tambem? Mas sem imposicao, pelo amor!

E voces como lidam com essas questoes em casa? Sera que da para ignorar e nao estimular as criancas, deixar essa "tarefa" somente para a escola?

Se alguem ainda tiver tempo e paciencia, essa materia da Eliane Brum mostra o desespero de um professor, com alunos que chegam no final do ensino fundamental sem saber ler, infelizmente essa e' uma realidade muito real do nosso Brasil, triste muito triste. 

Para fechar, nos "trabalhando" por aqui, esse final de semana.




Porque educar em casa e' bom!

5 comentários:

  1. olha Gra, entendo tudo q vc disse q com a Manoela é mais ou menos assim
    Mas meu sonho de educação é a pedagogia waldorf que não estimula a alfabetização antes do segundo seténio (antes dos 7 anos). Sinceramente concordo com a antroposofia q o cerebro da criança estará "maduro" por volta dos 7 anos e que por enquanto temos infinitas coisas para aproveitar ao inves de dar lapis e papel pra criança "experimentar" escrever. Não conheço nenhuma criança q estudou em alguma escola waldorf q chegou aos seu 7 anos e iniciou o processo de alfabetização e ficou "para tras" das outras, muito pelo contrario: aprendem até melhor.
    Mas na minha realidade não foi possivel proporcionar isso pra Manoela que com 3 anos tb escrevia o nome, sabe contar até 50, reconhece mil letras e forma palavras sozinha e numeros tb... enfim, mas confesso q torço o nariz.

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  2. Dani que bom ter seu comentario aqui.
    Agora posso perguntar, e vc so responde se quiser?
    Se vc gosta da pedagogia Waldorf, pq ela nao esta numa escola com essa pedagogia. Ai na sua cidade tem ne? Mas primeiro ela ja frequenta alguma escola?

    Pra mim o mais dificil e' conseguir conciliar essa pedagogia com a realidade da minha casa/ familia. TEm algumas coisas que para o meu marido, nao se encaixam. Entao preferi deixar para la.

    E mesmo estimulando meu filho, que eu particularmente nao vejo nada de mais, da forma como coloquei; tambem acredito que as criancas aprendem sim depois dos 7 anos, sem problema nenhum.

    Minha ultima questao, pq vc torce o nariz pela Manoela ja saber algumas coisas? Pela forma como ela aprendeu? Nao entendi.

    Abracos e aguardo sua resposta, espero que volte aqui, gosto tanto dos seus comentarios.
    Gra

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  3. Oi Gra!
    Li esse seu post durante o dia, mas não deu tempo pra comentar.
    Eu penso como você, tenho a Luana com 8 anos e a Camila com 4 anos. Nunca forcei nada, mas sempre estimulei muito dando ferramentas pra elas se desenvolverem.
    E o que percebo que mesmo assim cada criança tem o seu tempo, e sem contar que tudo evolui, afinal eles são da geração da tecnologia.
    E o importante é ter os pais presentes e participativos em suas vidas.
    Acredito que o fato de uma criança de 3 á 4 anos já saber escrever o nome e reconhecer o alfabeto, não significa que vai ser melhor do que a que aprende depois. Isso não dá pra rotular.
    Cada criança tem seu tempo, cabe a nós pais estarmos atentos a isso.
    Beijos Gra, adoro suas postagem.

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  4. Oi Gra, já tem uns dias que li seu post, mas estava sem tempo de dar minha opinião. O que vc escreveu tem tudo a ver com o que estou passando com o Nic. Nic vai pra uma escola antroposofica por vários motivos que não vêm ao caso agora, mas fato é que há meses ele vem mostrando interesse em saber como se chama essa ou aquela letra ou numero. Eu acho uma curiosidade super normal e natural e não acho que eu deveria simplesmente disfarçar que não estou ouvindo ou mudar o foco. É uma curiosidade como qualquer outra, como saber o nome das coisas em geral. E ainda mais, porque aqui vivemos rodeados de livros - natural!

    Outra coisa é que ele brinca muito com blocos de madeira, construindo coisas, trabalhando a imaginação. Mas os blocos têm letras e saber do que se tratam é só uma extensão da brincadeira. Assim, optei por por enquanto não focar no nome das letras, mas eu digo que M é da mamãe, P é do papai, N é do Nicolas e por aí vai. Hoje ele sabe o alfabeto inteiro dessa forma e até multiplas palavras, como T é trator e trem. E como seu Nicolas, faz isso no meio das brincadeiras normais. Eu acho isso saudavel, só estou ensaiando pra conversar com a futura professora dele, que outro dia falou muito pra gente não misturar atividades cognitivas com imaginativas. Mas então espero que ela me diga: COMO??? E pra quê?

    Depois te conto como foi a conversa.

    Beijos!

    Lu

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  5. Sheila e Lu

    Muito obrigada pelo comentario e por complementar essa conversa.
    Sheila e' isso mesmo que vc disse, cada crianca e' unica e o fato dela saber X ou Y nao significa que ela sabe mais ou e' melhor que ninguem. Nada disso, so acredito que podemos estimular/ incentivar as criancas.

    Lu que lindo o Nic, da um beijo nele por mim.
    Depois me conta como foi a conversa com a prof., sempre aprendemos muito nessas ocasioes. E muito me interessa saber as questoes que vc levantou do Como e do pra! E eu complementaria: no que isso interfere no desenvolvimento da crianca (o lado negativo, claro!)

    Abracos amigas e bom final de semana

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