quinta-feira, 19 de maio de 2016

Irmão

O que é um irmão?
 
É aquele ser humano que aparece do nada e tira seu lugar no reinado.
 
(insistem em dizer que você é um rei ou uma rainha/ princesinha qualquer coisa do tipo e quando aparece aquele bebê fofo e todos só tem olhos para ele, você percebe que perdeu tudo.)
 
Ele é fofo, lindo, querido.
 
Tão foto que dá vontade de apertar e apertar muito quase esmagar o coitado. Claro que ninguém deixa você esmagar o coitado até porque ele é muito pequeno, frágil e indefeso e todos precisam cuidar dele.
 
Agora você? Se vira, você JÁ é grande.
 
O bebê cresce, ganha dentes, aprende a andar, falar e de repente se transforma em uma criança. Perde um pouco seu encanto, parece que fica mais simpático e como num passe de mágica vira um amigo também.
 
Tá eu sei, eu sei que as coisas não são tão assim mas podem ser também.
 
O que eu sei de verdade é que irmão é alguém que Deus escolheu a dedo para você chamar de seu, tem tudo de bom e algumas coisas não tão boas - como todo mundo - e que se puder te ajudar vai te ajudar, se puder te abraçar forte até estalar todos os seus ossos vai te abraçar e se precisar brigar com o mundo para te defender, vai brigar.
 
Ser irmã mais velha não é fácil mas é delicioso ao mesmo tempo.
 
Esse final de semana, apesar da correria da minha vida, de estar pintando um quarto de um apartamento minúsculo e ainda ir trabalhar sábado, ficamos juntinhos do meu irmão que viajou desde São Paulo até Curitiba, sozinho, de carro e não mediu esforços para ficar quase dois dias conosco.
 
Sentou no chão, brincou de Lego, ouviu histórias e mais histórias, almoçamos juntos, nos abraçamos e na hora de ir embora sempre um cisco insiste em entrar nos nossos olhos.
 
Ah como eu gostaria de tê-lo mais perto, tão perto quanto ele está no meu pensamento e no meu coração.
 
Como foi bom apesar de rápido. E quando foi que aquele bebê fofo, bochechudo e super desejado cresceu tanto e se tornou esse homem barbudo, de sorrido largo e olhar sincero? Quando? Como?
 
Tempo não escape das minhas mãos não, cadê ele? Já foi.
 

(É tanto sorriso que quase não cabe na foto.)

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A chatinha

Londres, novembro de 2004.
 
Tudo parecia estranho naquela cidade. O clima, a comida, as pessoas. Tudo estranho demais para mim.
 
Entre tantas coisas o que mais me chamou a atenção era o movimento no ônibus. Não digo o movimento do ônibus mas no ônibus.
 
As pessoas comiam no ônibus: imaginem o cheiro de comida apimentada mais comida frita mais o cheiro do café;
 
as pessoas se maquiavam no ônibus: que habilidade passar delineador com o ônibus em movimento. uma vez em um percurso de 40 minutos a mocinha se maquiou, colocou cílios postiços e arrumou o cabelo. fiquei extasiada olhando;
 
muitas pessoas liam no ônibus e liam de tudo independente de estarem sentadas ou em pé;
 
as pessoas dormiam;
 
os cachorros entravam também era uma festa;
 
e os carrinhos de compra, várias pessoas com carrinhos de compra no ônibus;
 
fora as mudanças muitas delas, com tudo.
 
Era uma loucura e engraçado ao mesmo tempo.
 
Eu, paulista metida a besta*, comecei a ficar horrorizada ao ver as pessoas com as compras. Sem nenhuma preocupação com o outro. Ela estava fazendo a compra da semana ou do mês, não sei (não conheci ninguém que fazia compra do mês, nem os ingleses) e como era muita coisa ou morava longe precisava pegar o ônibus.
 
Achava um absurdo as pessoas carregando os pacotes de papel higiênico sem nenhuma preocupação.
 
Lembra que eu falei que era metida a besta então para mim aquilo era um terror, onde já se viu.
 
Mas todas essa minha abestalhaçao não durou dois meses. Nós também pegávamos ônibus algumas vezes para voltar com a compra do mercado pois estava pesado ou chovendo e carregar o pacote de papel higiênico passou a ser algo natural como era para todas aquelas pessoas. Até porque todo mundo precisa de papel higiênico uma hora ou outra.
 
Passado alguns anos um dia eu estava voltando do mercado e um grupo de três ou quatro pessoas ficaram me olhando com cara de surpresa. Provavelmente a mesma cara que eu fazia logo que cheguei na cidade e ai eu pensei: "que foi tu não usa papel não ou tá limpando o fiofó com sabugo de milho, tá podendo em". Porque meus amigos o milho na terra da rainha era caro prá dedeu.


(Esse era o papel higiênico que nós usávamos; ás vezes até dessas pequenas coisas eu tenho saudade.)

* paulista metida a besta: porque eu era assim mesmo, fresquinha. ainda bem que melhorei, ainda bem que nós amadurecemos, mudamos senão eu não tinha dado conta não.
 
Nem sei porque deu vontade de deixar registrado essa história aqui talvez seja porque o preço das coisas aqui na terra brasilis está uma carestia como diz minha avó. Ela disse que meu biso sempre falou: "presta atenção que os fins dos tempos estão chegando e você saberá quando será. quando você levar um carinho de dinheiro a venda e voltar com uma sacola de mercadoria. hoje levamos uma sacola de dinheiro e voltamos com um carinho mas isso ainda vai mudar". Biso querido já mudou faz tempo.

domingo, 17 de abril de 2016

Ser professor hoje.

Mais uma semana de muitas reflexões, de momentos tensos e intensos e hoje parei várias vezes durante o dia refletindo sobre essa semana.
 
Lembrei do que eu vivi na escola, do que meu filho tem vivido e o que meus alunos estão vivendo.
 
Lembrei das minhas vivências nas escolas inglesas; no quanto nós brasileiros (ainda) somos maternais com as crianças e isso é cultural pois, muitas vezes, não adianta a escola incentivar a independência e em casa fazerem tudo por ela.
 
Fiquei martelando sobre o respeito ao próximo, aos mais velhos, o papel do professor em um ambiente onde cada um acredita que manda mais, a luta árdua e diária que muitas vezes parece não fazer sentindo nenhum e no meio disso tudo, meio sem querer, assistir um vídeo do Gustavo Reis muito bom.
 
"No Brasil a gente tem que ser socialmente resistente se quer ser professor". Gustavo Reis.
 
Te convido a assistir esse vídeo de 15 minutos, eu passei dos 10 segundos, eu passei dos 10 anos de sala de aula e continuo resistindo em não perder a minha essência, em não desistir da profissão professor.
 
 
Espero que gostem.
 
Por que eu demorei tanto para voltar a postar, talvez você esteja se perguntando?
Não foi por nada especial não somente o tempo tem sido curto e eu preciso dormir algumas horas por noite ainda; nem conseguir ler meus livros eu tenho conseguido, infelizmente.

domingo, 20 de março de 2016

Algumas fotos

Adoro fotos, imagens, coisas lindas, as não tão lindas e as reflexivas.
 
Essa semana, para minha surpresa, não consegui postar uma única foto no Instagram. Não sei o motivo, não sei se é meu telefone, o aplicativo ou se "tomei um gancho" (se você não conhece essa expressão isso denúncia sua idade mas tudo bem lhe digo, quer dizer que tomei/ ganhei uma suspensão, fui suspensa, proibida de fazer algo por um tempo).
 
Essa semana foi difícil, pesada e cansativa por conta dos ânimos alterados ou melhor exaltados; muito ódio explicito a flor da pele e como diz uma amiga minha "ás vezes tenho a impressão que o brasileiro é o único cidadão no mundo que está dentro de um avião e torcendo para o piloto derrubá-lo". É uma comparação horrível mas muitas vezes é essa sensação que eu tenho também.
 
Ouvi, sem querer, de segunda a sexta uma criança de seis (6) anos gritando a pleno pulmões "Fora Dilma" como se aquilo fosse a coisa mais linda do mundo, convivi com crianças muito mais agitadas que o normal inclusive com comportamentos mais agressivos (chutando, batendo, apontando dedos), vários pessoas do meu trabalho adoeceram (o corpo reflete o que a mente sente), o pais vivendo esse momento tenso e instável -politicamente falando- não entrarei nesse assunto porém acredito que reflete em nossa vida. Alguns sentem mais intensamente do que outros mas que reflete isso reflete.
 
Com tudo isso me calei e claro que minha garganta está arranhando, minha cabeça dói mas não quero e não vou entrar nessa onda de ódio. Quero tentar ficar com o lado bom, o lado inocente das crianças.
 
"Você está se alienando de tudo, se isentando, sua louca" ouvi isso e fiz cara de paisagem, to aprendendo a duras penas mas estou.
 
 
Que os anjos existem eu não tenho dúvidas agora como eles são está é a grande questão.
 
Esse quadro está em um local que vou com uma certa frequência e adoro ficar admirando-o por um tempo.
 

sábado, 12 de março de 2016

Comigo mesma.

Dez e meia da noite de um sábado qualquer e depois de dar mais um beijo, boa noite e apagar a luz do quarto do meu filho, volto para a sala e sento na frente do computador. Ouço os carros na rua, levanto coloco água para ferver e penso no meu dia.
 
Acordei cedo, tomei banho, fui a padaria. Voltei, tomamos café e sai para trabalhar. Almoçamos juntos, passou a tarde e a noite chegou. Aconteceu tanto coisa e agora estou sozinha.
 
Demorou, foi sofrido mas hoje ou melhor já faz algum tempo que esses momentos "comigo mesma" tem sido muito bons. Foram anos de psicoterapia com alguns exercícios práticos como ir ao cinema sozinha no meio da tarde durante minhas férias ou ir a um museu e aproveitar minha companhia. Chorei, sofri e depois percebi que era bom ou melhor que é bom.
 
O Paulo está trabalhando. Trabalhar em hotel é por escala e não tem feriado, dia santo, Natal, ano novo,  aniversário nada... tem que seguir a escala e pronto. Sabíamos disso e encaramos.
 
Tenho trabalhado bastante também; esse já é o terceiro sábado esse ano desde primeiro de fevereiro mas sempre soube também, escola é assim e pronto. Não reclamo, não brigo e não me revolto. Tento me organizar ao máximo para as coisas não embolarem.
 
Agora já deveria estar dormindo mas só deito depois de terminar esse post e deixar a pia vazia. Acordei as seis e amanhã talvez consiga acordar a sete, se tiver um pouco de sorte.
 
Conseguir conviver comigo mesma só me trouxe benefícios. Hoje vejo que não tinha nada pior para mim do que ser dependente do outro, colocar nas mãos de outra pessoa a minha vida e dizer: toma, cuida, me leva para lá ou para cá, deixar de ter vontade própria.
 
Adoro ter companhia mas minha própria companhia também é muito boa. Observo mais, ouço mais e consigo olhar o mundo que me cerca com outros olhos.
 
A vida tem seus desafios porém muitos prazeres também basta sabermos olhar ou direcionar nosso olhar.
 
Para onde você está olhando?
 
 
 
* escrevi a palavra também não sei quantas vezes, vai ficar assim tá?
 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Tem criança lendo, conhece esse movimento?

Um grupo de pessoas interessadas e apaixonadas por literatura infantil se juntaram para divulgar e estimular cada um de nós a lermos mais para nossas crianças. Nossas crianças entenda como as crianças que temos contato e convivemos que pode ser nossos filhos, os sobrinhos, afilhados, netos, filhos dos vizinhos, filhos dos amigos.... Crianças.                            
A cada mês um tema e proposto e esse mês com a volta as aulas o tema foi livros que serão utilizados ou que foram pedidos para serem usados na escola.

Eu fiquei surpresa com os títulos pedido pela escola do Ni mas sei que ele tem capacidade, dará conta e as mediações auxiliarão muito na compreensão do conteúdo pois alguns são bem densos, por assim dizer.
 
E a lista de livros pedidos para um grupo de 3o. ano foi:
* O pequeno vampiro
* A fantástica fábrica de chocolate
* A ilha perdida
* Mitos gregos
 
Ainda faltam os títulos do 3o. trimestre que será pedido em breve.
 
Confesso que adorei todos e acho que eles também aproveitarão e muito.
 
Para saber mais sobre a ação "Tem criança lendo" acompanhe pelo IG (Instagram @temcriancalendo ).
 
Essa semana foi tão corrida que sentei para escrever aqui no blog, postei por aqui e ainda não postei no Ig, uma hora eu dou conta de tudo.
 
E você o que está lendo? Para as crianças vocês tem alguma lista especial, um livro semanal escolhido, como acontece esse momento de leitura por ai? 

domingo, 31 de janeiro de 2016

Livro "As Crônicas de Nárnia" (2/52)

Passei boa parte das férias na companhia da Lúcia, da Susana, do Pedro e do Edmundo junto com um (senhor) Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.
 
Que delícia de aventura. Eu, mais uma vez, ainda não assisti o filme mas adorei o livro e agora sim quero assistir o filme.
 
A história é mais ou menos assim: imagina um grupo de crianças que vai passar um tempo na casa de um professor por conta da guerra. Simpatizam com o professor de cara e encontram uma casa antiga histórica com vários locais para explorar. Numa dessas explorações acham um guarda-roupa e ai começa a aventura.
 
Nárnia é um país diferente do nosso em tudo. O que cada um vive e encontra me remete muito ao nosso inconsciente ou com o que cada um tem no coração. Lúcia encontrou um fauno e Edmundo a Feiticeira Branca.
 
Lúcia era a menor das crianças, inocente e bondosa.
 
Edmundo estava com raiva do Pedro tinha um sentimento de vingança muito forte nele.
 
De repente a família de castores,  o Leão Aslam, os animais, a comida, o frio, a primavera.
 
Valeu a pena e fiquei me perguntando por que eu ainda não tinha lido esse livro?
 
Meu filho que me viu com o livro, perguntou sobre o que era e mostrou interesse na história; por fim me pediu para ler para ele: "podemos ler em capítulos né mãe?" e eu disse sim. Aí aproveito para curtir mais um pouco desses momentos de leitura compartilhada e juntinhos já que ele também lê livros sozinhos e algumas vezes nem faz questão da minha companhia.
 
Leitura infanto-juvenil de qualidade, adorei.


 
 
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