quinta-feira, 9 de abril de 2015

A carta para o prefeito

Faz um tempinho que o Nicolas tem tido lições de cidadania na prática. Cada vez que visitamos o Parque Gomm ele vê o movimento, toda a energia que tem naquele espaço, corre, brinca, ajuda e sempre pergunta algo:
- De quem é o parque?
- O que é público e o que é privado?

Entre tantas outras questões dele. Vamos respondendo de uma forma que ele entenda, não com falas infantilizadas mas de forma clara e objetiva; explicando que todos os meses pagamos um pouco de impostos que são usados em tais e tais locais, para que serve o IPTU e por ai vai.

Ele, que é um menino observador, segue a vida observando!

Eis que um belo dia do nada, aparentemente, ele disse que queria escrever uma carta para o prefeito pedindo para ele arrumar as calçadas porque eles são muito ruins.

A oportunidade apareceu e ele escreveu uma carta e entregou nas mãos do prefeito de Curitiba - Gustavo Fruet. Não colocarei a foto aqui porque as crianças estão de uniforme e não posso expor ninguém mas vos asseguro que foi um momento emocionante. 

Hoje faz uma semana que ele entregou a carta e sinceramente não sei se teremos resposta e muito menos se surtirá algum efeito porém nós (como pais) não poderíamos impedi-lo de fazer o que ele fez, não tínhamos nenhum direito de desencorajá-lo e não pensamos em fazer nada disso em nenhum momento. Foi uma iniciativa dele e demos nosso apoio incondicional.

Uns três dias depois eu ainda estava com a carta na cabeça, pensando o que levou um menino de sete (7) anos a escrevê-la. E aí comecei a juntar algumas coisas e o que ele teve/ tem foi empatia por quem tenta usar as calçadas e não consegue além de adorar correr.

Acredito que três fatores contribuíram para que ele desejasse escrever a carta:

* quase toda semana quando estamos indo para a escola cruzamos no caminho com um senhor em uma cadeira de rodas, ele usa luvas nas mãos e tem uma cadeira que parece ser leve. Ele andar super rápido na rua pois nas calçadas é impossível e já vimos vários carros tirando fina dele. Um perigo. Sem dizer que ele sobe uma rua considerável até chegar em um tubo (também conhecido como ponto de ônibus onde passam os ônibus que andam nas canaletas, é uma via exclusiva deles).

* na volta da escola também encontramos uma menina que aparenta ter uns dez anos, em uma cadeira de rodas sendo empurrada por uma mulher, talvez a mãe ou uma cuidadora, não sei. Ela sempre nos olha com um sorriso nos olhos enquanto a mulher faz um esforço enorme empurrando a cadeira mais pesada que a do senhor; ela intercala entre a calçada e a rua.

* um dia uma mulher com limitações motoras desceu do carro apoiada em uma bengala deu uns poucos passos e caiu, de cara no chão. Eu corri para ajudá-la a levantar e o Nicolas presenciou tudo. A mulher ralou as mãos e o rosto e estava muito incomodada por não conseguir andar direito na calçada que só dificultava ainda mais a vida dela.

Além desses fatores as pedrinhas portuguesas podem ser lindas mas são super escorregadias e em dias de chuva é um perigo só. Nesses dias saímos mais cedo de casa porque vamos mais devagar, muitas vezes tem pedras soltas que enchem de água e nos sujam, uma maravilha.

A sensibilidade do meu filho me surpreendeu. Orgulho desse menino que ainda tão pequeno me ensina tanto.

Muito obrigada por tudo filho.


(Tem erros de português, não corrigi e tentei intervir o menos possível. Auxiliei somente na elaboração de algumas frases questionando-o sobre algo. Produção dele.)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Páscoa

Sinto muita falta de várias coisas de Londres. Algumas são constantes e outras são mais sazonais como agora na Páscoa, ai que saudade de um pãozinho doce que tem por lá que conhecido como "Hot Cross Buns".

Páscoa, em geral, é na Primavera - a estação que eu mais gosto- apesar do marido sofrer muito com a alergia ao pólen mas era também o início de um novo tempo após vários meses de dias frios e cinza. Primavera chega trazendo o sol, as flores, os dias mais longos, mais dias fora de casa, no parque. Tudo tão gostoso. E esse pãozinho da Páscoa vem como que para coroar. Já que não os encontro por aqui tentarei um dia fazê-los, sei que não ficará igual, nem terá o mesmo sabor mas tentarei. Receita aqui.

Aí se juntar a Páscoa e a Primavera teremos um significado tão lindo e sincronizado nisto tudo que só de lembrar de emociono.

Olha essa imagem que coisa linda:

Uma foto publicada por Nigella (@nigellalawson) em



Meu desejo é que nessa Páscoa possamos nos revisitar, olhar para dentro de nós mesmos e tentar ser alguém melhor. Jesus morreu por nós e o que temos feito com nossas vidas?

Perdoar é necessário diariamente, agora deixar o passado para lá eu ainda não consigo, desculpa.

domingo, 29 de março de 2015

Onze anos!

Em um 26 de março de 1959, após uma viagem que durou longos onze dias, meu pai chegou ao Brasil com 26 anos de idade.

Em um 26 de março de 2004, após onze horas de viagem, eu cheguei na Espanha com 26 anos de idade.

Em 26 de março de 2015 fez onze anos que eu mudei o rumo da minha vida para sempre.

Se hoje estou aqui ainda tenho, quase certeza, que é porque tive a coragem de embarcar naquele avião no dia 25 de março de 2004. 

Fui com o que tinha, sem ajuda e apoio de ninguém. Não tinha sequer uma máquina fotográfica para fazer os primeiros registros da minha vida nova; os registros só começam algumas semanas depois com o empréstimo de uma máquina de uma prima querida. 

Essa semana revi as fotos, as lembranças vieram a tona junto com vários sentimentos. Soltei um suspiro de alívio ao perceber que outro dia reclamei que a vida estava difícil e que difícil mesmo estava tudo lá em 2002/ 2003 e começo de 2004. Lembrei que agora a dificuldade é dividida e a solução somada não subtraída. Lembrei que não sou mais eu, somos nós e que esse era meu grande desejo: saber qual era meu lugar nesse dentro desse nós, descobrir mais sobre a história do meu pai que também é minha. 

Vivi muitas coisas boas e intensas. E ao rever as fotos lembrei do meu percurso profissional que foi construído aos poucos, de forma intensa as vezes, serenas outras tantas. Na Espanha conheci escolas, estive com as crianças e vivenciei o processo de construção do conhecimento naturalmente e em várias esferas, nas crianças e em mim.




Para saber mais como foram essas coincidências numéricas, por favor, leia este post.

*Post escrito originalmente em 26/03/2015 mas só consegui publicá-lo hoje (29/03).

quinta-feira, 19 de março de 2015

Um presente especial!

O ano passado conversamos com o Nicolas e combinamos com ele que presentearíamos as professoras e os funcionários da escola em três datas: Páscoa, Dia dos Professores e Natal.

Páscoa fomos de bombons e Dia das Profes uma lembrancinha de EVA comprada pronta.

Só que nos Dia dos Profes a professora dele ganhou um monte de chocolate que ela adora entre outras coisinhas mas aconteceu um incidente: uma caneca personalizada que ela havia ganhado caiu e quebrou. Ela, educadamente e sensível, disse que não teria problema porque ela iria levar para casa e colar, usaria normalmente porque ela tinha amado o presente.

Esse episódio marcou o menino de um jeito que finalzinho de novembro estavamos conversando e eu comentei: precisamos pensar na lembrança do final de ano para o pessoal da escola. Na hora ele disse: "mãe quero dar algo para a profe que eu vou fazer, não quero mais chocolate".

Decidido assim, ele disse também que queria bordar o nome dela em uma camiseta.

Achei lindo mas será que ela iria usar, será que ela iria gostar, será que será que será. Preferi não arriscar e expliquei para ele meus motivos entretanto sugeri que ele poderia confeccionar outra coisa que a profe iria gostar do mesmo jeito. Pensamos, pensamos e seguindo a idéia do bordado chegamos a uma almofadinha linda.

Tinha um desenho já riscado em um tecido que eu queria bordar a tempo, mostrei para ele que gostou então eu terminei o bordado e ele escreveu o nome da professora e bordou, do jeito dele, sozinho.

Só que eu não costuro, pedi ajuda para uma amiga porém não daria tempo de levar até a casa dela e depois ir buscar. Corri para outra amiga e pedi uma ajuda e ela prontamente disse que poderia me ajudar. Comentei a minha idéia e ela finalizou com muito capricho. Nós adoramos e a professora também.

Sabrina muito obrigada pela ajuda.

A parte do bordado que eu fiz. Bem amador porque eu não sei nada de bordar. 

Aqui dá para ver a parte que o Ni fez e o trabalho maravilhoso da Sabrina. 
Nota-se que preciso melhorar muito nos detalhes (do verso do tecido). 

A Sabrina caprichou muito e dava para perceber as mãos de fada que ela tem.


Hoje, 19 de março, é dia do artesão e essa é minha singela homenagem a todas as amigas "fazedoras de arte".

Para conhecer os trabalhos lindos da Sabrina é só visitar a fanpage dela no facebook  Fábrica Amarela.

terça-feira, 10 de março de 2015

Curitiba é colorida! (2)


Em meio a tantos prédios altos, grandes, monstruosos ou não, as "casinhas" de madeira ainda sobrevivem. São lindas e em geral estão em terrenos grandes, com jardim. Por quanto tempo elas estarão por ai? Ninguém sabe mas que elas são lindas, são.

Quem já morou em alguma dessas diz que no frio é cruel e que o medo de incêndio é grande. 

*********
Essas belezas diária embelezam meu dia. Quer ver mais cliques de casinhas de madeira é só clicar aqui.

sábado, 7 de março de 2015

Li: "Crônicas Gris"

Ano passado fiz uma lista de livros que eu queria ler. Consegui ler alguns mas tinha um em especial que eu queria muito ler. Então lá nos últimos dias de dezembro criei coragem, escrevi um email e alguns dias depois o carteiro deixou um pacotinho aqui em casa.

Não acreditei quando peguei-o em minhas mãos.
Passei os olhos.
Cheirei-o  e por fim decidi que leria em doses homeopáticas. Não queria terminar logo, assim de supetão. Segurei a ansiedade e os olhos também.

O livro é especial por ser da amiga, escritora e blogueira Ana Paula.

Adoro os contos da Ana no blog e os que estão no livro são tão bons quanto. A cada conto uma nova surpresa, várias coisas passaram na minha cabeça:
* serão os contos reais ou fictícios?
* de onde ela tira tanta inspiração?
* como surgiu a ideia do livro?
* fiquei angustiada em pensar na dificuldade da seleção porque a mulher escreve tão bem que, se fosse eu a designada para essa tarefa estaria em desespero porque iria querer incluir vários outros contos ou não (não sei);
* algumas vezes me perguntei e agora e agora? Em seguida, quero mais mais.

Se você gosta de histórias curtas, intensas e com uma boa pitada de humor então esse livro é para você.




"Enquanto houver aprendizado, estarei vivendo..." 

Livro: Crônicas Gris
Autora: Ana Paula Amaral
Editora: Livronovo
Mais informações: neste post

Ana Paula como já te disse, repito: muito obrigada.

Li esse livro janeiro/ 2015.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Expectativa X Realidade

Mês que vem (março) vamos completar um ano e meio por aqui. 

Esse mês (fevereiro) consumimos um dos últimos itens que trouxemos de Londres. Em pleno mês do carnaval saboreamos um prato típico do natal e estava delicioso. O cheiro, o gosto tudo me levou para bem longe. Fechei os olhos por uns segundos e pude me transportar para nosso antigo apê e relembrar nossos natais gelados, juntos. Foi muito bom.

***********
Ás vezes queria escrever sobre tudo que temos visto e vivido mas aí lembro que tem muito coisa que não é tão legal e ficar focando só no negativo não leva a nada. Não adianta só reclamar, não adianta ficar bufando ou quebrando a cabeça até porque antes de voltar sabíamos de tudo isso ou quase. E é exatamente nesse ponto que quero falar um pouco mais.

Acho que quando estamos fora do Brasil por mais que nos informemos sobre como anda nosso país, não temos a real dimensão da situação. Temos uma leve ideia e talvez uma ideia até um pouco romantizada da coisa mas a real não.

Porque é uma delícia viajar para e pelo Brasil, passear e depois voltar para o sossego do nosso lar. Agora viver aqui, no Brasil, receber o salário daqui, pagar contas e ainda tentar viajar/ passear aí são outros quinhentos.

É difícil, é cansativo e muitas vezes é injusto. 

Quando morava fora cansei de ouvir as pessoas falando: "É fácil para quem está fora criticar o Brasil porque não está aqui ajudando a construir um país melhor?" 

Sim, ouvi e li isso várias vezes.

Aí voltamos e você sabe o que acontece? Não te dão uma única oportunidade porque você não conhece ninguém. É isso mesmo que você leu. Não importa sua formação, não importa a experiência que você tem, os cursos que fez, nada. Nada importa se você não tiver alguém para te indicar. É triste mas é real.

Tem outra coisa que, nós quando moramos fora, não temos noção nenhum: salário. 

Aqui em Curitiba, aparentemente, se tem mais qualidade de vida mesmo quando temos menos dias de sol do que em Londres. Porém o custo de vida aqui é tão alto como em São Paulo, por exemplo, já os salários são absurdamente menores. Fui ao supermercado quando estive em São Paulo agora em janeiro e os preços são iguais (de coisas necessárias como leite, pão e arroz).

Sempre ouvi também muita gente comentando: "volto para o Brasil para ganhar no mínimo 5 mil". Rapaz em que mundo vivemos onde ganhar 5 mil no Brasil seja assim... digamos facinho. Não, não é fácil e como diz um amigo "não existe almoço de graça".

Claro que é uma delícia estar mais perto da família, falar e ver com mais frequência e a pergunta que sempre fica rondando minha cabeça é "será que tanto sacrifício vale a pena?", "será que quando eu estava longe não estava mais feliz e as poucas vezes que vinha para cá, aproveitava mais?".

Será que será que será?

Tentar imaginar a situação toda cria a expectativa, o que é bom mas precisamos ajustá-la pois a realidade pode ser bem dura e isso gera uma frustração tão grande que pode nos levar até a adoecer.

Essa imagem diz um pouco de como está a real por aqui.


* Talvez eu ainda não saí do período de adaptação e isso só piora ou distorce minha visão de tudo. Santa Mãe da Adaptação dá uma forcinha ai porque não tá fácil não, quero estar mais aqui do que lá, dá para ajudar um pouquinho, please, por favor.


(Atualização)
* Todas as pessoas que diziam que voltariam para o Brasil e iriam ganhar cinco mil reais por mês, voltaram para Londres antes de dois anos do retorno;
* Tudo, absolutamente tudo é muito mais fácil quando se tem apoio, família por perto e conhecidos. (Re)Começar a vida em uma vida nova, ela é nova em qualquer lugar no mundo independente de ser sua terra natal;
* Agora entendo melhor porque tanta gente quase enlouquece para passar em concurso público, estabilidade+segurança+bom salário;
* No Brasil ter mais de 30 anos é considerado velho para trabalhar. Na hora de contratar preferem dar a oportunidade para quem tem seus 20 e poucos anos do que para quem passou dos 30. Então se prepare para mais uma rejeição;
* Sei que ficou parecendo só reclamação, choradeira e sei lá mais o que. Não foi minha intenção só queria deixar registrado o quadro real e não aquele romântico-lindo-maravilhoso que existia (se é que existia mesmo) antes de irmos embora.
Related Posts with Thumbnails