domingo, 12 de julho de 2015

Férias

Todo ano era igual e quando chegava julho já sabíamos para onde iríamos.

Lembro das férias de julho ser o mês inteiro. Minha avó já tinha tudo esquematizado com meu avô e lá íamos nós pegar a estrada. Não tinha muita novidade: a princípio eramos três no banco de trás depois viramos quatro; felizes íamos sem se preocupar muito com cinto de segurança ou limites de velocidade.

Saíamos sempre cedinho, sempre estava frio e vestíamos várias blusas. Na maioria das vezes eu dormia (como sempre acontecia quando eu entrava em um carro) e só acordava quando meu vô parava no meio do caminho, em algum posto, para ir ao banheiro. Minha vó aproveitava e nos levava também. Em seguida já era a hora de comer algo - estando ou não com fome- e era sempre a mesma coisa: pão com manteiga, que ela preparava no dia anterior e a garrafa térmica com café com leite, essa preparada pela manhã antes de sairmos. A garrafa térmica era muito boa pois mantinha a bebida ainda quente mesmo depois de três horas de viagem.

Após essa parada ainda tinha muito chão pela frente e em geral chegávamos no sítio quase na hora do almoço. Lá, como era perto do Rio de Janeiro, era quente. Não existia inverno como em São Paulo e por isso era tão gostoso passar as férias de julho naquele lugar. Diferente de janeiro que era um calor infernal.

Brincar sem hora para parar, comer fruta do pé, brincar com as galinhas (que eu nunca gostei e me pelo de medo até hoje) ou com os porcos, comer cana e ajudar meu vô espremer para tomar na hora, fresquinha era tão gostoso. 

Essas são as poucas recordações que tenho das minhas férias escolares. 

Parece que agora tudo mudou:
* menos tempo de férias (escolas municipais de Curitiba só tem duas semanas de férias);
* não temos família perto;
* não temos para onde ir;
* financeiramente é quase impossível ir passear para qualquer lugar :( ;
* não temos carro (não que isso seja um problema);
* o clima já não é mais o mesmo, nem sei se tem algum lugar para escapar do frio da cidade;
* entre tantas outras coisas...

Essa será a segunda semana de férias do Nicolas e parece que passou voando. Não fomos para nenhum lugar mais longe por todos os motivos acima mas aproveitamos para passear pela cidade, encontrar amigos e ficar sem fazer nada. Leia: brincando muito, vendo tv e sem pressa nenhuma.

Tem chovido muito e fez bastante frio alguns dias.  Não tenho medo de sair com o clima assim mas confesso que aqui desanima mais do que em Londres. Não sei porque.

O que tem sido muito legal é ouvir a noite do meu pequeno: "mãe dá tempo de ler né?" Sim filho, claro que dá, sempre vai dar. E lá vamos nós para a cama cada um com seu livro aproveitar mais um dia de frio e de férias.

***
Sempre que posso conto para o Nicolas algumas coisas da minha história, da minha infância e do que já vivi. As vezes ele ouve atento outras parece que nem ouviu mas ouviu porque depois em outros momentos comenta sobre. Engraçado ver essas situações como se eu fosse uma pessoa bem vivida; o que eu não sou. Estou apenas tentando aumentar nossa  poupança de boa memórias.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Bosque Alemão - Curitiba

O sábado começou frio a previsão do tempo acertou e os 10oC lá fora não animava nada a sair. Mas como não temos medo de frio - tudo bem não gosto de sair com chuva mas se preciso for, eu saio - acordamos e depois de tomar café decidimos que iriamos sair e aproveitar o dia frio com sol. Enquanto um preparava os sanduíches o outro arruma a mochila. Nos trocamos e rua.

Que dia lindo e outonal. Pegamos um ônibus e em menos de meia hora estávamos lá do outro lado da cidade em um lindo e agradável lugar: o Bosque do Alemão.



O Bosque em si não é muito grande. Tem um café, essa construção que parece uma antiga igreja, uma área verde muito gostosa - é um pedaço da mata nativa dentro da cidade - , um lago, a "casa da bruxa", a trilha com a história do João e Maria e o portal.

Adoramos e vamos voltar mais vezes com certeza. 




Lá de cima dá para ter uma super visão da cidade. 

E a visão conforme você vai descendo as escadas é encantador. Para subir cansa mas subimos. 


 Detalhes na trilha da história do João e Maria. Fomos parando e lendo cada uma das placas.
 Essa construção a esquerda é uma biblioteca e também a casa da bruxa onde acontece contações de histórias nos finais de semana.

O lago com as vitórias-régias. Tão lindo.

 E o portal tão famoso. O azul do céu combinou muito.

Fizemos esse passeio em maio e o bosque estava bem tranquilo. 

Se quiser me acompanhe no Instagram lá postei outras fotos desse dia.

Curitiba e seus encantos que eu ainda me encanto muito. Pode continuar Curitiba que está bom demais.

sábado, 4 de julho de 2015

Fim do semestre.

Faz alguns dias que estou sentindo um aperto no peito, uma agonia sem fim. A vontade de chorar que não salta aos olhos mas também não passa.

Isso tudo tem a ver com o meio do ano, um ano que parece que não caminhou, apesar de ter sido bom para nossa família mesmo sem eu ter conseguido voltar a trabalhar.

Marido trabalhando seis dias da semana mas feliz, está em um lugar que tratam ele bem, é valorizado e estimulado. Tem um grupo de colegas animado e que está sempre convidando-o para fazer algo.

Durante esse primeiro semestre o pequeno ficou super bem na escola, conquistou algumas coisas, fortaleceu amizades e segue caminhando sem grandes dores. Bem diferente do que foi o primeiro semestre do ano passado.

O que eu sinto é que estou sendo uma mãe que não gostaria de ser. Chata, exigente, que pega no pé, que perdeu um pouco o encanto de brincar e fazer bobeiras. 

Muitas vezes me sinto perdida, sem saber o que fazer ou até mesmo o que falar. Meu filho cresceu e ai me vi diante da minha infância aquela infância sem referência, sem acolhimento, sem cem sem.

Fui criada pela minha avó que como é uma ótima mãe se propôs a cuidar da primeira neta para a filha trabalhar. Ok até ai tudo bem. Veio a segunda neta (no caso eu) e ela -ótima mãe que sempre foi- ofereceu-se para cuidar de mim para a minha mãe trabalhar e terminar de estudar e assim foi. Depois veio mais uma prima e meu irmão. Minha avó cuidou dos quatro netos como pode, como deu.

Hoje eu vejo que ela "cuidou" mas não "cuidou". Fez o básico do básico e sobrevivemos.

E é exatamente isso que eu não quero: que meu filho sobreviva. 

Pra mim fica claro que essa é a maior diferença entre as pessoas da minha idade ou idade próxima: temos consciência que só sobreviver não é o suficiente, temos capacidade e disposição para buscarmos informações e fazermos diferente.

Exemplos simples:
- comecei a trabalhar aos doze anos e ainda usava colher para comer porque na minha casa era a coisa mais normal do mundo; inclusive minha avó comia de colher.

- meu filho aprendeu a comer usando garfo e faca aos quatro anos na escola (tudo bem que foi na escola em Londres).

- fui a primeira vez ao dentista com sete anos e tinha muitas cáries por pura falta de cuidado (crianças de sete anos não podem ser responsabilizadas por cuidados pessoais).

- Nicolas passa com dentista desde os três anos de idade e aos sete ainda não teve nenhuma cárie (continuaremos nos esforçando para cuidar da saúde e higiene dele mesmo ele reclamando e achando uma chatice).

Entre tantos outros exemplos.

Olhando friamente acho que sei o motivo da minha angústia "ser adulto responsável" dói, cansa. Crescer dói. 

Ouvir que eu sou chata dói também mas um dia ele entenderá (eu espero).

De repente ele começou a me dar muitos beijos, abraços e reclamar menos. Pensei "o que está acontecendo". Senti um frio na barriga pois parecia que estava se despedindo. Despedindo do que?

Tudo caraminhola da minha cabeça e para ajudar assistir um filme outro dia que me fez chorar e me impressionou muito. Pronto. Tá ai a receita certa para que a culpa e a angústia se instalasse.

(vou deixar o link do filme caso alguém queira assistir, é bem legal!!!)

Sinto falta da minha rede de amigos, amigos mais próximos para os cafés intermináveis, as conversas sem pé nem cabeça e as risadas das situações mais simples.

Acho que meu período de adaptação está terminando, passei pela fase de negação (não quero estar aqui, o que estou fazendo aqui? estava tão feliz lá, prá que voltamos? etc etc etc), entrei na fase de aceitação e aqui estou aceitando o que está vindo, só não sei até quando aguento.


O trailler do filme que mexeu comigo. A voz da Zoe (apesar da atriz ser australiana lembra muito a professora do Ni e nossa amiga Mrs MC que é irlandesa...) a saudade veio junto, lembrei do dia delicioso que passamos na Legoland e por fim a mensagem do filme em si. 

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Acho que esse post ficou muito sem pé nem cabeça mas precisava escrever e que venha o segundo semestre. 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Li "A chave de casa"

Tenho uma lista com títulos de livros que quero muito ler esse ano. Alguns já consegui, outros ainda não mas continuam na lista.

E na lista estava o livro "A chave da casa". E na biblioteca tinha o livro disponível. E eu peguei emprestado. E li. E gostei. E chorei.

Foi uma leitura de supetão. Li em três dias. Me perdi, voltei umas páginas. Me achei. Forte. Triste. Instigante. Gostoso.

A resenha diz o seguinte: "Neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, a narradora recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição (tal como os pais fugiram para Lisboa, anos mais tarde e por motivos diferentes).

É uma história com outras histórias no meio, meio intercalado; precisa prestar muita atenção para não se perder. É libertador em determinado momento e gostoso ver a personagem principal resgatando sonhos e lembranças.

Não achei que iria escrever sobre esse livro. Mexeu muito comigo. Mas respirei fundo e aqui estou comentando sobre ele. 

Li esse livro em fevereiro e estou tentando cumprir meu desafio (pessoal) literário de ler no mínimo doze livros de autores brasileiros em 2015. Espero conseguir.

Livro: "A chave de casa"
Autora: Tatiana Salem Levy
Editora: Record
Mais informações aqui.




terça-feira, 23 de junho de 2015

Livros entre amigos.

Era o primeiro ano dele na escola além de tudo ser novo ele achava tudo um pouco fácil.

A mãe dizia que era porque era novidade, para ter mais paciência que logo a coisa deslanchava.

Um dia a lição de casa chegou pronta e a mãe perguntou o que aconteceu:

- Acabei a lição da sala e fiz a lição de casa, não tinha nada para fazer.

A mãe correu e deu uma ideia "leve aquele caderno que temos aqui ainda tem umas folhas e você pode desenhar, escrever ou fazer o que quiser quando acabar a atividade antes dos amigos".

Ele gostou da ideia. A mãe -que não era nada boba- a noite quando foi arrumar a mochila para o dia seguinte colocou uns gibis lá,assim ele teria mais opção do que fazer.

E o que aconteceu? Alguns dias depois ele chegou em casa com um livro emprestado do Davi e foi escolher um para emprestar para o Davi. Depois disso vieram outros livros, outros empréstimos além dos livros, revistas, gibis, mais crianças entraram na roda e algo que poderia ter sido promovido pela escola aconteceu entre amigos.

Uma deliciosa roda de leitura sem a intervenção dos adultos. Crianças trocando e emprestando livros e materiais impressos de interesse deles.

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Essa história é real e aconteceu na sala do meu filho no ano passado (2014) quando ele começou no 1o. ano do Ensino Fundamental. Continua até hoje. Eles trocam livros, se divertem, aprendem e tem momentos felizes.

Alguns pais vieram me pedir dicas de livros para a faixa etária deles e os comentários sobre essas trocas são muito positivos.

Participo com alegria, empolgação e muito amor. Só não entendo porque a escola não promove esse tipo de atividade para todos. É preciso flexibilidade no currículo escolar para ter espaço e alimentar os interesses dos alunos senão a educação formal fica tão sem sentido.

E o que eu sempre digo para os pais: incentivem seus livros, leitura nunca é demais.

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Quero muito voltar a trabalhar e possibilitar esses momentos para mais crianças. Quero mesmo.


Amo esses momentos
Amo vê-lo agarrado a um livro
Amo, amo e amo mais que chocolate.

sábado, 20 de junho de 2015

Meu dia em duas imagens.


Curitiba da minha janela as 6h quando começa meu dia.


Curitiba da minha janela as 18h quando tudo começa a se acalmar por aqui.

Muita coisa acontece entre essas duas fotos mas as 18h começamos a rotina da noite: banho, janta, escovar os dentes, ler/ouvir histórias, oração e dormir. Algumas vezes eu durmo junto e não consigo levantar para continuar meu dia mas no geral eu levanto as 20h30/ 21h e vou até as 23h30.

A beleza do céu me encanta, no início ou no fim do dia e tentamos contemplá-lo sempre que possível.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

E o Brasil, como vai?

E o Brasil, como vai? 

Essa é a pergunta que eu mais escuto dos amigos que estão longe. Muitos dizem que só ouvem/leem notícias ruins. "As coisas que chegam por aqui não são nada boas".

Imagino que não sejam mesmo mas tem coisas boas acontecendo sim; o que eu acho que mais pesa nessa "decisão" de o que e como transmitir o assunto é a nossa visão.

E eu tenho a sensação que nós brasileiros - me incluindo aí também - sofremos da síndrome de "vira-lata":

*nos sentimos os piores do mundo: o que não é verdade, tem lugar muito pior do que o Brasil;
* todo e qualquer lugar, principalmente se for nos Estados Unidos ou na Europa, tudo é melhor do que no Brasil:
* aqui só acontece desgraça como em nenhum lugar do mundo acontece: nosso lado dramático é super valorizado (contém ironia);
* nada funciona, não fazemos nada de bom, não produzimos nada... só falta dizerem "somos a escória do mundo";
* tudo isso porque somos de um país de terceiro mundo: como se só nós fossemos do terceiro mundo.

Entre tantas outras coisas. 

O que mais me deixa triste é perceber que tem muita gente que "parece" que torce para nada no Brasil dá certo e consequentemente não consegue enxergar e muito menos valorizar o que o Brasil tem de bom.

Problemas tem? Muitos. Como em todo lugar do mundo.

Já disse uma vez e repito: não existe lugar perfeito, como não existe pessoas perfeitas.

Tudo depende de como enxergamos a porra do copo meio cheio ou meio vazio.

Podemos nos cegar piamente e achar tudo lindo maravilhoso ou nos cegar piamente também e achar tudo ruim horroroso ou ainda tentar ver o que tem de bom sem negar o que não funciona tão bem.

É uma questão de escolha e de querer viver bem com o que tem de bom ou viver amargurado reclamando e jogando a culpa no que não funciona.

Dois "causos" curtos:

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Existe um SUS que funciona (publiquei isso no facebook por isso trago para cá)
Levamos o Nicolas em uma consulta com o dentista no Posto de Saúde e o atendimento foi exatamente igual ao atendimento de um consultório particular: uma dentista e uma assistente, tudo descartável, limpo e organizado.
Fomos no posto porque queríamos saber como é o serviço, porque não estou trabalhando e já tínhamos ouvido falar bem dos atendimentos dentário.
O que achávamos que era uma cárie não é então ele está com sete (7) anos e meio e nenhuma cárie ainda (obrigada alimentação saudável, obrigada pais chatos, obrigada organismo dele que colaborou); elas fizeram uma limpeza e a aplicação de flúor.
Antes de sairmos por ai só reclamando que nada é bom no Brasil, nada presta, tudo é ruim; vamos viver e tentar ser mais positivos, por favor.
(Eu já tinha ido ao posto antes tentar pedir um remédio de uso contínuo que ele toma para um problema no estômago e não consegui. A pediatra disse também que ele precisava passar com um pneumo só que vaga para consulta - como o caso não é urgente - só daqui 3 anos. Na hora fiquei triste mas lembrei que quando o Nicolas era pequeno demorou 2 anos para conseguirmos uma vaga com um dermatologista lá em Londres: onde muita gente acha que é o lugar perfeito. Desculpa galera mas não existe lugares perfeitos assim como não existe pessoas perfeitas. Tudo e todos tem seu lado bom e seu lado não tão bom).

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Existem escolas públicas de qualidade onde a comunidade escolar participa, cobra e colabora. Mas isso fica para outro dia.

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Se tiver um tempinho ainda leia esse post de um jovem inglês que em seis meses vivendo no Brasil percebeu o que muito brasileiro não percebe ou não quer ver durante uma vida inteira.


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