sábado, 5 de outubro de 2013

Terceira semana e contando.

Contando, contando e contando.

Porque sou uma boba ja' que contar os dias ou semanas nao vai mudar em nada. Delimitar o tempo parece que torna a coisa mais palpavel, se e' que e' possivel.

Apesar da sensacao estranha que sinto, muitas vezes tenho a impressao que estou de ferias, logo, logo farei minhas malas e retornarei para minha casa, la' longe. Sei que isso nao acontecera', tento nao me iludir e viver aqui apesar dos pensamentos estarem mais por la', por enquanto.

Sair da zona de conforto e' dificilimo. Conseguir fazer uma lista enorme de pontos positivos de algo so' para se manter ali, firme e forte, agarrados no nosso mastro/ time/ equipe, e' facil. Aquele velho ditado nunca foi tao verdadeiro: "em time que esta' ganhando nao se mexe". 

Se esta' tudo bem para que mexer?

E a pergunta que fica no ar e': esta' tudo bem? Ate' que ponto e para quem esta' tudo bem?

A decisao de ir/ vir/ ficar nao e' uma decisao facil. Nao foi uma decisao facil para nos. O X da questao e' que quando nos juntamos e  formamos uma familia tudo mudou. Nao e' mais somente EU, o que eu quero e pronto. Somos nos.

Pesar os pontos positivos e negativos de morar longe foi um exercicio semanal. Foram horas e mais horas de longas conversas. 

Em 2003 quando decidi sair do Brasil sempre tive em mente que em dois anos eu voltaria. Nunca, jamai,s passou pela minha cabeca ficar fora mais do que isso e eu sabia que era por um tempo determinado e nao para sempre. Relembrar esses detalhes me ajudou a me situar na situacao de voltar.

O que mais pesou para nos foi a falta da familia. O Paulo pertence a uma familia grande, e' o cacula e sente muita mas muita falta da familia dele. Eu, conforme fui perdendo pessoas queridas e muito amadas fui perdendo um pouco a alegria de estar longe. Ate' porque quando eu decidisse voltar ja' nao teria mais como recuperar o tempo "perdido" com quem nao esta' mais proximo.

Ao mesmo tempo depois que meu pai faleceu, a minha voltade de voltar ao Brasil diminuiu um pouco. Eu nao conseguia imaginar chegar no aeroporto e nao encontra-lo. Tanto que nem fui direto para Sao Paulo, so' passamos e foi tao corrido que nem percebi que estava em Sao Paulo.

Privar o Nicolas do convivio com os avos, tios, primos, amigos queridos e de longa data tambem nos deixava muito triste. E como, infelizmente, nao conseguiamos vir para o Brasil todo ano, a melhor solucao foi  voltar.

Se voce me perguntar hoje se estou bem? Sinceramente ainda nao sei.

Como disse em outro post, aqui (Brasil) e' tudo muito intenso, estamos na fase de adaptacao que pode durar um mes, tres meses, seis meses, um ano ou anos. Nao sei, de verdade.

Gostaria que algumas coisas fossem mais faceis e menos caras? Adoraria mas nao sao. Entao e' arregacar as mangas e batalhar, de novo, como sempre foi.

O Brasil mudou? Nao sei tambem e ainda, o que sei e' que eu mudei. 

A vivencia que eu tive na Espanha e em Londres me transformaram. A maternidade me transformou, me tirou do meu lugar de sossego, do meu egoismo, da minha infantilidade, me fez perceber que o mundo nao gira em torno do meu umbigo, me mostrou a fragilidade da vida, me deu um cutucao tao grande que eu percebi o quanto eu preciso me cuidar, me amar e estar bem para poder passar tudo isso para meu filho. Minha vida nao percente somente a mim mais.

***
Talvez esse post nao diga absolutamente nada para quem le e acompanha o blog mas ele estava meio entalado na garganta, tava doendo no ouvido, martelando na cabeca. Talvez seja porque o que eu mais ouvi nesses ultimos meses foi  "voces sao loucos de voltar", "quando todo mundo quer ir embora, voces estao voltando" e a pior melhor "voces vao voltar (para Londres), pode escrever ai".

Volto a dizer o que ja' disse e sempre comento: Nao importa aonde voce esta' mas como voce esta'. 

As oportunidades existem em todos lugares resta a nos sabermos aproveita-las.

***
Ver a cara de felicidade do Nicolas ja' deixa meu coracao mais calmo.

E nao, nao estou fazendo nenhum sacrificio por ele ou pelo Paulo, vim de livre e espontanea vontade. Lembro que doeu muito mais deixar o Brasil em 2004 do que deixar Londres em 2013 mas Londres tem um lugar especial no meu coracao, para sempre. E a vida segue.

Nicolas e a bisa.
Bisa =  minha avo', minha maezona.
Que alegria foi ve-los juntos (novamente)!


Pedacos da minha vida que agora tambem fazem parte da vida dele.



15 comentários:

  1. Foi muito intenso o q escreveu Grá!!! Muito corajosa suas atitudes em todas situações expostas. Imagino como não foi fácil sair daqui, e como foi decidir voltar. Parabéns por não ser egoísta, pensar na família e ter esta disponibiludade de recomeçar. Acredito também que nós temos oportunidades em todos os lugares e o que fará a diferença será sua determinação e fé! Boa sorte, se abra para o que está por vir, mesmo sem conhecer. É a graça da vida! Bjsss.

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    1. Leila muito obrigada pela visita aqui no blog, pelo comentario tao carinhoso e pelas palavras amiga. Estou aqui, firme, forte e aberta ao que vir mas tambem vou correr atras do que eu quero. A vida e' bela, com certeza. Abracos Gra'

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  2. Gra querida, entendo bem como se sente. Brasil é uma loucura boa, quando estava morando em Portugal morri de saudades, quando voltei demorei mais pra gostar, depois de um ano estava tudo em paz
    Quando Nicolas começar as aulas, quando Paulo chegar, verá q tudo se encaixa. Curitiba vai te ajudar ...
    conte comigo

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    1. Dani muito obrigada por tudo. Acredite, que esse periodo de adaptacao nao seria como esta' sendo (melhor do que eu imaginava) se nao fosse por voce e sua familia. Adoro voces. Abracos Gra'

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  3. Gra, vc nao tem idéia de quanto eu me identiquei com esse teu post. Por aqui estamos na mesmissima situaçao, sem tirar nem por. Viemos em 2005 para passar 3 anos e estamos aqui até hoje. Decidimos q é hora de voltar, a familia faz muita falta.... muita mesmo, ainda mais depois q os pequenos nasceram. Sinto falta da convivencia com a familia, dos avos, tios. Também temos um afilhado, primo das crianças da mesma idade e é tao triste vê-los separados por um oceano! Se pararmos para pensar racionalmente, é certo que nao voltamos pq a qualidade de vida aqui na Europa é incomparavel. Prefiro pensar diferente: a vida vale a pena ser vivida quando estamos ao lado de quem amamos e é por isso que vamos voltar. Vou sentir uma falta imensa de Paris e ja' estou sofrendo por antecipaçao (voltaremos so' no fim do ano) mas acho que é a decisao certa. Vai ser duro? Vai. Levaremos tempo para nos adaptarmos? Provavelmente sim. Mas espero que valha a pena. Um beijo grande e boa sorte para todos nos!

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    1. De' "a vida vale a pena ser vivida quando estamos ao lado de quem amamos" e' isso ai.
      Obrigada pela visita aqui no blog, pelo comentario e pelo desejo de boa sorte. Por mais que nos preparemos a impressao que tenho e' que nunca estamos preparados para essa grande mudanca.
      E acredite vale a pena sim. Abracos Gra'

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  4. Eu achei loucura voltar, te falei isso, mas no teu lugar, eu teria voltado antes! por mais bagunçado que seja o Brasil, nosso encaixe é aqui. Se tu tivesses 4 filhos, talvez ficar em Londres fosse a única solução, por ter lá melhores escolas, mais segurança, mas deixar Nick sem família, só ele lá, seria mesmo muito ruim. Aqui ele vai ganhar uma família grande, e mais elementos, para fazer as melhores escolhas futuras. Beijoooo

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    1. Fe obrigada pelas palavras amigas. A alegria dele de pertencer a uma familia grande, feliz, barulhenta, faladeira e' enorme. Ou seja, tudo ja' ta' valendo a pena apesar de todas as dificuldades. Abracos Gra'

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  5. Oi, Gra! Por isso vc sumiu do tuíter! :) Olha, imagino bem esse turbilhão de emoções q vc esteja sentindo. Apesar de estar aqui há mais de 10 anos, cogitaria facilmente voltar ao Brasil, principalmente se tivesse filhos assim como vc. Tb já ouví de muitas pessoas que seria loucura voltar ao Brasil e blábláblá, mas só quem mora longe é que sabe a falta que a família faz e isso, não há nada que a vida no exterior compense, nem viagens luxuosas, bens materiais, nada mesmo se compara ao aconchego da família. Imagino que a readaptação não seja fácil, mas assim como vc se adaptou a Londres, vai voltar a se adaptar ao Brasil. Dê tempo ao tempo que tudo vai se encaixar. O bem mais precioso vc já tem com vc que é a sua família, o resto é acessório, não importa em que lugar do mundo vc esteja :)
    Fique com Deus e desejo que tudo dê certo para vcs aí!
    Um grande beijo,
    Andreia

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    1. Oi Deia obrigada pela visita e pelo comentario. Tive que priorizar as coisas por aqui. Sinto muita saudade do tuiter mas e' muita coisa para dar conta, assim que der eu volto.
      Preciso lembrar diariamente o que voce comentou:"de tempo ao tempo" as vezes a nossa ansiedade atrapalha tudo e ai as coisas nao acontecem como deveriam. Abracos Gra'

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  6. Oi, Gra!

    Não tenho estado presente (nem consegui enviar ainda uma carta pro teu filho)!
    Estou no meio desse furacão MUDANÇA e com todas as implicações que a ADAPTAÇÃO traz e faz! Nunca é fácil, mas nós não nascemos com raiz! Então é colocar o pé na estrada e curtir os que amamos e ainda estão entre nós. Nessas minhas andanças pelo Brasil e fora dele o que mais dói no peito é ficar longe da família, e não proporcionar o convívio dos nosso filhos com os avós, tios e primos. O Brasil nunca é fácil, mas por alguma estranha razão do destino nascemos aqui, então ´bora arregaçar as mangas e fazer de tudo pra ser feliz aqui. Te compreende e te apoio. Mesmo longe sinta-se abraçada! Bjão e sucesso pra vcs! :) Gi e kids

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  7. Ai que apertinho no coração lendo esse post. Mas posso falar que parece que você está melhor do que achei que estaria. E é ótimo ver essa carinha contente e marota de Nic. Pode colocar na sua listinha de coisas positivas ;c)

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  8. Quem pode dizer se vc deveria ou não ter voltado??? Nem mesmo você tem a resposta e claramente sinto a dúvida e muita dor nas tuas palavras. Espero alcamar seu coração com uma frase que escrevi,num momento em que eu tinha que me convencer, não havia outra alternativa, de que eu estava fazendo a coisa certa. Já escrevi várias vezes no blog: "Não Importa Onde, Importa Juntos". um grande abraço.

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  9. Que bom que estás feliz com sua escolha. Isso é o que importa.

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  10. Que bom que estás feliz com sua escolha. Isso é o que importa.

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