segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dieta Coletiva


Imagem retirada daqui.

[Aviso importante: post long e que nao esta relacionado com a maternidade diretamente. Estou avisando para ninguem me xingar, durante ou depois da leitura!]

A primeira vez que eu li sobre a  #DietaColetiva foi no blog da Fernanda e de repente comecei a ler aqui, acola, li alguns links que enviaram no twitter e por fim cheguei no blog da Dieta Coletiva propriamente dita.

Voces ja conhecem? Nao, la tem muita informacao boa mesmo, alem de orientacao de profissionais especializados: psicologa, nutricionista, sem dizer as varias receitinhas testadas. {{Lembrando sempre, que e' muito importante buscar ajuda de profissional especializado e em uma consulta presencial, so ele podera lhe orientar corretamente.}}

Mas o que eu mais gostei mesmo, foram os posts que eu fui lendo por ai... mulheres e homens como eu e voce. Pessoas que estao buscando e encontrando o caminho da alimentacao saudavel, tomando consciencia da importancia de cuidarmos da alimentacao, dos beneficios para a nosso corpo, nossa autoestima, mas principalmente para nossa saude.

Isso me tocou de alguma forma e eu quero e preciso retomar o cuidado com minha alimentacao. Nao vou prometer postar toda segunda, mas tentarei ao menos 2 vezes por mes e vou ver como me saio.

Quem me conhece deve estar pensando: Mas voce nao precisa de dieta? Voce nao precisa emagrecer?

Entao precisar eu nao preciso nem quero, o que quero e' exatamente o contrario, preciso ganhar alguns quilos e me manter no meu peso. Nao tenho neura com meu peso, mas sei que estou abaixo do peso, ja faz um tempo e as vezes isso me causa alguns efeitos colaterais. Por isso mesmo quero voltar a cuidar da minha alimentacao, quero voltar a viver com qualidade. E como tem sido minha relacao com minha alimentacao ate agora?

Bom, que eu me lembre eu nunca fui uma crianca faminta/ comilona. Lembro que la pelos 8/ 9 anos, o pediatra me receitou Sustagem, eu tomei durante 1 ano ou mais, so que para mim fazia efeito contrario, eu nao comia. Tomava aquilo e ficava enjoada (hoje sei porque, tenho uma leve tolerancia a lactose, talvez desde pequena, mas nunca soube, descobri faz pouco tempo, assim que leite so os lactose free ou os com menos lactose possivel).
Lembro de ter experimentado varios sabores, e nada de eu engordar, minha avo muito sabia, deixou de me dar o tal do Sustagem, que segundo ela me dava muito sustancia, mas nao abria o apetite e comecou a fazer uma vitamina para mim todas as manhas. Era algo com: ovo de pata, leite condensado e biotonico vontora (nao tentem fazer isso em casa, nao lembro o gosto e nao sei se tem algum resultado realmente).

Porem comecei a engordar um pouco.

Outro fato que eu lembro bem, era como eu caia. Meu Deus!
Comecei a crescer, mas nao tinha estrutura fisica, nem tamanho de pe (ate hoje calco 33), entao vivia torcendo o pe, caindo na rua, machucando o braco. Um horror!

Aos 13 anos comecei a trabalhar e ai ja nao tenho muitas lembrancas da minha relacao com a comida. Sei que nunca consegui acordar e tomar cafe, ele o tao importante cafe da manha. Sempre acordei e bebi um copo de agua, fazia um lanche -pao com algo ou uma fruta- e levava para comer depois de 1h30/ 2h, que e' so quando eu consigo comer. Isso acontece ate hoje.

La pelos 17 anos, cheguei a pesar 59 quilos, mas foi so nessa epoca, nao lembro como foi, nem como perdi peso depois; o que eu tenho certeza e' para onde foi parar essa gordura ou massa muscular (nao sei qual era), no quadril, nas nadegas e nos peitos.

Quando comecei a faculdade, a coisa apertou. Passei quase 3 anos comendo bolachas - antes das 19h horas- e jantando um pratao de comida as 23h, quando eu chegava em casa. Uma loucura, nao facam isso, nunca!
Isso so' aconteceu, porque eu nao tinha como sair do trabalho e ir para casa para comer e voltar a tempo para a faculdade, entao ia direito do trabalho e comida bolachas/ biscoitos e as vezes uma fruta. Quem ja fez faculdade sabe que e' uma epoca dificil, tambem nao tinha dinheiro para comer todo dia em algum restaurante ou padaria.

Os 2 ultimos anos da facul, eu ja tinha um carro velhinho, conseguia ir para casa, passar no chuveiro e comer descentemente. E mesmo durante esse tempo jantando bolacha, mais a tensao e pressao da faculdade, nao consegui ganhar peso. Cheguei a consultar um gastro que me aconselhou a comer mais carboidratos, lembro dele dizendo: Coma 2/ 3 paezinhos no cafe da manha, almoce lasanha e jante um prato de macarrao ou arroz e carne. Sai do consultorio horrorizada, e ate tentei comer 2 paezinhos, mas nunca consegui.

Passado alguns anos (no final de 2004) fim para Londres, sem saber cozinhar, quase nada. Fazia um arroz e fritava ovo mexido... so' que aqui eu nao tinha ninguem para cozinhar para mim, nem dinheiro para comprar comida pronta. Aprendi e estou aprendendo a cozinhar na raca e sinceramente acho que estou me saindo bem, pelo menos por enquanto ninguem morreu de fome aqui nao, mas sei que ainda tenho que melhorar e muito.

E ai o ano de 2007 chegou e eu passei por um dos momentos mais dificil da minha vida (talvez o primeiro), engravidei e na primeira consulta a parteira achou que eu tinha bulimia ou anexoria (eu pesava 48 quilos) e ela simplesmente me intimidou a engordar uns 12 quilos para mim e depois entao comecar a engordar para a gravidez (eu pensei como assim?). Ate me forcei a comer algumas vezes, mas nao consegui.

Durante a gravidez engordei so 12 quilos, meu filho nasceu, amamentei por quase 6 meses e ai eu ja tinha perdido todo o peso que ganhei na gravidez e aqui estou eu tentando outra vez ganhar peso.

So que em novembro do ano passado (2010), meu pai faleceu e desde entao, tem sido muito dificil, quase impossivel (para falar bem a verdade) elaborar esse luto, digerir essa perda, aceitar que nunca mais o verei ou abracarei-o .... e ai onde e' que eu (sem perceber, alias me dei conta faz pouquissimo tempo), eu acabo descontando na comida... nao sei, nao consigo comer. Tenho um no na garganta. Logo apos a morte do meu pai, passei dias e dias sem jantar... as vezes nao tomava cafe, horrivel (meu segundo momento dificil).

Nao foi algo que conscientemente eu fiz, foi algo mais forte que eu. So que eu tive que arcar com as consequencias, e ai passava mal: tontura, cansaco, dor de cabeca, dor no estomago, fraqueza.

No meio disso tudo, um dia li alguns posts da Fernanda falando sobre ser feliz, sobre se cuidar, etc. Acho que naquele momento foi o que eu precisa ler para voltar a cuidar de mim, cuidar da minha alimentacao, da minha saude e nao so por mim, mas pelo meu filho, pela minha familia. Infelizmente engordar nao e' tao facil, acredito que seja tao dificil como emagrecer, apesar de muita gente nao creer, mas e'.

E' isso que eu quero fazer, registrar aqui, o quanto estou aprendendo, o caminho que estou tracando, e como e o quanto eu estou e posso me cuidar.

Espero que voces tambem aprendam e me ajudem nessa nova caminhada, que se inicia agora para mim. Nao pretendo entrar numa noia de me pesar toda semana, me conheco, conheco meu corpo e sei quando estou engordando ou nao, mas vou contando para voces.

Juntos podemos fazer mais, eis a #dietacoletiva ai para nos ajudar e nao importa se voce quer engordar ou emagrecer, o importante e' voce tomar posse da sua dieta e se cuidar.

3 comentários:

  1. Oi Gra,
    a minha relação com a comida não é boa. Mas ao contrário de você eu como. Quanto mais ansiosa e triste mais eu como para compensar. Tipo um prêmio, sabe?

    Eu ando meio devagar com as visitas, o FB, twitter, etc... O meu sogro ainda está no hospital. Depois de 2 semanas no CTI, finalmente foi para o quarto. A minha sogra precisa de atenção. O meu marido tem ido dormir com ela algumas vezes. Esse processo está me desgastando muito. Até porque o quadro do meu sogro é bem grave, mesmo que ele vá para casa vai ser uma situação bem difícil. O meu marido está agindo de forma bem otimista e eu me preocupo que ele tenha dificuldades de digerir o luto (da mesma forma que tem sido difícil para você).
    A Ana Luiza também está um pouco afetada com a situação do avô e a forma que reflete para toda a família. Já que o Antonio precisa ficar envolvido com hospital, casa da mãe, etc... Nós temos que dar apoio e ajudar no que for preciso.

    Muitoobrigada pela preocupação, pelo carinho e pela visita. Isso recompensa e emociona.

    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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  2. Ah, sei bem como é dificil engordar, quando se quer.Passei metade da vida tentando ser gorda, chegava dias que minha mãe chorava para me ver comer. Bem, a outra metade, ainda na luta, tentando emagrecer. Não muito. O suficiente para me sentir bem comigo e com a saude. A sua luta é bem vinda, viu? To na mão contrária, mas sei o mal da outra. Outro detalhe: as perdas, eu já li, costumam atingir a região da garganta. O tal nó, realmente existe e impede muita gente de se alimentar. Cada um é cada um. Outros nessa mesma fase, comem demais. Bora lá, Grazi.Se cuidar. Bjs

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  3. Oi Grazi, tudo bem?
    Se você come e não emagrece, isso pode indicar que você tem um metabolismo acelerado. Mas esse não parece ser o seu caso, né? Pelo que você postou, me parece que você come pouco - e os motivos são pra lá de compreensíveis. Lamento muito pela perda de seu pai. Infelizmente não tenho muitas palavras pra te dizer, pois acho que quando perder meus pais ou meus avós maternos, que são muito próximos, vou entrar em uma depressão profunda. É nessas horas que a gente tem que pensar que eles já cumpriram (e bem) a missão deles, e que a gente não pode desanimar, pois ainda não cumprimos a nossa - a de criar bem os nossos filhos.
    Fique com Deus!
    Antônio

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