segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Amamentacao

{Este post esta' chato pra' caramba. E' um desabafo a respeito de uma ferida minha que ainda esta' aberta. Caso queira ler, fique a vontade, depois so' nao reclame que eu nao avisei ta?}

Hoje e' o ultimo dia para participar da Blogagem Coletiva que as meninas do blog Desabafo de Mae estao promovendo.

A questao para reflexao  que norteia o assunto e': Porque eu sou ativista da amamentacao.

Adoraria participar dessa BC (blogagem coletiva) mas prefiro acompanhar so' como leitora. Alguns anos publiquei posts com experiencia de pessoas queridas que eu conheco e convivo (ou convivia na epoca) sobre as experiencias com a amamentacao. Voce pode ler aqui os relatos.

Porem nunca escrevi sobre minha experiencia com a amamentacao. Nao foi das melhores, nem a mais facil, muito menos exemplar.

As poucas vezes que contei em um grupo sobre o que vivi, o que eu ouvi foi: todas as mulheres podem amamentar, nao existe leite fraco, nao jogue esse problema para debaixo do tapete. Em nenhum momento fui acolhida ou tentaram me entender.

Lembro que enquanto amamentava meu filho como podia, sofria ao ler relatos de mulheres que tinham os seios cheios de leito, que jorrava, parecia um chuveiro de leite. Que toda mulher deve isso, aquilo ou aquilo outro la'. Que quem nao amamenta nao ama, nao se doa e tantas outras coisas que nao me ajudaram em nada, absolutamente nada.

Sofri, me culpei e com isso minha frustracao aumentava e meu leite diminuia a miseras gotinhas que nao saciava a fome do meu filho. Meu estresse, minha falta de descanso, minha falta de preparo, minha racionalidade me sentenciou a morte: nao consegui amamentar mais que seis meses. Sou uma pessima mae ponto final.

Nao ninguem falou isso com todas essas letras P-E-S-S-I-M-A   M-A-E. Imagina, ninguem tem essa intencao. Mas nas linhas tao comuns lidas por ai, onde todos reforcam em um tom ressoante: TODAS AS MULHERES PODEM AMAMENTAR. Quem nao consegue se sente como? Nao importa, ninguem se importa.

Esse desabafo esta' horrivel porque e' exatamente assim que eu (ainda) me sinto com relacao a amamentacao. Quem sabe um dia consigo reviver essa experiencia e vive-la de alguma forma mais harmonioza. Sei que errei e a culpa nao e' de ninguem, so' minha por nao ter ouvido meus instintos, por ter lido demais, por me importar demais pelo que li.

Torco de coracao que todas as mulheres fortes, consigam amamentar seus bebes da melhor maneira possivel.

Para quem quiser saber mais sobre amamentacao, o google te manda para varias paginas otimas sobre o tema.

So' parar terminar deixo claro que sou super a favor da amamentacao (prolongada ate quando e' bom para o bebe e para a mae) mas em nenhum momento penso que a mulher que nao quer ou nao pode amamentar nao ama seu filho. Fico apenas com a pulga atras da orelha ate' onde o ativismo ajuda ou atrapalha?
***

Ja' falei sobre esse assunto, da' mesma forma amarga e sem graca, neste post: Mae em desenvolvimento.

Em tempo: mesmo amamentando pouco tempo, foi maravilhosa a sensacao de prover o alimento para meu filho, nao importava a hora ou o lugar, estava tudo pronto, ali ao alcance dele.

4 comentários:

  1. Graziela, eu acho importante o incentivo à amamentação, assim como a outras práticas saudáveis, mas o que vejo é que se perdeu a medida, o bom senso. O mesmo tem acontecido com o parto natural. Já não basta você ter tido um parto normal no hospital com anestesia. A maneira como as coisas são colocadas te fazem sentir pássima porque você pediu analgesia e também te colocaram um soro com hormônio sintético. A questão da amamentação está indo para o mesmo caminho.
    Estamos lutando contra uma infância livre de consumo excessivo e o que estamos fazendo com a gente mesmo? É um consumo ao contrário. Se você não amamentou por livre demanda por dois anos, fica fora. Há algo errado em fazer a pessoa se sentir mal porque não conseguiu.
    Beijo

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  2. Grazi, não importa o tempo ou a quantidade. Importa a tentativa! O estresse realmente atrapalha, assim como a falta de compreensão. Tudo é muito desanimador quando não encontramos apoio personalizado. Mas veja, se somos diferentes, diferentes também são as crianças. Muitas vezes falta a mãe ficar sozinha com seu filho, no sentido de não assimilar tantas informações e ter a presença de muitas pessoas. Apenas ser mãe e filho. Beijus,

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  3. Todo radicalismo é ruim né? Muita mãe não amamenta por falta de informação pra contornar os problemas e porque não tem bons profissionais ao redor que suportam a amamentação. Tantos pediatras são rápidos em pedir o complemento, principalmente no Brasil. Mas tem muito barulho junto com um quê de superioridade vindo de certas mães que não ajuda em nada mesmo. Eu amamentei a Julia até quase 1 ano e meio, 80% do leite que ela tomava era meu, e os outros 20% eram pra cobrir situações em que eu não estava por perto por conta de doença, trabalho ou algo do tipo. Mas eu não era encucada em dar complemento nessas ocasiões, eu não mamei no peito nem metade desse tempo e sempre fui uma criança saudável, não teria porque a Julia não ser. Dessa vez com o Eric ele praticamente só mamou no peito, talvez tenha tomado mamadeira com formula menos de 5% e olhe lá, mas porque eu estou trabalhando por conta própria, de casa, estou bem de saúde, etc. Agora ele vai fazer um ano e estou desmamando porque ele tem me machucado demais com os dentinhos, não está dando. E no meio disso tudo convivo com amigas que não amamentaram por diversos motivos e posso dizer que tem horas que fico com inveja, porque elas podiam sempre deixar os filhotes com alguém pra dar a mamadeira quando precisasse (inclusive o marido) e tomar um vinho numa festa despreocupadamente...não nasci pra ser mártir, não gosto de sentir dor se não preciso sentir, ninguém vai me dar uma medalha se eu sair falando aos 4 ventos que amamentei por x tempo e tive um parto assim ou assado. E não é da conta de ninguém também (eu nunca falei dos meus partos no blog por exemplo justamente porque não quero dar nenhuma oportunidade pra ninguém se meter, porque isso é da minha conta e só compartilho com quem eu quero e quando quero). Enfim, o comentário ficou gigante, mas eu acho que o "ativismo" acaba sendo "radicalismo" e isso aí até assusta muitas mães que estão tentando fazer o que podem mas não tem uma visão apaixonada do assunto.

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  4. E sim, eu curti amamentar os dois, estou triste desmamando o Eric mas ao mesmo tempo aliviada, eu sempre vejo os dois lados do negócio - essa coisa da amamentação ser um mar de rosas e coisa de filme não é pra mim. Acho prático não ter que lavar mamadeira, barato não ter que comprar formula, acho bom pra saúde do bebê e da mãe, acho bom pros laços entre mãe e filho, mas também exige muito da mãe, e só dela, é muito mais cansativo nesse aspecto.

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