segunda-feira, 28 de março de 2011

Por uma infancia sem racismo

Por onde comecar a mudanca?

Meu filho aprendeu a molhar o pao no cafe, vendo o pai fazer.
Meu filho aprendeu a lavar as maos todas as vezes que chegamos da rua, nos vendo fazer.

Mas meu filho nunca ouviu ninguem chamando ninguem de "Mane" aqui em casa. Sabe onde aprendeu? Com os desenhos que ele assistiu durante nossa viagem ao Brasil e talvez por ter ouvido alguem dizer. Ele ouviu tantas coisas que nao estava acostumado.

Nunca em momento algum, conversamos com nosso filho sobre racismo, preconceito e discriminacao. Por enquanto nao precisamos, o que fazemos e' respeitar sempre. As criancas aprendem com nossos exemplos, com nossas falas; assim como ele aprendeu a molhar o pao no cafe com o pai, ele tambem aprendera chamar alguem de algum nome pejorativo se nos usarmos tais palavras.

Comentei da palavra Mane, porque outro dia durante a janta ele me chamou de Mane, o pai nao gostou e na hora perguntou do que ele havia me chamado e ele repetiu. Perguntei qual era meu nome, o dele e o do pai e que na nossa casa nao tinha nenhum Manoel... ele ficou me olhando e perguntou quem era o Manuel, eu disse que era o apelido que ele estava usando (Mane). Falei tambem, que muitas vezes, temos apelidos para encurtar nosso nome, comentei com ele que as vezes chavamos por Ni ou Nic, ja que o nome dele e' Nicolas. E que eu nao queria ser chamada de Mane, pois esse nao era meu nome. Ele entendeu e acabou a conversa ali.

Sabemos o significado do "Mane", mas naquele momento nao poderia dar trela para a conversa ou dar risada ate porque nao daria em nada. Sei que ele nao sabe o significado da palavra, talvez usou por usar, mesmo sem nos nunca termos utilizado.

O que queria dizer com isso, e' que se queremos ter uma infancia sem racismo, precisamos comecar a mudanca por nos.

Aqui no predio, acho que todos os apartamentos tem criancas e convivemos com muitas pessoas de lugares diferentes. Um dia fomos a uma festinha de aniversario e eramos os unicos brancos, em nenhum momento fomos discriminados (ja que eramos os diferentes) ou tratados diferentes.

Na escola do meu filho, acredito que 80% das criancas sao negras e quase todas imigrantes e convivemos muito bem, porque ha respeito, comunicacao e seriedade (nunca ouvi piadianhas sem gracas com relacao a raca, cor ou religiao!). Ja passou da hora de repensarmos nossas atitudes, pois sao em nos que nossos filhos se espelham.

Por aqui encontramos uma variedade enorme de livros com criancas negras, asiaticas, com necessidades especiais, inclusive livros com traducoes em varias linguas. Brinquedos tambem sao disponibilizados nas escolas e play grupos para que as criancas convivam com as diferencas o mais natural possivel, porque assim que deveria ser, nao e'?

Gostaria de contribuir mais com a Blogagem Coletiva "Infancia sem Racismo" , que esta sendo organizada pela Ceila do blog Desabafo de Mae, entao deixo aqui a indicacao de alguns livros/ cds/ sites, que eu conheco, mas a lista e' grande.

Um amigo diferente
Temos esse livro e ele e' muito bom. Mais informacoes aqui.


Tambem temos esse livro, ele e' lindo. Tem a versao dele em portugues.

Aqui voce pode encontrar varios livros sobre os diferentes festivais, celebracoes ao redor do mundo.

Tem tambem uns CDs muito bons, so tenho um, que tem cancoes de varias partes do mundo. Mais informacoes aqui.
  

Tambem e' possivel encontrar brinquedos, que representam as
criancas com necessidades especiais.


E voces sabiam que ja teve uma Barbie de cadeira de rodas, mas por problemas (ela nao cabia na casa da Barbie "normal", nem no carro, nem no elevador...) ela parou de ser fabricada. Mais informacoes, aqui.

 Nao deixe de acompanhar os post do Desabafo de mae, sobre essa importante e urgente reflecao sobre o racismo:

Clique aqui e participe desta campanha

3 comentários:

  1. Oi Gra,
    amei a saída para o Mane.
    Não sabia da Barbie de cadeira de rodas.
    Gostei das dicas de livros.
    Aqui eu sempre comprei bonecas negras, orientais e morenas. Lembro que a Ana Luiza brincava com uma bebê negra e dizia que era filha dela. Super importante estimular o respeito as diferenças.

    O Maurício de Souza, aqui no Brasil, também tem uns personagens para estimular o respeito: o Lucas que anda em cadeira de rodas, a Dorinha que é uma personagem cega.

    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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  2. Adorei sua parcipação nessa blogagem coletiva.
    Muito bacana mesmo... suas colocações e suas dicas também.

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  3. Gra,

    Adorei o post e achei brilhante a forma como vocês contornaram a situação do Mané! Acho que é assim mesmo, a criança aprende seguindo os exemplos e não sendo encorajados com atitudes racistas que muita gente acharia graça. Esse é um assunto muito sério.

    Um grande abraço, minha amiga,

    Lu

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