sábado, 12 de setembro de 2015

Sobre o tempo e sobre sentimentos.

Ontem fez dois anos que voltamos de Londres.
Dois anos que deixei um pedacinho do meu coração naquele lugar lindo, maravilhoso e que me permitiu viver tantas alegrias mesmo com todas as dificuldades (que não foram poucas).

E ai eu *tontona* fiz uma postagem no facebook relembrando isso e dizendo que a "saudade não diminui só aumenta". Prá que? Me diz, prá que eu fui fazer isso?

Um pequeno parenteses aqui: cada vez mais tenho vontade de sair do facebook, cada vez entro menos e me envolvo menos em conversas, discussões e tals. Só não saio de vez porque adoro manter contato com os amigos, especialmente os que estão longe.

Fecha parenteses.

Recebi comentários agressivos "volta, tá fazendo o que aqui", "lá é muito melhor, te avisei"; mensagens dizendo para eu parar de publicar isso, que tenho que olhar para frente e não viver no passado e mais um monte de coisa.

Voltei no que eu escrevi, li, reli e não vi nada demais. Ai caiu minha ficha. Falei dos meus sentimentos verdadeiros não reproduzi a cena do comercial da margarida, da família feliz, de tudo perfeito.

Ai me dei conta que, talvez, para estar no facebook você precisa entender que lá é só imagem de "comercial da margarida" ou imagens lindas de gatinhos/ cachorrinhos/ passarinhos ou sei lá o que mais fofinho. Ou postagens sobre política, metendo o pau no governo claro, senão você vai ser chamado de "tonto, burro, idiota". Quem tenta escrever algo diferente ou mais sério é automaticamente crucificado, chamado de "ecochato, xiita, radical" e por ai vai.

Lembrei também que setembro é o mês de prevenção ao suicídio, que tem aumentando a cada ano.

O que uma coisa tem a ver com a outra?

Parece que há uma censura em falar sobre nossos sentimentos. Não pode ficar triste, não pode ficar ansioso, nervoso ou com medo. FELIZ, FELIZ, FELIZ e FELIZ sempre.

Tudo isso é muito chato e ai vamos mascarando nossos sentimentos, vamos empurrando com a barriga até a hora que não dá mais, a água transborda do copo com um simples pingo e todo mundo diz o que? Nossa ninguém percebeu nada.

É ninguém quer perceber nada, ninguém quer se responsabilizar por nada, ninguém quer ouvir, acolher, estar junto. 

Eu tenho saudade de Londres sim, tenho saudade de tudo que vivi assim como tenho saudade do meu pai, todo dia tenho saudade do meu pai, da minha avó, do meu irmão, da escola que trabalhei por anos em São Caetano, dos amigos da faculdade, do ginásio. Tenho saudade e não vejo problema nenhum nisso.

Enquanto continuarmos vivendo com essa máscara querendo mostrar ao mundo que somos "perfeitos" nada fará sentido para mim, desculpa mundo, não sou obrigada.

E isso tem tido consequências seríssimas pois criamos expectativas, inclusive com as crianças, e não respeitamos nem os sentimentos delas e aí da-lhe remédio para devolver o animo, a alegria porque não pode "estar/ ficar" triste. Mas isso é assunto para outro dia.

Ontem foi um soco no estomago mesmo pois com tantas coisas boas acontecendo por aqui (Nicolas em seis meses teve só duas crises de asma e saiu das crises sem irmos ao hospital, a natação está ajudando muito, o Paulo está trabalhando desde março, eu comecei a trabalhar faz um mês e meio, etc, etc, etc) continuarei com saudades; as pessoas querendo ou não.

**********
Lembrei do filme Divertidamente, se alguém ainda não assistiu, por favor, assista é bem legal; fala exatamente sobre isso a importância dos sentimentos, todos eles e não somente a alegria.

E a vida segue.

(Foto de dois anos atrás no aeroporto de Londres um pouco antes de embarcarmos.)

2 comentários:

  1. Grazi, que excelente post. Põe o dedo na ferida: quase não há mais divisor entre estar conectado/desconectado. A vida virtual dilui-se na real, então não é possível estar o tempo todo feliz. O tempo todo representando a família margarina(sem lactose) sorridente. E quando alguém externa um sentimento de tristeza, nostálgica, falta de ânimo, vem a indignação, vem os medicamentos. Afinal é só engolir um comprimido...
    E o facebook se tornou esse território hostil, de guerra: basta discordar com a maioria. Eu não aguentei e saí de lá há quatro anos. Não estava acrescentando. Lá parece que as pessoas não querem ler, opinar. Publicava o link do blog e apenas ganhava um curtir de alguém que não leu.
    Temos ferramentas tão boas mas o uso está sendo degradado.
    Como no filme, que eu amei, permitir-se entristecer é tão necessário. Beijo!

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  2. Sem meias palavras eu e Face temos um caso de desamor
    Por episódios próprios e por alheios
    Cara de terra prometida que é terra de ninguém
    Faz e adiciona no Skype ou WhatsApp os contatos que te interessam e sai
    Energia ruim
    Desgastes
    E perigo isso de usar máscara, vira hábito ou pesa pra quem não é disso
    Sem falar que como diz a canção quem é de verdade sabey quem é de mentira

    Deu saudade
    Quer voltar
    Não gostou
    Não concorda
    ...
    E ofensas, conselhos de botequim vão rolar
    Fora os likes ocos
    Saia disso
    Cheguei hj e já tô dando conselhos rsrsrs

    Bjs

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