terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A diferenca que fez diferenca


Quando comecei a trabalhar em uma escola de educacao infantil aqui em Londres, sofri um pouco no comeco, parecia tudo tao diferente, tao livre, leve e solto; pra ser bem sincera, para mim parecia tudo uma grande bagunca isso sim. 

Mas nao era nao, eu e' que estava acostumada com o sistema do Brasil e demorei uns 3 meses para entender algumas coisas principais e para me acostumar. O que mais me chamou a atencao, ja desde o primeiro dia, e que eu me lembro bem, foram 3 coisas:

* crianca aprende brincando (ta isso todo mundo ja sabe), mas aqui brinca livremente, sem ter um proposito pedagogico por tras, sem ter que registrar a brincadeira. Crianca ate os 5 anos precisa brincar, depois dos 5 anos e' que "a coisa comeca a ficar seria";

* nenhum adulto ficava sozinho com uma crianca: primeiro porque se o adulto comeca a se sentir mal (por ex.) quem ira ajuda-lo e quem cuida da crianca; segundo por causa das questoes de abusos (aqui eles tem um historico triste, em um passado nao muito longe, de varios casos de abusos fisico, sexuais e psicologicos (claro que se forem 2 adultos loucos, nao faz diferenca, mas eles tentam se assegurar por todos os lados, inclusive solicitando um papel da policia - para saber se voce tem antecedentes criminais, o nome e' Criminal Records Bureau - sigla em ingles CRB);

*cuidado excessivo (ao meu ver claro) com questoes como limpeza de vomitos ou diarreias, preocupacoes estranhas quando se tinha que medicar alguma crianca; nao sei era tudo um pouco demais para mim;

Sem dizer a questao afetiva, nao existe a relacao que existe no Brasil de beijinhos para ca, beijinhos para la, abracos e mais abracos. A relacao afetiva existe sim, mas sem tantos toques (e hoje me pergunto, sera mesmo necessario, tantos beijos e abracos?).

Vou me deter somente na terceira questao: cuidado excessivo com questoes de limpeza. Passado meu periodo de experiencia (13 semanas) e com minha ficha limpa na policia, comecei a participar de algumas palestras, algumas trocas de experiencias e de cursos (coisa rapida de um dia ou meio) e ai chegou minha hora de enfrentar o Curso de Primeiros Socorros (essa e' outra grande diferenca por aqui, ter esse curso e' um fundamental).

Para minha alegria e felicidade, eu ja estava gravida e nao foi nada confortavel, ficar sentada das 9h as 16h, ouvindo sobre cortes, afogamento, queimaduras e afins. Sem dizer que meu ingles e' o basicao, fazia calor e foi quase uma chatice ao extremo, dois dias sofridos, aprendi algumas coisas que eu nem tinha ideia e para garantir que minha memoria nao esqueceria tudo na proxima noite de sono bem dorminada, comprei um livirinho para trazer para o marido dar uma olhada.

Tivemos pratica, de ressucitacao (ops, e' assim  que escreve?), dos primeiros socorros e dentre as tantas coisas que ouvi, gravei (nao sei porque) os cuidados com alguns alimentos que sao os mais perigosos (no caso de criancas pequenas), que pode fazer com que eles se "entalem" e cause sufocacao. Os alimentos sao: banana, cenoura e uva.

E ontem tivemos nosso primeiro (e espero que unico) evento de entalacao aqui em casa, o Nicolas se entalou com uma uva e foram os segundos mais longos da minha vida. Ele entalado, eu dando uns tapinhas nas costas dele, percebi que nao ia sair, juntei ele perto do meu perto e dei um tranco para cima. Desculpa mas nao sei descrever de outra forma, mas foram momentos dificeis, ele assustado e nos tambem, depois que a uva voou da boca dele, ele chorava, pedindo a uva: "Mamae quero cume uva".

Claro que corri e cortei todas as uvas ao meio e conversei com ele da importancia de mastigar e comer sentado. Ele sempre come sentado, mas havia levantado para pegar um livrinho, quando a uva, simplismente escorregou e por ser grande parou na garganta. Desespero total, quase. Aquela coisa do curso ficou gravado na minha cabeca e lembrei-me o que fazer na hora. Agradeci a Deus por ter tido a oportunidade de fazer o curso e saber como ajudar meu filho, porque serio mesmo, e' tudo muito rapido e nao sei se daria tempo de ligar para a emergencia e pedir ajuda.

Essa diferenca no sistema de ensino daqui, fez toda a diferenca na situacao emergencial  aqui em casa ontem.

***Ah e com relacao a limpeza de vomitos e afins, e' muito mais por causa da proliferacao de virus/ bacterias, entao e' tudo muito bem limpo (com agua quente, produtos antibacterias e sempre usando luvas, entre outros procedimentos).

**Foto do flickr de Fernando P. Martins, mais fotos aqui.


4 comentários:

  1. Nossa, fiquei aflita com seu post! Ainda bem que vc sabia como resolver. Só que eu acho que não tem só curso nesse seu tranco e sim instito, mãe tem dessas coisas. Como um caso que eu li quando um crocodilo abocanhou uma criança e a mãe pulou no rio, socou o animal, abril sua boca e tirou o filho vivo de dentro. A mãe? teve apenas umas escoriações, disse ela que nem viu o que fez, apenas pensava na vida de seu filho. Prá mim você fez o mesmo, mas o curso também ajudousim, beijos e boa semana.

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  2. Gra, sabe que eu trabalhei por um mês em uma creche aqui em Curitiba, era municipal. Nunca na vida tinha trabalhado com bebês (eu atendia de zero a dois anos), não fazia a menos idéia de como desentalar uma criança, mal sabia trocar uma fralda. Bem, sou bióloga e fiz o concurso porque exigia apenas ensino fundamental e eu precisava de trabalho. Mas queria chegar na preparação. Aqui no Brasil não se exige preparação para lidar com crianças, o que hoje, como mãe, me indigna. Fico feliz que o treinamento de primeiros socorros tenha te ajudado com seu filhote!
    Beijos... Amei seu blog!!!!

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  3. oi gra
    entao, eu ja comprei nescau aqui nas lojinhas de brasileiros, mas como nao tem nenhuma perto de casa, acabo desencananado... ai peco para as boas almas trazerem!!! rsrsrsrs

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  4. Gra do céu! Que susto!!! Nós que somos mães vivemos temendo situações como estas né? Que bom que vc teve o sangue frio na hora pra lembrar do procedimento e agir de forma rapida e eficaz.

    Tambem foi bom saber da sua experiencia em escolinha ai em Londres. Aqui onde eu moro, talvez porque seja cidade do interior, tem metodos de ensino bastante convencionais. A crianca tem que ir pra escola aos 4 anos e desde entao o foco eh aprender a ler e escrever sentados. E castigam quem conversa!!! Eu acho uma covardia e de jeito nenhum ficaria aqui ate qdo o Nicolas atingisse sua idade escolar. Tb sou adepta à teoria de que é brincando que se aprende!

    Beijos em voces!

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