Faz alguns dias que estou sentindo um aperto no peito, uma agonia sem fim. A vontade de chorar que não salta aos olhos mas também não passa.
Isso tudo tem a ver com o meio do ano, um ano que parece que não caminhou, apesar de ter sido bom para nossa família mesmo sem eu ter conseguido voltar a trabalhar.
Marido trabalhando seis dias da semana mas feliz, está em um lugar que tratam ele bem, é valorizado e estimulado. Tem um grupo de colegas animado e que está sempre convidando-o para fazer algo.
Durante esse primeiro semestre o pequeno ficou super bem na escola, conquistou algumas coisas, fortaleceu amizades e segue caminhando sem grandes dores. Bem diferente do que foi o primeiro semestre do ano passado.
O que eu sinto é que estou sendo uma mãe que não gostaria de ser. Chata, exigente, que pega no pé, que perdeu um pouco o encanto de brincar e fazer bobeiras.
Muitas vezes me sinto perdida, sem saber o que fazer ou até mesmo o que falar. Meu filho cresceu e ai me vi diante da minha infância aquela infância sem referência, sem acolhimento, sem cem sem.
Fui criada pela minha avó que como é uma ótima mãe se propôs a cuidar da primeira neta para a filha trabalhar. Ok até ai tudo bem. Veio a segunda neta (no caso eu) e ela -ótima mãe que sempre foi- ofereceu-se para cuidar de mim para a minha mãe trabalhar e terminar de estudar e assim foi. Depois veio mais uma prima e meu irmão. Minha avó cuidou dos quatro netos como pode, como deu.
Hoje eu vejo que ela "cuidou" mas não "cuidou". Fez o básico do básico e sobrevivemos.
E é exatamente isso que eu não quero: que meu filho sobreviva.
Pra mim fica claro que essa é a maior diferença entre as pessoas da minha idade ou idade próxima: temos consciência que só sobreviver não é o suficiente, temos capacidade e disposição para buscarmos informações e fazermos diferente.
Exemplos simples:
- comecei a trabalhar aos doze anos e ainda usava colher para comer porque na minha casa era a coisa mais normal do mundo; inclusive minha avó comia de colher.
- meu filho aprendeu a comer usando garfo e faca aos quatro anos na escola (tudo bem que foi na escola em Londres).
- fui a primeira vez ao dentista com sete anos e tinha muitas cáries por pura falta de cuidado (crianças de sete anos não podem ser responsabilizadas por cuidados pessoais).
- Nicolas passa com dentista desde os três anos de idade e aos sete ainda não teve nenhuma cárie (continuaremos nos esforçando para cuidar da saúde e higiene dele mesmo ele reclamando e achando uma chatice).
Entre tantos outros exemplos.
Olhando friamente acho que sei o motivo da minha angústia "ser adulto responsável" dói, cansa. Crescer dói.
Ouvir que eu sou chata dói também mas um dia ele entenderá (eu espero).
De repente ele começou a me dar muitos beijos, abraços e reclamar menos. Pensei "o que está acontecendo". Senti um frio na barriga pois parecia que estava se despedindo. Despedindo do que?
Tudo caraminhola da minha cabeça e para ajudar assistir um filme outro dia que me fez chorar e me impressionou muito. Pronto. Tá ai a receita certa para que a culpa e a angústia se instalasse.
(vou deixar o link do filme caso alguém queira assistir, é bem legal!!!)
Sinto falta da minha rede de amigos, amigos mais próximos para os cafés intermináveis, as conversas sem pé nem cabeça e as risadas das situações mais simples.
Acho que meu período de adaptação está terminando, passei pela fase de negação (não quero estar aqui, o que estou fazendo aqui? estava tão feliz lá, prá que voltamos? etc etc etc), entrei na fase de aceitação e aqui estou aceitando o que está vindo, só não sei até quando aguento.
O trailler do filme que mexeu comigo. A voz da Zoe (apesar da atriz ser australiana lembra muito a professora do Ni e nossa amiga Mrs MC que é irlandesa...) a saudade veio junto, lembrei do dia delicioso que passamos na Legoland e por fim a mensagem do filme em si.
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Acho que esse post ficou muito sem pé nem cabeça mas precisava escrever e que venha o segundo semestre.





