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domingo, 4 de março de 2018

Quem somos nós?

A geração perdida?
A geração mimada, aquela que só sabe fazer mimimi?
A geração...

De verdade, não sei quem somos nós. Não sei o que queremos ou para aonde estamos indo.

Não sei.

Tento, há alguns anos através de psicoterapia, me conhecer melhor para então fazer escolhas melhores e mais conscientes.

Temos muito potencial porém a tecnologia "parece" que está nos consumindo e as relações sociais "parecem" estar cada dia mais desgastadas. 

Falo por mim: como é difícil fazer amigos aqui. No aqui e agora. Onde estou. Reflito muito também se a culpa é minha, se minhas expectativas são muito altas, se eu sou a chata e exigente da relação que afasto as pessoas. São muitas questões.

Continuo minha busca para melhorar como pessoa, como mãe, como profissional, como amiga, como ser humano que sou.

Nessa busca tenho encontrado pessoas e escritos que estão me ajudando e deixo aqui alguns links para quem quiser refletir sobre "nossa geração-perdida-melindrosa-e-competente-ao-mesmo-tempo," será?

Ter uma lanhouse 24 horas por dia é muito tentador principalmente para quem tinha que esperar chegar meia noite para poder entrar na internet (internet discada, quem lembra?):  que moral nós temos?

Para focar mais no coração e menos no cabeção, acompanho a Gisele Vallin.

Será que fomos treinados para focar somente no intelectual (estudar, estudar e estudar) e esquecemos o resto?  Como preencher nossos vazios?

Não tenho resposta para nada mas continuo buscando pois as perguntas são muitas e elas geram angústias e são elas também que nos tiram do lugar.




sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Meu caminhar profissional

Este ano (2017) completou quatro anos que chegamos em Curitiba. Confesso, mesmo sabendo que foi muita inocência da minha parte, que achava que as coisas seriam mais fáceis mas não foram.

2013: chegamos em setembro e tinha consciência de que seria quase impossível conseguir um emprego em escola no último trimestre do ano. Pensamos em voltar antes para passar por esse período de adaptação e fazer tudo com calma. Foi o que aconteceu.

2014: foi "o" ano. Eu e o Paulo passamos um período de muitas provações, ficamos os dois desempregados juntos pela primeira vez, foram longos quatro meses. Com ajuda de amigas queridas, muito obrigada Dani, Thais e Simara, consegui emprego em uma escola pequena. Ali comecei a entender um pouco como funcionam as coisas aqui em Curitiba. Para nossa alegria logo depois que eu comecei a trabalhar, ele começou também. 

A experiência que eu tive foi muito boa, aprendi muito e conheci crianças incríveis. Pequenas, carinhosas, curiosas, felizes, crianças. Famílias que confiaram em mim. Obrigada Adri, Juliana e Stéfanie. 

Como a escola era somente de educação infantil, eu não tinha como levar o Nicolas comigo então precisei sair e lá fomos nós novamente se adaptar.

2015: passei o primeiro semestre inteiro sem trabalho. Me senti horrível, incapaz e muito, muito estranha. Não entrava na minha cabeça que eu só conseguiria um emprego se alguém me indicasse. E o que eu sabia, minhas vivências, não serviam para nada? 

Respirei fundo muitas vezes, molhei muito travesseiro também. Achava que não iria conseguir. Respira, aguenta  coração que as coisas vão se acalmar.
Lembro que no final do ano anterior encontrei uma amiga querida da faculdade, que não nos víamos há anos. Conversando com ela, algo me marcou muito, ela disse: "- você percebeu o quanto está usando a palavra difícil?". Não, eu não estava reparando mas era porque estava tudo muito difícil mesmo. Obrigada Angela pelo toque.

Ver suas economias de anos indo pro ralo e rapidamente, me deixava em pânico. O Paulo ficou apenas alguns meses no trabalho que havia conseguido e lá estávamos nós dois desempregados novamente.  Mas final de março ele conseguiu um emprego e final de julho, eu. Com a ajuda de uma amiga querida.

Tina, serei eternamente grata a ti. Você sabe né? Obrigada.

Nos viramos para organizar a rotina, eu trabalhava algumas horas pela manhã, levava o Ni na escola e o Paulo buscava. Eu chegava do trabalho e ele saia. Só nos víamos aos finais de semana. 

A escola era grande, muita criança, muita gente e aos poucos fui entendendo como tudo funcionava.

2016: um ano ótimo. De muitos aprendizados, muitas alegrias e as coisas começaram a caminhar. Nicolas foi para a escola comigo e o coração foi se acalmando. 

2017: um ano ótimo, novamente. Com surpresas boas. De repente algumas das famílias que conheci e  convivi em 2014 escolheram a escola que eu trabalho para colocar seus filhos e graças aos céus, eles foram meus alunos. Vocês não imaginam minha emoção de reencontrá-los. Perceber o quanto eles amadureceram, ver com meus olhos o fruto de algumas das sementes que eu havia plantado, os sorrisos, as conquistas. Crianças que, em uma ano eu auxiliei a dar "tchau" para o xixi e o cocô no vasinho, agora estavam conquistando o mundo das letras, dos números, lendo com fluência, produzindo textos, sendo gentis e criativos.

Muito obrigada as famílias pela confiança, pelo carinho e por termos vivido esse período juntos. Obrigada em especial a família da Camila, a família do Guilherme, a família da Luana, a família do Leonardo e a família da Rafaela.

Termino o ano pensando nesse caminhar, nessa estrada que estou construído com a companhia de tantas pessoas queridas. Sozinha jamais eu conseguiria ser quem eu sou. 
Obrigada. 

Que bom perceber que hoje estou onde eu gostaria de estar e quero que continue assim pelos próximos anos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A leitura me salvou!

Não sei quantas vezes.

Valquíria era chefe da minha mãe e uma vez nos convidou para ir a casa dela. Casa simples, bonita e com pouca coisa. Almoçamos. Valquíria morava com a mãe, uma senhora de idade avançada e o filho, um homem, muito educado.
Após o almoço enquanto ela passava um café, eu corri para o quintal. Um pequeno corredor com o chão de mosaico de cerâmica. Era lindo, eu lembro. Por ali fiquei por um tempo, brincando sozinha pois era a única criança.
Antes de irmos embora, fui presenteada com dois livros. Lembro deles até hoje, com carinho, e fico imaginando que fim levaram. Foi ali que tive o primeiro contato com os livros, não tinha sete anos ainda e lembro da minha empolgação para aprender ler e entender tudo aqui que estava lá dentro.

Não cresci ouvindo histórias todas as noites e o contato com os livros eram raros. Foi na escola que esse gosto foi despertado, graças as professoras das séries inicias. Dona Cleusa teve um papel fundamental nesse processo. E depois que comecei a ler,  não parei mais. 

Um pouco mais velha, com quase 15 anos, caiu em minhas mãos o incrível "Olhai os lírios do campo" de Érico Veríssimo. Li e aquela história do Eugênio mexeu tanto comigo, me fez acreditar que se ele conseguiu eu também conseguiria. Conseguiria realizar meus sonhos, seguir em frente. Reli esse livro maravilhoso agora depois de adulta e morando aqui em Curitiba, teve outro impacto na minha vida mas tão forte quanto o primeiro. 

Veio o Magistério, a Faculdade e de repente "Dibs, em busca de si mesmo" cruza o meu caminho e mais uma vez me tira do lugar, me faz acreditar no poder do amor e confirma o que eu estava buscando: sim, aquele era o caminho que eu queria seguir.

Tantos outros livros passaram por mim e me marcaram.

Só que em 2010 minha vida tomou outro rumo. Em novembro meu pai faleceu e uma parte de mim faleceu junto. Eu não conseguia juntar meus cacos e seguir. Achava que estava preparada mas nunca estamos. Foram meses sem dormir direito e mais outros tantos até conseguir voltar a me alimentar. Ânimo, nem sabia o que isso significava. Se sobrevivi foi porque meu filho, ainda muito pequeno, precisava de mim, inteira. Estava pela metade porém foi o que consegui naqueles dias e sobrevivi.

O processo do luto, da aceitação, foi longo até que um dia peguei um livro que estava a semanas comigo emprestado. Sentei e em uma noite li 50 páginas. Naquele momento comecei a aceitar a morte do meu pai. Imaginei o que aconteceu com ele e acho que passou a doer um pouco menos. Quem colaborou para tudo isso acontecer foi uma amiga na época, Priscila, que me emprestou o livro "A menina que roubava livros".

A chegada em Curitiba foi aquele baque só que já contei por aqui e viver sem amigos é estranho. Eu e o Nicolas saímos várias vezes para conhecer o bairro e um belo dia encontramos um sebo bem simples onde o forte eram os gibis. Enquanto o pequeno se esbaldava escolhendo um ou dois eu fuçava nos livros para encontrar algo que me chamava a atenção. Depois de algumas visitas lá, encontrei sem querer o livro "Comer, rezar e amar". Não havia assistido o filme e não assisti ainda mas o livro me fez companhia por algumas semanas e despertou um desejo para seguir vivendo que não sei explicar.

A vida foi passando, continuei lendo dentro do possível. Ano passado aconteceu algo que me tocou fortemente. Teve a feira de livros usados na escola e demos para o Nicolas R$15 para ela gastar, no final da tarde ele chegou com três livros, "um para cada pessoa da família". Imagine meu orgulho.

Eis que de repente, mês passado, lá estava eu agarrada ao Amyr Klink, um dos livros que meu filho comprou. Que surpresa maravilhosa. Que vivência incrível ele viveu, realizou um sonho, batalhou, estudou e se preparou para tal. 

E eu fiquei pensando no quanto a minha solidão foi consolada pelos livros. O quanto muitas vezes não adoeci ou entrei em depressão porque tinha um livro por perto, por ter uma história, por viajar nessas viagens que nem eram minhas mas passaram a ser.

Amo ler, amo viver e mesmo sendo um desafio não desistirei tão fácil.

Desejo que os livros estejam sempre vivos na minha vida e na sua. Se você ainda não foi picado pelo bichinho da leitura, se permita, te garanto que não irá se arrepender.


Esse é o sorriso de quem ganhou um livro novo hoje. 
Acho que estamos fazendo algo certo por aqui mesmo com todos os erros no meio do caminho.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Aprendizados

Deixei a casa  da minha avó com 26 anos e quando saí de lá só sabia fazer arroz branco e ovo mexido. Por muito tempo tive vergonha de comentar que eu não sabia cozinhar.
Aprendi a fazer feijão aos 27 com o Paulo e que orgulho danado que dá quando aprendemos algo que queremos muito.

Também aprendi a fazer amigos tarde assim como a pedir ajuda. Achava, na minha ignorância, que eu me bastava. Nunca tive muito com quem contar então a expressão de ordem era: "se vira".

Quando fui para Londres muita coisa mudou e passei a valorizar ainda mais minhas, poucas é verdade, amizades. Enquanto estava em São Caetano tinha amigos de longa data, pessoas que eu sabia que poderia ligar a qualquer hora do dia ou da noite que elas estariam lá. Porém longe, em terras estrangeiras e sem ao menos falar a língua local, foi realmente desafiante.

Passado o período de adaptação fui relaxando e consegui deixar minhas amarras de lado e fazer novas amizades. Não é fácil mas é possível. Assim como pedir ajuda.

Fui me dando conta que aos poucos ia deixando medos antigos de lado. 

E foi assim que em janeiro desse ano quando eu já sabia a data que iria para SP, escrevi para uma amiga querida e disse: "vou para SP e se estiver por lá, vou adorar te ver." Que alegria ter tido essa atitude. Poderia não ter escrito, poderia ter deixado para lá, poderia ter deixado o medo  e/ou vergonha me dominarem mas não, enfrentei, escrevi e nos encontramos.

Que tarde deliciosa foi aquela. Amei do fundo do meu coração. Conversamo sobre tudo: filhos, família, nossas histórias, nossos blogs, as amizades "virtuais", livros... e foi incrível olhar a Ana nos olhos, ver e ouvir seu sorriso, o encanto dela ao falar dos filhos, da sua luta e do quanto nós -mulheres- somos fortes e muitas vezes nem nos damos conta.

Minha admiração só aumentou mais ainda. Minha vontade de ir embora não aparecia só que o tempo...ah o tempo escorre pelos dedos. 

Para mim ficou a certeza de que é preciso se permitir. Se eu já admirava a Ana pelas cartas que trocamos e pelos posts que ela escreve, agora que a conheço pessoalmente nem sei mais o que vem depois da admiração para achar uma palavra que caiba nesses escritos.

Ana muito obrigada pela companhia, pela escrita e pelo abraço. Você é demais e eu adorei te conhecer um pouco mais. Conte sempre comigo. Na esperança de que esse tenha sido o primeiro de muitos encontros. Abraço apertado, amiga.


 Uma outra coisa que eu aprendi e não faz muito tempo é fazer um café gostoso e decente. Sempre era o Paulo que preparava nossa bebida porém uma tarde eu estava necessitada de um café purinho, deixei o medo de lado e "charam", delicioso. É, é possível ser feliz com pouco, bem pouco aliás. 

sábado, 3 de setembro de 2016

Ah o tempo!

Mudaram as estações...
e tudo mudou.

Nunca passei tanto tempo sem blogar mas tudo mudou e muito.

Tem dias que paro e penso como era a vida há alguns anos.

Lembro dos meu tempos de solteira, que eu trabalhava das 7h as 18h30, saía correndo, comia no caminho algo rápido enquanto dirigia e ia para a faculdade, voltava para casa só as 23h30 para começar tudo de novo no outro dia as 6h da matina (sou do tempo que falava matina para manhã/ madrugada).

Sábado, além de ter que trabalhar quase sempre, tinha ainda trabalho para fazer ou estágios. Normalmente só depois das 16h que eu estava liberada e ai dava uma mão em casa na limpeza ou ia ao mercado, açougue e essas coisas toda da casa mas era uma mão, não era tudo responsabilidade minha.

Tinha final de semana que nem vontade de sair eu tinha, na verdade eu só queria dormir. 
  
E hoje o que mudou? Tudo.

A responsabilidade, meu comportamento que é exemplo, o ser adulto que tem que ser adulto e ponto. Não dá mais para dar uma mão na casa, a responsabilidade é nossa.

Hoje saio de casa as 8h45 e volto as 20h e a vida continua, é preparar a janta, botar roupa para lavar, adiantar o almoço, acompanhar a tarefa do Nicolas, olhar a agenda dele, preparar a mochila, dar um pouco de atenção, jantamos juntos e coloco ele para dormir. E ai o dia ainda não acabou vou ainda ler um pouco, trago trabalho para casa todos os dias, tomo banho e lá pelas 23h30 vou dormir. No outro dia as 6h/ 6h30 estou de pé novamente, as vezes vou ao sacolão ou ao mercado ou ainda passo no banco antes de ir trabalhar.

Ufa, que canseira.

Já sinto a idade chegando, sinto que não tenho mais o ritmo que tinha, que o peso da mochila pesa não somente nos ombros mas na alma.

Ao mesmo tempo me surpreendo por estar aguentando tudo tão bem, não tenho adoecido, não tenho chorado mais diariamente pela falta do meu pai, nem tenho vontade de largar tudo e sair correndo.

Mas tive que priorizar e infelizmente não consegui mais sentar uma hora ou mais para escrever aqui. Quando consigo volto e releio um post antigo, leio os comentários, passo nos blogues que gosto e ai o tempo passou e não escrevi. Estou tentando não sofrer por isso.

O que me deixa feliz é ver o Nicolas bem e feliz.
O meu trabalho me motiva, me desafia e tem me mostrado o quanto sou capaz. 
To feliz apesar de cansada e como disse minha diretora "você tem que ficar atenta pois sua tendência é sempre se apegar ao negativo e nem ver o positivo".

Quero voltar, quero e vou, só não sei quando ainda.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A chatinha

Londres, novembro de 2004.
 
Tudo parecia estranho naquela cidade. O clima, a comida, as pessoas. Tudo estranho demais para mim.
 
Entre tantas coisas o que mais me chamou a atenção era o movimento no ônibus. Não digo o movimento do ônibus mas no ônibus.
 
As pessoas comiam no ônibus: imaginem o cheiro de comida apimentada mais comida frita mais o cheiro do café;
 
as pessoas se maquiavam no ônibus: que habilidade passar delineador com o ônibus em movimento. uma vez em um percurso de 40 minutos a mocinha se maquiou, colocou cílios postiços e arrumou o cabelo. fiquei extasiada olhando;
 
muitas pessoas liam no ônibus e liam de tudo independente de estarem sentadas ou em pé;
 
as pessoas dormiam;
 
os cachorros entravam também era uma festa;
 
e os carrinhos de compra, várias pessoas com carrinhos de compra no ônibus;
 
fora as mudanças muitas delas, com tudo.
 
Era uma loucura e engraçado ao mesmo tempo.
 
Eu, paulista metida a besta*, comecei a ficar horrorizada ao ver as pessoas com as compras. Sem nenhuma preocupação com o outro. Ela estava fazendo a compra da semana ou do mês, não sei (não conheci ninguém que fazia compra do mês, nem os ingleses) e como era muita coisa ou morava longe precisava pegar o ônibus.
 
Achava um absurdo as pessoas carregando os pacotes de papel higiênico sem nenhuma preocupação.
 
Lembra que eu falei que era metida a besta então para mim aquilo era um terror, onde já se viu.
 
Mas todas essa minha abestalhaçao não durou dois meses. Nós também pegávamos ônibus algumas vezes para voltar com a compra do mercado pois estava pesado ou chovendo e carregar o pacote de papel higiênico passou a ser algo natural como era para todas aquelas pessoas. Até porque todo mundo precisa de papel higiênico uma hora ou outra.
 
Passado alguns anos um dia eu estava voltando do mercado e um grupo de três ou quatro pessoas ficaram me olhando com cara de surpresa. Provavelmente a mesma cara que eu fazia logo que cheguei na cidade e ai eu pensei: "que foi tu não usa papel não ou tá limpando o fiofó com sabugo de milho, tá podendo em". Porque meus amigos o milho na terra da rainha era caro prá dedeu.


(Esse era o papel higiênico que nós usávamos; ás vezes até dessas pequenas coisas eu tenho saudade.)

* paulista metida a besta: porque eu era assim mesmo, fresquinha. ainda bem que melhorei, ainda bem que nós amadurecemos, mudamos senão eu não tinha dado conta não.
 
Nem sei porque deu vontade de deixar registrado essa história aqui talvez seja porque o preço das coisas aqui na terra brasilis está uma carestia como diz minha avó. Ela disse que meu biso sempre falou: "presta atenção que os fins dos tempos estão chegando e você saberá quando será. quando você levar um carinho de dinheiro a venda e voltar com uma sacola de mercadoria. hoje levamos uma sacola de dinheiro e voltamos com um carinho mas isso ainda vai mudar". Biso querido já mudou faz tempo.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Novembro, cadê você?

Novembro passou e junto parece que passou um caminhão na minha vida. No bom sentido, se isso é possível.
 
O caminhão chegou, estacionou e trouxe novos desafios:
 
* eu que trabalhava só algumas horas de manhã passei a ficar na escola a tarde também, o que implicou em uma reorganização aqui em casa, voltei a levar marmita (e comer na rua algumas vezes, beber menos água por tabela) e o Ni foi para a escola a tarde pois não temos com quem contar. Ele adora mas é cansativo.
 
* eu que sempre estive e vivi na educação infantil/ primeiro ano no máximo, encarei um 2o.ano e olha... que desafio, não sei se é lá que eu quero estar. Gosto da parte lúdica da educação, gosto de fazer roda no chão, de dar e receber beijos e abraços, gosto da inocência e sinceridade das crianças menores.
 
Aprendi um montão, curte o contato e o carinho das crianças maiores, fiquei muito feliz em ver meu filho "se virando" em situações novas.
 
Junto com tudo isso acontece uma grande exposição na escola conhecida como "Escola por Dentro" que é como uma feira de ciências/ feira de conhecimentos. Foi lindo, emocionante e que exigiu bastante de todos.
  
Com essa correria toda eu sofri menos com o dia 21 de novembro, dia que meu pai faleceu há cinco anos. Ás vezes acho que algumas coisas acontecem propositalmente com um objetivo bem específico. Funcionou, deu certo e aqui estou inteira e feliz ou pelo menos sofrendo menos porque lembrar que meu pai não está mais entre nós, especialmente nessa época do ano, é sofrido demais.
 
Por conta dessa correria não entrei mais no facebook e percebi que isso me fez um bem danado apesar de sentir falta dos amigos que tenho por lá e que não passam por aqui. Kátia, Dani, Taís, Nalivia, Vânia e tantas outras pessoas que eu gosto tanto, me desculpem a ausência.
 
Que venham as festas, mais alegria, o descanso e um pouquinho mais de paz. Só quero aproveitar  tudo isso e continuar bem, não somente eu mas meu filho, marido, a família, os amigos e quem ainda me lê por aqui.
 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O que dizer?

Domingo fez um dia "típico" londrino em Curitiba. Estava frio, nublado e com garoa. Um dia cinza. 

Domingo dia 25.10.2015 eu completei 38 anos e foi mais um dia como todos os outros 364 dias do ano; além de estar cinza e frio para me fazer matar a saudade da minha cidade do coração - Londres.

O dia foi tranquilo, ficamos somente eu e o Ni em casa porque o Paulo começou a trabalhar meio dia e só parou as onze da noite, quase não ficamos juntos e ai no meio da tarde eu recebi mensagens das minhas primas desejando feliz aniversário e de bônus uma foto que me fez sorrir.

Um dia eu já fui uma criança bonita e sorridente.




 
E hoje o que diria para essa garotinha (talvez com uns cinco ou seis anos, não mais do que isso) sobre a vida, sobre o futuro?
Confesso que não sei bem. 
Talvez eu diria que esse sorriso ela deve levar para a vida inteira mesmo nas situações mais difíceis.
Talvez eu diria que ela não precisa ter (tanto) medo porque coisas boas acontecem na vida.
Talvez eu diria para ela lembrar que ela é linda mesmo quando ela se acha horrível por ser magrela, usar óculos, usar aparelho, não ter roupas descoladas e ainda ser um pouco tímida.
Talvez eu diria muitas vezes que relaxar faz bem, que nem tudo precisa ser certinho o tempo todo e rir de vez em quando é bom.
Que ser honesto e sincero -principalmente com ela mesma- é a melhor receita para não se trair.
Que a morte não é o fim do mundo, nem precisa ter medo dela, todos nós passaremos por isso.
Reforçaria o que ela ouviu a infância inteira: respeite os mais velho, faça o seu melhor e faça o que for correto mesmo que todos te digam que é errado.
Diria para acreditar mais nela, que ela é capaz e que confiar é difícil mas é possível.

Dor de amor não mata mas doí.

Comer manga e tomar leite não mata.

Brincar de ficar vesgo não te deixará vesgo para sempre mas pode ser que doa um pouco os olhos. 

Amizade é um troço complicado demais para tentar entender então viva enquanto durar.
Leia, leia muito e de tudo.
Não deixe de dançar jamais até porque isso foi algo que ela sempre gostou.
Se ame e não espere que ninguém te ame para você acreditar que é amada.

************
Com cinco ou seis anos eu -nem em sonhos- imaginei que minha vida estaria como está agora. Aquela garotinha da foto nunca fez muitos planos para o futuro, dar conta do presente já era algo pesado e gostoso demais ao mesmo tempo. 
Hoje meu objetivo é quebrar várias "crenças" que me fizeram acreditar como certas e que não me acrescentam em nada. 
Continuo acreditando no amor mesmo e apesar de todas as feridas que ele já me causou um dia.
Agora uma coisa que eu aprendi nesses anos é que nada é perfeito nessa vida e que é melhor você criar capivara/unicórnio/ galinha/gato do que expectativas. Qualquer coisa te fará sofrer menos do que expectativas.

Se vou viver mais 38 anos para lembrar o que eu penso hoje, eu não sei, porém quero viver o tempo que for da melhor maneira feliz, sem tanta complicação e com coisas boas ao meu redor. Que venha mais um ano pela frente com muito amor, trabalho, momentos gostosos e aumentando a cada dia minha poupança de boas recordações.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O filme

Essa pergunta rondou minha cabeça por semanas, meses, anos.

"Que horas ela volta?"

Todo dia era igual e ela não voltava.
Esperava na porta da escola e ela não voltava.
A esperava foi dando lugar para o vazio e o vazio para o nada.
Esse foi o sentimento que ela conseguiu gerar dentro de mim: nada.
Nem ela aparecendo na sexta e desaparecendo no domingo mudava algo, 
não não mudava.
Nada vezes nada é nada.

É duro, é dolorido mas a gente se acostuma.

O sonho da casa própria falou mais alto,
a prioridade em terminar a faculdade falou mais alto.
tudo falou mais alto até mesmo quando o segundo filho (por acidente, de novo) surgiu, a prioridade era outra não dava para abrir mão de tudo para cuidar dos filhos.

Abrir mão de tudo é pedir demais.

******************

O filme do ano para mim até agora é "Que horas ela volta?".
Fui assistir sozinha e chorei, chorei muito, me identifiquei com várias partes e quando a Val toma a decisão final antes do desfecho do filme, lavei minha alma e chorei mais ainda.

Não vou contar muito mas para mim foi impactante, rolou uma identificação e só chorei mais do que o normal porque estava de TPM. Fico sensível e choro por tudo.

É um super filme (para mim) e mostra um recorte da nossa sociedade. As consequências dessa triste realidade já estamos colhendo: mães/ pais abandonando seus filhos, pessoas materialistas, cada vez mais jovens se drogando entre outras coisas. Mas ninguém quer ver, ninguém quer mudar, ninguém quer se responsabilizar.

Se puder assistir um único filme esse semestre, vá assistir "Que horas ela volta?" a atuação da Regina Casé tá demais. Lembro dessa mesma sensação quando assisti "Central do Brasil" com a Fernanda Montenegro.



domingo, 6 de setembro de 2015

Infância no varal coletivo

(Uma das minhas poucas fotos de pequena, acho que só tenho três fotos, e essa está bem judiada. Registro do meu aniversário de um ou dois anos, eu no colo do meu pai meio assustada, loirinha e de cabelos cacheados. Registro de uma época que festa de aniversário era algo mais simples e que o importante era estar junto.)

Quase não tenho fotos da minha infância, infelizmente, pois adoraria ter "recortes" das minha vivências.

Tenho lembranças boas do  fim da minha infância lá pelos meus seis anos as coisas começam a ficar mais claras para mim.

Lembro com alegria a emoção que era brincar na rua sem ter hora para acabar, sem ter adulto para ficar conosco e muito menos regras para seguir.

Lembro das brincadeiras simples e divertidas: casinha, escolinha, esconde-esconde, pega-pega, taco (nossa como eu corria bem brincando de taco, como eu adorava ir atrás da bolinha na rua de baixo, que era ladeira abaixo mesmo)... lembro do tanto que a gente conversava e ria, meninas e meninos todos juntos. Ah e tinha os maiores, os grandes que sempre ajudavam os menores. Em geral eles eram os irmãos ou primos dos menores.

Outro dia teve uma manhã de formação na escola que estou trabalhando (uhu estou trabalhando, contei isso lá no meu instagram e esse é um dos motivos do meu sumiço, bom motivo vai!!!) e a formação era exatamente sobre o brincar, sobre nossas memórias da infância e eu me segurei muito para não chorar. 

Na conversa sobre o brincar percebemos que as crianças não vivem mais o que nós vivemos e como elas vivem? Quais memórias da infância elas irão levar? E qual o papel da escola nisso tudo?  

Hoje a escola assume mais esse papel: propor o brincar livre e para isso é preciso que os adultos estejam disponíveis, se envolvam na brincadeira e não cedam a tentação de, sem querer, direcionar tudo para o escrever e ler. 

Após essa formação por coincidência vi no blog da Ana Paula que teria uma "Blogagem Coletiva" sobre infância e aqui estou tentando registrar um pouco da minha.

Com a formação da escola pensei demais na infância do meu filho, dos limites, do viver em um apartamento pequeno, do tempo na tv, na falta de amigos, no nosso papel como pais e de repente vi um vídeo que me deixou triste. Eita confusão de sentimentos.

Que nosso infância e de nossas crianças sejam saudáveis e felizes, com muita diversão e alegria pois é isso que eu lembro da minha e é isso que eu quero para meu filho.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Que mãe eu sou? (hoje)

Que mãe eu sou hoje?

Chata.

Assim sou definida pelo meu filho e ouço com frequência, para não dizer todos os dias.

Eu sou a chata porque pego no pé, 
peço para desligar a tv e ir fazer outra coisa,
proponho outras coisas mas nunca são tão legais,
temos horário para comer, dormir,
fazer a lição de casa é prioridade as outras coisas vem depois
entre tantas outras coisinhas.

Coloco limites algo tão em falta hoje em dia.

Sei que ele me ama e mesmo assim me acha uma chata de galocha.

Sei que essa idade é um desafio e que também é uma fase que vai passar porém tem dia que cansa tanto.

Sei também que um dia ele irá perceber que tudo que fazemos é para seu bem, temos essa esperança.

Tudo isso me faz voltar no tempo e revisitar minha infância que não foi a mais doce da história. Confesso que prefiro ser essa mãe chata do que a mãe indiferente com quem convivi que hoje colhe frutos amargos mas isso é outra história, minha história que acaba refletindo na minha relação com meu filho.

Todos os dias eu peço a Deus força para continuar na caminhada, discernimento para não cair na tentação do caminho mais fácil e muito menos repetir os erros de um passado próximo. Não quero perpetuar situações e lembranças que não deixaram nada de bom.

E assim seguimos nessa caminhada chamada maternidade que aqui é real, nua e crua e sem maquiagem de revista.

Enquanto isso... mesmo eu sendo "a chata" ele não desgruda e eu adoro ele pertinho.

Uma foto publicada por Graziela Flor (@gra_flower) em

domingo, 29 de março de 2015

Onze anos!

Em um 26 de março de 1959, após uma viagem que durou longos onze dias, meu pai chegou ao Brasil com 26 anos de idade.

Em um 26 de março de 2004, após onze horas de viagem, eu cheguei na Espanha com 26 anos de idade.

Em 26 de março de 2015 fez onze anos que eu mudei o rumo da minha vida para sempre.

Se hoje estou aqui ainda tenho, quase certeza, que é porque tive a coragem de embarcar naquele avião no dia 25 de março de 2004. 

Fui com o que tinha, sem ajuda e apoio de ninguém. Não tinha sequer uma máquina fotográfica para fazer os primeiros registros da minha vida nova; os registros só começam algumas semanas depois com o empréstimo de uma máquina de uma prima querida. 

Essa semana revi as fotos, as lembranças vieram a tona junto com vários sentimentos. Soltei um suspiro de alívio ao perceber que outro dia reclamei que a vida estava difícil e que difícil mesmo estava tudo lá em 2002/ 2003 e começo de 2004. Lembrei que agora a dificuldade é dividida e a solução somada não subtraída. Lembrei que não sou mais eu, somos nós e que esse era meu grande desejo: saber qual era meu lugar nesse dentro desse nós, descobrir mais sobre a história do meu pai que também é minha. 

Vivi muitas coisas boas e intensas. E ao rever as fotos lembrei do meu percurso profissional que foi construído aos poucos, de forma intensa as vezes, serenas outras tantas. Na Espanha conheci escolas, estive com as crianças e vivenciei o processo de construção do conhecimento naturalmente e em várias esferas, nas crianças e em mim.




Para saber mais como foram essas coincidências numéricas, por favor, leia este post.

*Post escrito originalmente em 26/03/2015 mas só consegui publicá-lo hoje (29/03).

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Das incoerências da vida.

Acabou janeiro e o que você fez?
(Tá quase acabando, eu sei... é só força de expressão.)

Fiz várias coisas inclusive um check-up. 

Tá tudo bem, tudo em ordem com exceção de um valor no exame de sangue. 
Nada a se preocupar mas voltei para casa com a cabeça fervilhando pensando no que tenho que fazer para me adequar.

O mais engraçado ou não, é a incoerência que vem junto com tudo isso. Minha questão é: como alguém que está abaixo do peso precisa fazer dieta?

Pareceu-me tão estranho isso.


E farei dieta substituindo algumas coisas, continuarei buscando chegar ao peso ideal e me cuidar mais, claro. A idade chega e acredito que, infelizmente, essas alterações veem junto.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sobre o que eu nao consigo falar, ainda.

"Afinal, quando uma pessoa morre, não só aquela pessoa que existe objetivamente fora de você morre.
Mas também a pessoa que existe dentro de você, subjetivamente, precisa encontrar descanso.
Quando você vê uma pessoa que você ama morrendo, tem que aprender um pouco a morrer também." 
Alessandro Martins

Eu ainda nao encontrei esse "descanso" dentro de mim e ja' se passaram 3 anos. Para mim parece uma eternidade. Voltar foi dificil. Optamos, com a sugestao e ajuda de uma amiga, a vir para Curitiba direto sem parar em Sao Paulo (para ver os parentes) assim seria mais facil com as malas e tal. Emocionalmente foi o mais adequado. Nao precisei desembarcar em Guarulhos onde ele sempre esteva la' nos esperando para um abraco e nao importava a hora, chegava sempre cedo, nao queria perder aquele momento.

Fui para Sao Paulo 3 dias apos chegar aqui. Encontrei todos menos ele, claro. Sensacao estranha. Tristeza. Desconforto. Falta. Saudade. Nao fui na casa da minha mae ainda e nem sei se conseguirei ir um dia, ele nao estara' la' para abrir o portao muito menos para me dar 3 beijinhos de boa noite e dizer seu famoso: durma com os anjos.

Ninguem precisa dizer mais essa frase pois sei que meu anjo querido esta' sempre por perto de mim. Eu sinto. Incrivel porque desde Londres depois do dia 22 de novembro de 2010 do nada uma borboletinha branca apareceu e sempre me acompanhava. Esses dias vi uma por aqui, me rondando e so' olhei para o ceu e agradeci. Eu sei que ele esta' aqui, bem perto de mim, dentro do meu peito.

Enquanto ainda nao consegui me despedir (elaborar esse luto sem fim que um dia se findara') vou apenas me alimentando de boas lembrancas para evitar a tristeza.

******************
Consegui escrever um pouco mais sobre a partida do meu pai por causa da "carta dominical" que o Alessandro (dono das primeiras frases do post) nos mandou no ultimo domingo. 

Aproveito para dizer que se voce gosta de ler cartas com uma escrita otima, bem humorada, dicas para viver bem e muita inspiracao entao voce precisa assinar a "nwesletter" do Alessandro. E' de graca, voce so' precisa colocar seu email la' no formulario, confirmar no seu email e pronto.

Tenho certeza que voce vai gostar. Para assinar a carta e' so' clicar aqui.

*** Quem acompanha o blog ou le meus posts sabe que eu evito falar sobre o assunto. Dessa vez a carta do Ale mexeu demais da conta comigo, nao aguentei.

sábado, 5 de outubro de 2013

Terceira semana e contando.

Contando, contando e contando.

Porque sou uma boba ja' que contar os dias ou semanas nao vai mudar em nada. Delimitar o tempo parece que torna a coisa mais palpavel, se e' que e' possivel.

Apesar da sensacao estranha que sinto, muitas vezes tenho a impressao que estou de ferias, logo, logo farei minhas malas e retornarei para minha casa, la' longe. Sei que isso nao acontecera', tento nao me iludir e viver aqui apesar dos pensamentos estarem mais por la', por enquanto.

Sair da zona de conforto e' dificilimo. Conseguir fazer uma lista enorme de pontos positivos de algo so' para se manter ali, firme e forte, agarrados no nosso mastro/ time/ equipe, e' facil. Aquele velho ditado nunca foi tao verdadeiro: "em time que esta' ganhando nao se mexe". 

Se esta' tudo bem para que mexer?

E a pergunta que fica no ar e': esta' tudo bem? Ate' que ponto e para quem esta' tudo bem?

A decisao de ir/ vir/ ficar nao e' uma decisao facil. Nao foi uma decisao facil para nos. O X da questao e' que quando nos juntamos e  formamos uma familia tudo mudou. Nao e' mais somente EU, o que eu quero e pronto. Somos nos.

Pesar os pontos positivos e negativos de morar longe foi um exercicio semanal. Foram horas e mais horas de longas conversas. 

Em 2003 quando decidi sair do Brasil sempre tive em mente que em dois anos eu voltaria. Nunca, jamai,s passou pela minha cabeca ficar fora mais do que isso e eu sabia que era por um tempo determinado e nao para sempre. Relembrar esses detalhes me ajudou a me situar na situacao de voltar.

O que mais pesou para nos foi a falta da familia. O Paulo pertence a uma familia grande, e' o cacula e sente muita mas muita falta da familia dele. Eu, conforme fui perdendo pessoas queridas e muito amadas fui perdendo um pouco a alegria de estar longe. Ate' porque quando eu decidisse voltar ja' nao teria mais como recuperar o tempo "perdido" com quem nao esta' mais proximo.

Ao mesmo tempo depois que meu pai faleceu, a minha voltade de voltar ao Brasil diminuiu um pouco. Eu nao conseguia imaginar chegar no aeroporto e nao encontra-lo. Tanto que nem fui direto para Sao Paulo, so' passamos e foi tao corrido que nem percebi que estava em Sao Paulo.

Privar o Nicolas do convivio com os avos, tios, primos, amigos queridos e de longa data tambem nos deixava muito triste. E como, infelizmente, nao conseguiamos vir para o Brasil todo ano, a melhor solucao foi  voltar.

Se voce me perguntar hoje se estou bem? Sinceramente ainda nao sei.

Como disse em outro post, aqui (Brasil) e' tudo muito intenso, estamos na fase de adaptacao que pode durar um mes, tres meses, seis meses, um ano ou anos. Nao sei, de verdade.

Gostaria que algumas coisas fossem mais faceis e menos caras? Adoraria mas nao sao. Entao e' arregacar as mangas e batalhar, de novo, como sempre foi.

O Brasil mudou? Nao sei tambem e ainda, o que sei e' que eu mudei. 

A vivencia que eu tive na Espanha e em Londres me transformaram. A maternidade me transformou, me tirou do meu lugar de sossego, do meu egoismo, da minha infantilidade, me fez perceber que o mundo nao gira em torno do meu umbigo, me mostrou a fragilidade da vida, me deu um cutucao tao grande que eu percebi o quanto eu preciso me cuidar, me amar e estar bem para poder passar tudo isso para meu filho. Minha vida nao percente somente a mim mais.

***
Talvez esse post nao diga absolutamente nada para quem le e acompanha o blog mas ele estava meio entalado na garganta, tava doendo no ouvido, martelando na cabeca. Talvez seja porque o que eu mais ouvi nesses ultimos meses foi  "voces sao loucos de voltar", "quando todo mundo quer ir embora, voces estao voltando" e a pior melhor "voces vao voltar (para Londres), pode escrever ai".

Volto a dizer o que ja' disse e sempre comento: Nao importa aonde voce esta' mas como voce esta'. 

As oportunidades existem em todos lugares resta a nos sabermos aproveita-las.

***
Ver a cara de felicidade do Nicolas ja' deixa meu coracao mais calmo.

E nao, nao estou fazendo nenhum sacrificio por ele ou pelo Paulo, vim de livre e espontanea vontade. Lembro que doeu muito mais deixar o Brasil em 2004 do que deixar Londres em 2013 mas Londres tem um lugar especial no meu coracao, para sempre. E a vida segue.

Nicolas e a bisa.
Bisa =  minha avo', minha maezona.
Que alegria foi ve-los juntos (novamente)!


Pedacos da minha vida que agora tambem fazem parte da vida dele.



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