quarta-feira, 28 de junho de 2017

Solidão

Durante muitos anos, eu não sabia o que era ficar sozinha comigo mesma.

Sempre, sempre mesmo, precisava de alguém ao meu lado para tudo: ir ao supermercado, ao cinema, ao shopping, ao parque, a padaria. 

As coisas começaram a mudar quando tirei a carteira de motorista -que hoje nem sei aonde está- porque ai eu ia e voltava do trabalho sozinha, comecei a ir para alguns lugares sem ninguém. Porém ainda me incomodava essa questão de estar sozinha.

Hoje creio que seja algo cultural, que desde pequenos somos sempre muito assistidos e ai crescemos achando que para ser feliz ou ter momentos felizes precisamos estar acompanhado. 

Mas nunca considerando nossa própria pessoa uma boa companhia.

Em Londres, muita coisa mudou na minha vida, em mim. Quer dizer, começou um pouco antes, na Espanha. Ou eu ia sozinha ou não iria então aprendi, na raça, a ir mesmo sozinha. Descobri que era bom, aprendi aos poucos a gostar de estar só.

Aí lá em Londres, conheci uma pessoa aqui de Curitiba, inclusive, que ia ao cinema toda semana sozinha, ia ao museu, a um café tomar um café e ler um livro, tudo sozinha. Ouvir ela contando o que fazia me deixou surpresa no início ao mesmo tempo que me encantou. Fui perdendo meu medo e me dei conta que poderia ser feliz sozinha também, não era preciso sempre deixar a responsabilidade de ser feliz para o outo. 

Criar expectativa é um troço horroroso, faz um mal danado.

Agora preciso confessar que quando estamos/ somos sozinhos precisamos de muita disciplina. Digo isso porque é a quarta vez, acho, que o Nicolas viaja com o Paulo e eu fico sozinha e dessa vez acho que está sendo a pior em termos de alimentação e organização. 

Fiquei perdida com tanto tempo para mim, perdida com os horários, perdida e estou tentando me achar.

Estar sozinha é bom, ainda prefiro estar com a minha família completa, mas o silêncio matinal é precioso, faz cinco dias que não ligo a tv e nem estou sentindo falta.

Agora o engraçado é sair para comer e ver os olhares de estranhamento e quase de piedade das pessoas. É como se estar sozinho é estar abandono, triste, solitário.

Quanta coisa estou aprendendo nessas semanas.

Deu até tempo de escrever, olha que coisa boa.

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

A leitura me salvou!

Não sei quantas vezes.

Valquíria era chefe da minha mãe e uma vez nos convidou para ir a casa dela. Casa simples, bonita e com pouca coisa. Almoçamos. Valquíria morava com a mãe, uma senhora de idade avançada e o filho, um homem, muito educado.
Após o almoço enquanto ela passava um café, eu corri para o quintal. Um pequeno corredor com o chão de mosaico de cerâmica. Era lindo, eu lembro. Por ali fiquei por um tempo, brincando sozinha pois era a única criança.
Antes de irmos embora, fui presenteada com dois livros. Lembro deles até hoje, com carinho, e fico imaginando que fim levaram. Foi ali que tive o primeiro contato com os livros, não tinha sete anos ainda e lembro da minha empolgação para aprender ler e entender tudo aqui que estava lá dentro.

Não cresci ouvindo histórias todas as noites e o contato com os livros eram raros. Foi na escola que esse gosto foi despertado, graças as professoras das séries inicias. Dona Cleusa teve um papel fundamental nesse processo. E depois que comecei a ler,  não parei mais. 

Um pouco mais velha, com quase 15 anos, caiu em minhas mãos o incrível "Olhai os lírios do campo" de Érico Veríssimo. Li e aquela história do Eugênio mexeu tanto comigo, me fez acreditar que se ele conseguiu eu também conseguiria. Conseguiria realizar meus sonhos, seguir em frente. Reli esse livro maravilhoso agora depois de adulta e morando aqui em Curitiba, teve outro impacto na minha vida mas tão forte quanto o primeiro. 

Veio o Magistério, a Faculdade e de repente "Dibs, em busca de si mesmo" cruza o meu caminho e mais uma vez me tira do lugar, me faz acreditar no poder do amor e confirma o que eu estava buscando: sim, aquele era o caminho que eu queria seguir.

Tantos outros livros passaram por mim e me marcaram.

Só que em 2010 minha vida tomou outro rumo. Em novembro meu pai faleceu e uma parte de mim faleceu junto. Eu não conseguia juntar meus cacos e seguir. Achava que estava preparada mas nunca estamos. Foram meses sem dormir direito e mais outros tantos até conseguir voltar a me alimentar. Ânimo, nem sabia o que isso significava. Se sobrevivi foi porque meu filho, ainda muito pequeno, precisava de mim, inteira. Estava pela metade porém foi o que consegui naqueles dias e sobrevivi.

O processo do luto, da aceitação, foi longo até que um dia peguei um livro que estava a semanas comigo emprestado. Sentei e em uma noite li 50 páginas. Naquele momento comecei a aceitar a morte do meu pai. Imaginei o que aconteceu com ele e acho que passou a doer um pouco menos. Quem colaborou para tudo isso acontecer foi uma amiga na época, Priscila, que me emprestou o livro "A menina que roubava livros".

A chegada em Curitiba foi aquele baque só que já contei por aqui e viver sem amigos é estranho. Eu e o Nicolas saímos várias vezes para conhecer o bairro e um belo dia encontramos um sebo bem simples onde o forte eram os gibis. Enquanto o pequeno se esbaldava escolhendo um ou dois eu fuçava nos livros para encontrar algo que me chamava a atenção. Depois de algumas visitas lá, encontrei sem querer o livro "Comer, rezar e amar". Não havia assistido o filme e não assisti ainda mas o livro me fez companhia por algumas semanas e despertou um desejo para seguir vivendo que não sei explicar.

A vida foi passando, continuei lendo dentro do possível. Ano passado aconteceu algo que me tocou fortemente. Teve a feira de livros usados na escola e demos para o Nicolas R$15 para ela gastar, no final da tarde ele chegou com três livros, "um para cada pessoa da família". Imagine meu orgulho.

Eis que de repente, mês passado, lá estava eu agarrada ao Amyr Klink, um dos livros que meu filho comprou. Que surpresa maravilhosa. Que vivência incrível ele viveu, realizou um sonho, batalhou, estudou e se preparou para tal. 

E eu fiquei pensando no quanto a minha solidão foi consolada pelos livros. O quanto muitas vezes não adoeci ou entrei em depressão porque tinha um livro por perto, por ter uma história, por viajar nessas viagens que nem eram minhas mas passaram a ser.

Amo ler, amo viver e mesmo sendo um desafio não desistirei tão fácil.

Desejo que os livros estejam sempre vivos na minha vida e na sua. Se você ainda não foi picado pelo bichinho da leitura, se permita, te garanto que não irá se arrepender.


Esse é o sorriso de quem ganhou um livro novo hoje. 
Acho que estamos fazendo algo certo por aqui mesmo com todos os erros no meio do caminho.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Aprendizados

Deixei a casa  da minha avó com 26 anos e quando saí de lá só sabia fazer arroz branco e ovo mexido. Por muito tempo tive vergonha de comentar que eu não sabia cozinhar.
Aprendi a fazer feijão aos 27 com o Paulo e que orgulho danado que dá quando aprendemos algo que queremos muito.

Também aprendi a fazer amigos tarde assim como a pedir ajuda. Achava, na minha ignorância, que eu me bastava. Nunca tive muito com quem contar então a expressão de ordem era: "se vira".

Quando fui para Londres muita coisa mudou e passei a valorizar ainda mais minhas, poucas é verdade, amizades. Enquanto estava em São Caetano tinha amigos de longa data, pessoas que eu sabia que poderia ligar a qualquer hora do dia ou da noite que elas estariam lá. Porém longe, em terras estrangeiras e sem ao menos falar a língua local, foi realmente desafiante.

Passado o período de adaptação fui relaxando e consegui deixar minhas amarras de lado e fazer novas amizades. Não é fácil mas é possível. Assim como pedir ajuda.

Fui me dando conta que aos poucos ia deixando medos antigos de lado. 

E foi assim que em janeiro desse ano quando eu já sabia a data que iria para SP, escrevi para uma amiga querida e disse: "vou para SP e se estiver por lá, vou adorar te ver." Que alegria ter tido essa atitude. Poderia não ter escrito, poderia ter deixado para lá, poderia ter deixado o medo  e/ou vergonha me dominarem mas não, enfrentei, escrevi e nos encontramos.

Que tarde deliciosa foi aquela. Amei do fundo do meu coração. Conversamo sobre tudo: filhos, família, nossas histórias, nossos blogs, as amizades "virtuais", livros... e foi incrível olhar a Ana nos olhos, ver e ouvir seu sorriso, o encanto dela ao falar dos filhos, da sua luta e do quanto nós -mulheres- somos fortes e muitas vezes nem nos damos conta.

Minha admiração só aumentou mais ainda. Minha vontade de ir embora não aparecia só que o tempo...ah o tempo escorre pelos dedos. 

Para mim ficou a certeza de que é preciso se permitir. Se eu já admirava a Ana pelas cartas que trocamos e pelos posts que ela escreve, agora que a conheço pessoalmente nem sei mais o que vem depois da admiração para achar uma palavra que caiba nesses escritos.

Ana muito obrigada pela companhia, pela escrita e pelo abraço. Você é demais e eu adorei te conhecer um pouco mais. Conte sempre comigo. Na esperança de que esse tenha sido o primeiro de muitos encontros. Abraço apertado, amiga.


 Uma outra coisa que eu aprendi e não faz muito tempo é fazer um café gostoso e decente. Sempre era o Paulo que preparava nossa bebida porém uma tarde eu estava necessitada de um café purinho, deixei o medo de lado e "charam", delicioso. É, é possível ser feliz com pouco, bem pouco aliás. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quebrando ciclos.

Ela nasceu e cresceu em uma família que sempre teve e tem até hoje muitos comportamentos negativos. Desde pequena escutou que tudo é ruim "viver é ruim", "sexo é ruim", "ter amigos é ruim, eles mentem, traem", "no mundo só tem pessoas ruins, não confie em ninguém" entre tantas outras coisas.

Mas o tempo, o senhor de tudo, tarda mas não falha. Claro que o estrago já estava feito, ela já havia ouvido tanto e processado toda aquela informação dentro da sua cabeça que não repetia mas pensava "tudo é ruim mesmo". 

O tempo passou, ela foi crescendo, foi para escola, conheceu pessoas, ouviu essas pessoas e de repente começou a trabalhar e conheceu mais pessoas ainda. 

Pessoas felizes, pessoas de bem com a vida, pessoas que a faziam bem.

Luz vermelha.

Naquele momento o mundo entrou em um grande conflito para aquela menina "como assim tem gente boa", "ter amigos é bom", "a vida é boa"... e não precisa ser tudo tão ruim. Que angústia! Como negar tudo que havia ouvido até aquele momento, como ir contra todos da sua família. 

Foi um processo difícil com muitas perguntas sem respostas, com muitos desafios e muita vontade de sair correndo e largar tudo porém ela não podia "não era nada, não tinha ninguém" ao mesmo tempo pensava "tá vendo, sou ruim mesmo". Sim aqueles pensamentos destrutivos continuavam lá em algum lugar.

Depois de algumas vivências e algumas decepções amorosas entrou na faculdade e logo em seguida começou a fazer psicoterapia.

Outro novo mundo se abriu para aquela garotinha que agora já era uma mulher. Se conhecer é fundamental, saber quem você é, do que gosta, o que acredita, é poder fazer escolhas mais conscientes.

Bons anos depois eis que aquela mulher consegue olhar o mundo com mais otimismo, com alguma expectativa e ai entra em um terreno argiloso: expectativa.

Passou a ser "positiva" demais, "vai dar tudo certo", "tudo é lindo", "as pessoas são maravilhosas" e se cegou de um jeito que doeu na alma quando se deu conta que esse caminho também não é o melhor porque as pessoas erram e nunca jamais conseguirão atender nossas expectativas.

Ela se isolou. Cansou de sofrer. Cansou de levar porrada. Cansou de ouvir não, não, não.

Nesse meio tempo fez muita coisa errada também, sem nem perceber, magoou algumas pessoas com falas inadequadas, se magoou, se envolveu com pessoas que não lhe acrescentaram nada, sofreu e fez sofrer.

Se sentiu novamente horrível, ruim, má.

Parou. Respirou. Tentou encontrar um pouco de paz. Ser menos cruel com ela e com o mundo.

Agora está envolvida com outro grupo de pessoas, em outra cidade, longe dos seus apesar do contato a miúdo mas está tentando trilhar novos caminhos.

Escuta com frequência "o mundo é bom", "ninguém é tão ruim que não pode ser bom", "você é uma boa pessoa, ótima profissional" e muitas ou quase todas as vezes ela não sabe como lidar com tudo isso.

Não acredita mais que todo mundo é bom, nem ela sabe mais se há algo de bom nela, mas continua tentando porque desistir nunca foi uma opção para essa mulher.

* E eu continuo torcendo para que ela se de uma chance e seja feliz, por ela.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

2016, o ano

Não quero reclamar de nada não, foi mais um ano como todos os outros com coisas boas e não tão boas.

Na verdade eu só quero agradecer com um belo "muito obrigada" nada de gratidão, a nova palavra da moda. não gosto de moda então muito obrigada ano.

Claro que olhando no geral foi um ano bosta, para falar a verdade e usar a palavra certa, mas olhando aqui pro umbigo, pra nossa vidinha de três foi um ano em que eu e Paulo estivemos empregados (e espero que continue assim), Nicolas redescobriu o prazer em ir para a escola -graças a querida profe Laura, já agradeci milhões de vezes- e eu estou mais tranquila do que nunca. Pra que reclamar.

Continuamos morando em um apartamento pequeno, não tem problema.
Continuamos sem carro, não tem problema.
Continuamos de cabeça erguida, graças a Deus.
Continuamos acreditando no simples, no amor, no outro e na vida e não tem problema também.
Continuamos com poucas panelas e não viajamos nada,  faz parte dos planos - é preciso sacrificar aqui para colher lá na frente e isso sabemos fazer sem problema nenhum.

Crise existe? Claro que existe principalmente a financeira. Porém como vivemos isso desde 2008 acho que aprendemos na raça.

Nem por isso deixamos de fazer coisas. 

Antes de vir morar em Curitiba eu tinha vindo cá somente uma vez, de visita. Fui levada aos principais pontos turístico e pronto. Foi ótimo mas eu queria mais. Então desde que viemos para morar tenho uma listinha de lugares que quero muito ir e esse ano consegui ir em dois dos lugares da lista:

(Teatro Paiol, que é uauuu!!!)

(Teatro Guaíra, que lugar lindo! Que emoção foi estar dentro desse teatro e ver uma apresentação de balet.)

Não posso reclamar de 2016 porque senão estaria sendo muito injusta.

Na minha lista ainda consta:
* ir a um show na Ópera de Arame (estou de olho na agenda).
* ir a uma apresentação na Capela Santa Maria.
* continuar indo ao MON que é maravilhoso e de fácil acesso.

E que venha 2017 com muitos sonhos, desejos e realizações.

domingo, 4 de dezembro de 2016

As datas!

11 de setembro completamos três anos que chegamos em Curitiba ou eu poderia dizer que voltamos de Londres, dá na mesma.

13 de outubro Nicolas completou nove anos. E quero falar desse dia em especial.

Não fizemos festa como algumas que ele foi esse ano. Comemoramos na escola conforme a data combinada e foi uma comemoração conjunta pois uma amiga da sala dele também faz aniversário no dia 13. Foi ótimo ele adorou.
Mas no dia 13 de outubro teve campeonato de futsal, o time do Colégio ganhou, ele jogou bem, se esforçou mas não marcou gol mesmo assim estava feliz. No final do jogo após os jogadores se cumprimentarem o professor puxou um "Parabéns pra você" para o Nicolas e a quadra inteira cantou junto.

Meu Deus do céu, não sei explicar a emoção que sentimos. 

Ele estava radiante e correu para perto de mim, que estava na arquibancada organizando as coisas pois ele me pediu para levar um bolo para dividir  com os amigos do futsal.

Fomos embora muito felizes e a noite antes de dormir ele agradeceu pelo dia bom que ele teve. Fiquei pensando - coisa que sempre faço muito, talvez até demais - que provavelmente morando em Londres a chance de ter acontecido com ele o que aconteceu seria nenhuma. O carinho, a  consideração, o olho no olho, os abraços apertados são muito coisa do brasileiro. E tudo isso tem me ajudado a deixar o sofrimento de lado (de não estar mais lá) e aproveitar o momento presente.

Que coisa boa.


Depois de tanto tempo tenho muito para escrever mas queria começar contando algo bom e que foi significativo para nós porque de notícias ruins estamos todos saturados já.


sábado, 3 de setembro de 2016

Ah o tempo!

Mudaram as estações...
e tudo mudou.

Nunca passei tanto tempo sem blogar mas tudo mudou e muito.

Tem dias que paro e penso como era a vida há alguns anos.

Lembro dos meu tempos de solteira, que eu trabalhava das 7h as 18h30, saía correndo, comia no caminho algo rápido enquanto dirigia e ia para a faculdade, voltava para casa só as 23h30 para começar tudo de novo no outro dia as 6h da matina (sou do tempo que falava matina para manhã/ madrugada).

Sábado, além de ter que trabalhar quase sempre, tinha ainda trabalho para fazer ou estágios. Normalmente só depois das 16h que eu estava liberada e ai dava uma mão em casa na limpeza ou ia ao mercado, açougue e essas coisas toda da casa mas era uma mão, não era tudo responsabilidade minha.

Tinha final de semana que nem vontade de sair eu tinha, na verdade eu só queria dormir. 
  
E hoje o que mudou? Tudo.

A responsabilidade, meu comportamento que é exemplo, o ser adulto que tem que ser adulto e ponto. Não dá mais para dar uma mão na casa, a responsabilidade é nossa.

Hoje saio de casa as 8h45 e volto as 20h e a vida continua, é preparar a janta, botar roupa para lavar, adiantar o almoço, acompanhar a tarefa do Nicolas, olhar a agenda dele, preparar a mochila, dar um pouco de atenção, jantamos juntos e coloco ele para dormir. E ai o dia ainda não acabou vou ainda ler um pouco, trago trabalho para casa todos os dias, tomo banho e lá pelas 23h30 vou dormir. No outro dia as 6h/ 6h30 estou de pé novamente, as vezes vou ao sacolão ou ao mercado ou ainda passo no banco antes de ir trabalhar.

Ufa, que canseira.

Já sinto a idade chegando, sinto que não tenho mais o ritmo que tinha, que o peso da mochila pesa não somente nos ombros mas na alma.

Ao mesmo tempo me surpreendo por estar aguentando tudo tão bem, não tenho adoecido, não tenho chorado mais diariamente pela falta do meu pai, nem tenho vontade de largar tudo e sair correndo.

Mas tive que priorizar e infelizmente não consegui mais sentar uma hora ou mais para escrever aqui. Quando consigo volto e releio um post antigo, leio os comentários, passo nos blogues que gosto e ai o tempo passou e não escrevi. Estou tentando não sofrer por isso.

O que me deixa feliz é ver o Nicolas bem e feliz.
O meu trabalho me motiva, me desafia e tem me mostrado o quanto sou capaz. 
To feliz apesar de cansada e como disse minha diretora "você tem que ficar atenta pois sua tendência é sempre se apegar ao negativo e nem ver o positivo".

Quero voltar, quero e vou, só não sei quando ainda.

sábado, 25 de junho de 2016

Olá Central do Textão.

Fui muito resistente para aderir a "moda" do Facebook.  Não queria mas de repente apareceu uma oportunidade de emprego e o único contato com a pessoa era através do facebook (que droga, pensei na hora mas como é que alguém não tem um endereço de email pelo menos para eu mandar meu CV (ponto de interrogação aqui pois meu teclado está desconfigurado, desculpa) sim ela tinha um email porém não queria passar para ninguém. 

Fiz minha conta, entrei em contato com a pessoa e não consegui o emprego. Eu não tinha nada a ver com o perfil da vaga. Continuei por lá - no facebook - sem entender direito como aquilo tudo funcionava. 

Rever amigos foi legal, encontrar colegas de tempos distantes também foi bom. Só que de repente o facebook começou a fazer propagandas e para piorar chegou a época de eleições de alguma coisa que eu nem lembro mais e ai as pessoas começaram a mostrar um lado delas, que nós sabemos que existe mas, que está lá guardado em alguma gaveta e não tão escancarado como era exposto no facebook. Para mim bastou. 

Eu que já não me identificava com tudo aqui perdi a vontade completamente. 

Sinto falta de conversar com algumas pessoas, saber como estão é claro, não nego; ver algumas fotos mas "ser obrigada" a ver fotos ou vídeos que apareciam do nada na minha TL me fez entrar cada vez menos no facebook e tcharam, perdi a vontade de vez. Faz meses que não entro e estou aqui, bem e vivona. Aliás acho que "nao gastar tanto tempo" com o facebook está me fazendo tão bem. Aquele ambiente me consumia; mesmo que fosse meia hora por dia, que nunca era. Meu trabalho tem exigido mais de mim e prioridade são prioridades. Fim.

O que eu nunca consegui abrir mão foi desse cantinho aqui que fez dez anos esse ano. 

Adoro blogs, adoro ler, adoro acompanhar as escritas das pessoas. Quase nunca elas acontecem no calor das emoções então são um pouco mais pensadas e muitas vezes revisadas, com isso leio o que quero e quando quero. Ninguém é obrigado a nada.

Senhorita Fodástica Tina querida organizou a Central do Textão que é um local com indicação de vários blogs. Sabe aqueles textos bons do facebook que se perdiam (interrogação, de novo) então agora eles podem estar nos blogs e nós acharemos. Não seremos obrigados a entrar na rede social XYZ e engolir goela abaixo o que não queremos.

Demorei para conseguir escrever esse texto mas saiu e agora declaro oficialmente pertencente a Central do Textão. Passa lá e encontraras textos com os assuntos muitos variados e a esperança de que os blogs tenham vida longa.

Viva os blogs.  


Para vocês sentirem um gostinho da qualidade dos textos da Central indico um para começar Ah o orkut (o título não é esse, eu que criei, desculpa autor).

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Irmão

O que é um irmão?
 
É aquele ser humano que aparece do nada e tira seu lugar no reinado.
 
(insistem em dizer que você é um rei ou uma rainha/ princesinha qualquer coisa do tipo e quando aparece aquele bebê fofo e todos só tem olhos para ele, você percebe que perdeu tudo.)
 
Ele é fofo, lindo, querido.
 
Tão foto que dá vontade de apertar e apertar muito quase esmagar o coitado. Claro que ninguém deixa você esmagar o coitado até porque ele é muito pequeno, frágil e indefeso e todos precisam cuidar dele.
 
Agora você? Se vira, você JÁ é grande.
 
O bebê cresce, ganha dentes, aprende a andar, falar e de repente se transforma em uma criança. Perde um pouco seu encanto, parece que fica mais simpático e como num passe de mágica vira um amigo também.
 
Tá eu sei, eu sei que as coisas não são tão assim mas podem ser também.
 
O que eu sei de verdade é que irmão é alguém que Deus escolheu a dedo para você chamar de seu, tem tudo de bom e algumas coisas não tão boas - como todo mundo - e que se puder te ajudar vai te ajudar, se puder te abraçar forte até estalar todos os seus ossos vai te abraçar e se precisar brigar com o mundo para te defender, vai brigar.
 
Ser irmã mais velha não é fácil mas é delicioso ao mesmo tempo.
 
Esse final de semana, apesar da correria da minha vida, de estar pintando um quarto de um apartamento minúsculo e ainda ir trabalhar sábado, ficamos juntinhos do meu irmão que viajou desde São Paulo até Curitiba, sozinho, de carro e não mediu esforços para ficar quase dois dias conosco.
 
Sentou no chão, brincou de Lego, ouviu histórias e mais histórias, almoçamos juntos, nos abraçamos e na hora de ir embora sempre um cisco insiste em entrar nos nossos olhos.
 
Ah como eu gostaria de tê-lo mais perto, tão perto quanto ele está no meu pensamento e no meu coração.
 
Como foi bom apesar de rápido. E quando foi que aquele bebê fofo, bochechudo e super desejado cresceu tanto e se tornou esse homem barbudo, de sorrido largo e olhar sincero? Quando? Como?
 
Tempo não escape das minhas mãos não, cadê ele? Já foi.
 

(É tanto sorriso que quase não cabe na foto.)

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A chatinha

Londres, novembro de 2004.
 
Tudo parecia estranho naquela cidade. O clima, a comida, as pessoas. Tudo estranho demais para mim.
 
Entre tantas coisas o que mais me chamou a atenção era o movimento no ônibus. Não digo o movimento do ônibus mas no ônibus.
 
As pessoas comiam no ônibus: imaginem o cheiro de comida apimentada mais comida frita mais o cheiro do café;
 
as pessoas se maquiavam no ônibus: que habilidade passar delineador com o ônibus em movimento. uma vez em um percurso de 40 minutos a mocinha se maquiou, colocou cílios postiços e arrumou o cabelo. fiquei extasiada olhando;
 
muitas pessoas liam no ônibus e liam de tudo independente de estarem sentadas ou em pé;
 
as pessoas dormiam;
 
os cachorros entravam também era uma festa;
 
e os carrinhos de compra, várias pessoas com carrinhos de compra no ônibus;
 
fora as mudanças muitas delas, com tudo.
 
Era uma loucura e engraçado ao mesmo tempo.
 
Eu, paulista metida a besta*, comecei a ficar horrorizada ao ver as pessoas com as compras. Sem nenhuma preocupação com o outro. Ela estava fazendo a compra da semana ou do mês, não sei (não conheci ninguém que fazia compra do mês, nem os ingleses) e como era muita coisa ou morava longe precisava pegar o ônibus.
 
Achava um absurdo as pessoas carregando os pacotes de papel higiênico sem nenhuma preocupação.
 
Lembra que eu falei que era metida a besta então para mim aquilo era um terror, onde já se viu.
 
Mas todas essa minha abestalhaçao não durou dois meses. Nós também pegávamos ônibus algumas vezes para voltar com a compra do mercado pois estava pesado ou chovendo e carregar o pacote de papel higiênico passou a ser algo natural como era para todas aquelas pessoas. Até porque todo mundo precisa de papel higiênico uma hora ou outra.
 
Passado alguns anos um dia eu estava voltando do mercado e um grupo de três ou quatro pessoas ficaram me olhando com cara de surpresa. Provavelmente a mesma cara que eu fazia logo que cheguei na cidade e ai eu pensei: "que foi tu não usa papel não ou tá limpando o fiofó com sabugo de milho, tá podendo em". Porque meus amigos o milho na terra da rainha era caro prá dedeu.


(Esse era o papel higiênico que nós usávamos; ás vezes até dessas pequenas coisas eu tenho saudade.)

* paulista metida a besta: porque eu era assim mesmo, fresquinha. ainda bem que melhorei, ainda bem que nós amadurecemos, mudamos senão eu não tinha dado conta não.
 
Nem sei porque deu vontade de deixar registrado essa história aqui talvez seja porque o preço das coisas aqui na terra brasilis está uma carestia como diz minha avó. Ela disse que meu biso sempre falou: "presta atenção que os fins dos tempos estão chegando e você saberá quando será. quando você levar um carinho de dinheiro a venda e voltar com uma sacola de mercadoria. hoje levamos uma sacola de dinheiro e voltamos com um carinho mas isso ainda vai mudar". Biso querido já mudou faz tempo.

domingo, 17 de abril de 2016

Ser professor hoje.

Mais uma semana de muitas reflexões, de momentos tensos e intensos e hoje parei várias vezes durante o dia refletindo sobre essa semana.
 
Lembrei do que eu vivi na escola, do que meu filho tem vivido e o que meus alunos estão vivendo.
 
Lembrei das minhas vivências nas escolas inglesas; no quanto nós brasileiros (ainda) somos maternais com as crianças e isso é cultural pois, muitas vezes, não adianta a escola incentivar a independência e em casa fazerem tudo por ela.
 
Fiquei martelando sobre o respeito ao próximo, aos mais velhos, o papel do professor em um ambiente onde cada um acredita que manda mais, a luta árdua e diária que muitas vezes parece não fazer sentindo nenhum e no meio disso tudo, meio sem querer, assistir um vídeo do Gustavo Reis muito bom.
 
"No Brasil a gente tem que ser socialmente resistente se quer ser professor". Gustavo Reis.
 
Te convido a assistir esse vídeo de 15 minutos, eu passei dos 10 segundos, eu passei dos 10 anos de sala de aula e continuo resistindo em não perder a minha essência, em não desistir da profissão professor.
 
 
Espero que gostem.
 
Por que eu demorei tanto para voltar a postar, talvez você esteja se perguntando?
Não foi por nada especial não somente o tempo tem sido curto e eu preciso dormir algumas horas por noite ainda; nem conseguir ler meus livros eu tenho conseguido, infelizmente.

domingo, 20 de março de 2016

Algumas fotos

Adoro fotos, imagens, coisas lindas, as não tão lindas e as reflexivas.
 
Essa semana, para minha surpresa, não consegui postar uma única foto no Instagram. Não sei o motivo, não sei se é meu telefone, o aplicativo ou se "tomei um gancho" (se você não conhece essa expressão isso denúncia sua idade mas tudo bem lhe digo, quer dizer que tomei/ ganhei uma suspensão, fui suspensa, proibida de fazer algo por um tempo).
 
Essa semana foi difícil, pesada e cansativa por conta dos ânimos alterados ou melhor exaltados; muito ódio explicito a flor da pele e como diz uma amiga minha "ás vezes tenho a impressão que o brasileiro é o único cidadão no mundo que está dentro de um avião e torcendo para o piloto derrubá-lo". É uma comparação horrível mas muitas vezes é essa sensação que eu tenho também.
 
Ouvi, sem querer, de segunda a sexta uma criança de seis (6) anos gritando a pleno pulmões "Fora Dilma" como se aquilo fosse a coisa mais linda do mundo, convivi com crianças muito mais agitadas que o normal inclusive com comportamentos mais agressivos (chutando, batendo, apontando dedos), vários pessoas do meu trabalho adoeceram (o corpo reflete o que a mente sente), o pais vivendo esse momento tenso e instável -politicamente falando- não entrarei nesse assunto porém acredito que reflete em nossa vida. Alguns sentem mais intensamente do que outros mas que reflete isso reflete.
 
Com tudo isso me calei e claro que minha garganta está arranhando, minha cabeça dói mas não quero e não vou entrar nessa onda de ódio. Quero tentar ficar com o lado bom, o lado inocente das crianças.
 
"Você está se alienando de tudo, se isentando, sua louca" ouvi isso e fiz cara de paisagem, to aprendendo a duras penas mas estou.
 
 
Que os anjos existem eu não tenho dúvidas agora como eles são está é a grande questão.
 
Esse quadro está em um local que vou com uma certa frequência e adoro ficar admirando-o por um tempo.
 

sábado, 12 de março de 2016

Comigo mesma.

Dez e meia da noite de um sábado qualquer e depois de dar mais um beijo, boa noite e apagar a luz do quarto do meu filho, volto para a sala e sento na frente do computador. Ouço os carros na rua, levanto coloco água para ferver e penso no meu dia.
 
Acordei cedo, tomei banho, fui a padaria. Voltei, tomamos café e sai para trabalhar. Almoçamos juntos, passou a tarde e a noite chegou. Aconteceu tanto coisa e agora estou sozinha.
 
Demorou, foi sofrido mas hoje ou melhor já faz algum tempo que esses momentos "comigo mesma" tem sido muito bons. Foram anos de psicoterapia com alguns exercícios práticos como ir ao cinema sozinha no meio da tarde durante minhas férias ou ir a um museu e aproveitar minha companhia. Chorei, sofri e depois percebi que era bom ou melhor que é bom.
 
O Paulo está trabalhando. Trabalhar em hotel é por escala e não tem feriado, dia santo, Natal, ano novo,  aniversário nada... tem que seguir a escala e pronto. Sabíamos disso e encaramos.
 
Tenho trabalhado bastante também; esse já é o terceiro sábado esse ano desde primeiro de fevereiro mas sempre soube também, escola é assim e pronto. Não reclamo, não brigo e não me revolto. Tento me organizar ao máximo para as coisas não embolarem.
 
Agora já deveria estar dormindo mas só deito depois de terminar esse post e deixar a pia vazia. Acordei as seis e amanhã talvez consiga acordar a sete, se tiver um pouco de sorte.
 
Conseguir conviver comigo mesma só me trouxe benefícios. Hoje vejo que não tinha nada pior para mim do que ser dependente do outro, colocar nas mãos de outra pessoa a minha vida e dizer: toma, cuida, me leva para lá ou para cá, deixar de ter vontade própria.
 
Adoro ter companhia mas minha própria companhia também é muito boa. Observo mais, ouço mais e consigo olhar o mundo que me cerca com outros olhos.
 
A vida tem seus desafios porém muitos prazeres também basta sabermos olhar ou direcionar nosso olhar.
 
Para onde você está olhando?
 
 
 
* escrevi a palavra também não sei quantas vezes, vai ficar assim tá?
 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Tem criança lendo, conhece esse movimento?

Um grupo de pessoas interessadas e apaixonadas por literatura infantil se juntaram para divulgar e estimular cada um de nós a lermos mais para nossas crianças. Nossas crianças entenda como as crianças que temos contato e convivemos que pode ser nossos filhos, os sobrinhos, afilhados, netos, filhos dos vizinhos, filhos dos amigos.... Crianças.                            
A cada mês um tema e proposto e esse mês com a volta as aulas o tema foi livros que serão utilizados ou que foram pedidos para serem usados na escola.

Eu fiquei surpresa com os títulos pedido pela escola do Ni mas sei que ele tem capacidade, dará conta e as mediações auxiliarão muito na compreensão do conteúdo pois alguns são bem densos, por assim dizer.
 
E a lista de livros pedidos para um grupo de 3o. ano foi:
* O pequeno vampiro
* A fantástica fábrica de chocolate
* A ilha perdida
* Mitos gregos
 
Ainda faltam os títulos do 3o. trimestre que será pedido em breve.
 
Confesso que adorei todos e acho que eles também aproveitarão e muito.
 
Para saber mais sobre a ação "Tem criança lendo" acompanhe pelo IG (Instagram @temcriancalendo ).
 
Essa semana foi tão corrida que sentei para escrever aqui no blog, postei por aqui e ainda não postei no Ig, uma hora eu dou conta de tudo.
 
E você o que está lendo? Para as crianças vocês tem alguma lista especial, um livro semanal escolhido, como acontece esse momento de leitura por ai? 

domingo, 31 de janeiro de 2016

Livro "As Crônicas de Nárnia" (2/52)

Passei boa parte das férias na companhia da Lúcia, da Susana, do Pedro e do Edmundo junto com um (senhor) Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.
 
Que delícia de aventura. Eu, mais uma vez, ainda não assisti o filme mas adorei o livro e agora sim quero assistir o filme.
 
A história é mais ou menos assim: imagina um grupo de crianças que vai passar um tempo na casa de um professor por conta da guerra. Simpatizam com o professor de cara e encontram uma casa antiga histórica com vários locais para explorar. Numa dessas explorações acham um guarda-roupa e ai começa a aventura.
 
Nárnia é um país diferente do nosso em tudo. O que cada um vive e encontra me remete muito ao nosso inconsciente ou com o que cada um tem no coração. Lúcia encontrou um fauno e Edmundo a Feiticeira Branca.
 
Lúcia era a menor das crianças, inocente e bondosa.
 
Edmundo estava com raiva do Pedro tinha um sentimento de vingança muito forte nele.
 
De repente a família de castores,  o Leão Aslam, os animais, a comida, o frio, a primavera.
 
Valeu a pena e fiquei me perguntando por que eu ainda não tinha lido esse livro?
 
Meu filho que me viu com o livro, perguntou sobre o que era e mostrou interesse na história; por fim me pediu para ler para ele: "podemos ler em capítulos né mãe?" e eu disse sim. Aí aproveito para curtir mais um pouco desses momentos de leitura compartilhada e juntinhos já que ele também lê livros sozinhos e algumas vezes nem faz questão da minha companhia.
 
Leitura infanto-juvenil de qualidade, adorei.


 
 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O que faz sentido?

Esse mês o blog completou dez anos!
 
Caramba, 10 anos é tempo pra caramba e ai como vai ser daqui em diante?
 
Não sei, não sei que rumo o blog vai tomar, se vai continuar existindo e como. Me dá um aperto no peito danado em pensar tudo isso pois adoro rever e reler as postagens antigas.
 
A pergunta que mais martela na minha cabeça é: ainda faz sentido ter o blog?
 
Com tantas outras mídias existem, quem ainda lê blog, quem ainda se interessa pelo outro de verdade, quem ainda se importa?
 
São muitas perguntas e aí eu paro e lembro de mim que adoro ler, adoro ler blogs mesmo que comente menos do que antes mas ainda visito, me interesso. Alias gosto muito mais de blogs do que de vídeos ou áudios. Ouço um ou outro vídeo enquanto faço algo em casa mas parar para ver vídeo é algo que não me conquistou, com raras exceções.
 
Continuo escrevendo ainda, pouco mas continuo, pensando no registro. Penso no quanto talvez (ou não) o Nicolas irá gostar de ler e saber mais sobre a infância dele, penso também que se um dia minha memória falhar acho que vou gostar de ouvir meus escritos porque se eu não enxergar alguém poderá ler para mim. Penso em tantas coisas.
 
Me pego pensando também nas pessoas que vem até aqui só para saber da minha vida, bisbilhotar mesmo, pra que isso me conta rsrs? Eu dou risada porque é tão ridículo que chega a ser engraçado.
 
Não entendo quem torce para ver o outro mal principalmente quando o outro não fez nada para você.
 
Empatia hoje é algo tão em falta que não conseguimos nos colocar no lugar do outro e tentar imaginar o que ele está passando; e logo depois torcer para tudo ficar bem ou mandar pensamentos positivos, fazer uma oração. Ao contrario vejo muita gente torcendo para que a coisa só piore e isso me dá uma gastura, me faz tão mal.
 
Quem me acompanha por aqui sabe um fragmento bem pequeno da minha vida, uma foto representa um momento não a situação em si. O IG da Miko me chamou a atenção por essa foto quando ela escreveu sobre isso que eu comentei agora, está em inglês.
 
Então escrevi, escrevi e não escrevi nada. Queria me comprometer a escrever no mínimo uma vez por semana mais o registro do livro semanal, veremos.
 
Para mim viver sempre fez sentido mesmo com todos os desafios, a alegria dos pequenos momentos vale muito a pena e registrar tudo isso me faz bem.
 
Quem bloga ainda faz sentido?
 
 
(E se um dia nada mais fizer sentido olhe para cima sempre há algo para admirar.)
 
 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Livro: "Meu pé de laranja lima" (1/ 52)

Não fiz lista do que quero fazer esse ano mas quero tentar fazer algo que não faço faz tempo ou ainda não consegui fazer: ler um livro por semana. Enquanto não volto a trabalhar sei que consigo mas depois a coisa complica um pouco, a correria do dia-a-dia, os compromissos que não podem esperar e quem acaba esperando é o livro da vez.

Tentarei novamente esse feito. Ano passado queria muito ler, no mínimo, doze escritoras brasileiras consegui a metade e foi uma experiência muito boa, adorei e tentarei repetir o feito de ler mais mulheres. É bom e me fez bem.

O primeiro livro do ano li em quatro dias e que livro. Já tinha visto propaganda na tv do filme mas não queria assisti-lo antes de ler o livro.

Conforme fui lendo foi me dando um aperto no peito ao mesmo tempo que pensei em varias pessoas que eu adoraria presentear com essa obra.

Lembrei de todos os ''Zezés'' que eu conheço, de como eles tem algumas características em comum e o que mais me tocou mesmo foi o poder do cuidado, do carinho, do amor.

Parece meio batido porém a  realidade que ele retrata nos faz lembrar que nem toda criança é querida e/ou amada, muita gente ainda consegue usar de meios violentos para se relacionar com uma criança demonstrando todo seu poder e seu ódio ao mesmo tempo, a inocência e delicia da infância. Quanta coisa para pensar, quanta coisa para fazer.

Não sei como meu filho irá reagir a leitura desse livro, não sei. Confio nas professoras e nas coordenadoras e tenho certeza que encaminharão da melhor maneira possível mas que é uma realidade totalmente diferente da que ele conhece, isso é.

Comecei com a lista dos livros que foram indicados para o Nicolas na escola porque quero saber do que se trata os que eu não conheço e logo depois tentarei seguir os títulos da minha lista interminável.
 
 


Livro: "O meu pé de laranja lima"
Autor: Jose Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos
 
{O primeiro livro é de 1972 e o segundo é de 2012. Quarenta anos separam as duas edições. Os brinquedos são do meu filho que me ajudou a tirar essa foto.} 
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