Tenho uma lista com títulos de livros que quero muito ler esse ano. Alguns já consegui, outros ainda não mas continuam na lista.
E na lista estava o livro "A chave da casa". E na biblioteca tinha o livro disponível. E eu peguei emprestado. E li. E gostei. E chorei.
Foi uma leitura de supetão. Li em três dias. Me perdi, voltei umas páginas. Me achei. Forte. Triste. Instigante. Gostoso.
A resenha diz o seguinte: "Neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, a narradora recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição (tal como os pais fugiram para Lisboa, anos mais tarde e por motivos diferentes)."
É uma história com outras histórias no meio, meio intercalado; precisa prestar muita atenção para não se perder. É libertador em determinado momento e gostoso ver a personagem principal resgatando sonhos e lembranças.
Não achei que iria escrever sobre esse livro. Mexeu muito comigo. Mas respirei fundo e aqui estou comentando sobre ele.
Li esse livro em fevereiro e estou tentando cumprir meu desafio (pessoal) literário de ler no mínimo doze livros de autores brasileiros em 2015. Espero conseguir.
Era o primeiro ano dele na escola além de tudo ser novo ele achava tudo um pouco fácil.
A mãe dizia que era porque era novidade, para ter mais paciência que logo a coisa deslanchava.
Um dia a lição de casa chegou pronta e a mãe perguntou o que aconteceu:
- Acabei a lição da sala e fiz a lição de casa, não tinha nada para fazer.
A mãe correu e deu uma ideia "leve aquele caderno que temos aqui ainda tem umas folhas e você pode desenhar, escrever ou fazer o que quiser quando acabar a atividade antes dos amigos".
Ele gostou da ideia. A mãe -que não era nada boba- a noite quando foi arrumar a mochila para o dia seguinte colocou uns gibis lá,assim ele teria mais opção do que fazer.
E o que aconteceu? Alguns dias depois ele chegou em casa com um livro emprestado do Davi e foi escolher um para emprestar para o Davi. Depois disso vieram outros livros, outros empréstimos além dos livros, revistas, gibis, mais crianças entraram na roda e algo que poderia ter sido promovido pela escola aconteceu entre amigos.
Uma deliciosa roda de leitura sem a intervenção dos adultos. Crianças trocando e emprestando livros e materiais impressos de interesse deles.
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Essa história é real e aconteceu na sala do meu filho no ano passado (2014) quando ele começou no 1o. ano do Ensino Fundamental. Continua até hoje. Eles trocam livros, se divertem, aprendem e tem momentos felizes.
Alguns pais vieram me pedir dicas de livros para a faixa etária deles e os comentários sobre essas trocas são muito positivos.
Participo com alegria, empolgação e muito amor. Só não entendo porque a escola não promove esse tipo de atividade para todos. É preciso flexibilidade no currículo escolar para ter espaço e alimentar os interesses dos alunos senão a educação formal fica tão sem sentido.
E o que eu sempre digo para os pais: incentivem seus livros, leitura nunca é demais.
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Quero muito voltar a trabalhar e possibilitar esses momentos para mais crianças. Quero mesmo.
Curitiba da minha janela as 6h quando começa meu dia.
Curitiba da minha janela as 18h quando tudo começa a se acalmar por aqui.
Muita coisa acontece entre essas duas fotos mas as 18h começamos a rotina da noite: banho, janta, escovar os dentes, ler/ouvir histórias, oração e dormir. Algumas vezes eu durmo junto e não consigo levantar para continuar meu dia mas no geral eu levanto as 20h30/ 21h e vou até as 23h30.
A beleza do céu me encanta, no início ou no fim do dia e tentamos contemplá-lo sempre que possível.
Essa é a pergunta que eu mais escuto dos amigos que estão longe. Muitos dizem que só ouvem/leem notícias ruins. "As coisas que chegam por aqui não são nada boas".
Imagino que não sejam mesmo mas tem coisas boas acontecendo sim; o que eu acho que mais pesa nessa "decisão" de o que e como transmitir o assunto é a nossa visão.
E eu tenho a sensação que nós brasileiros - me incluindo aí também - sofremos da síndrome de "vira-lata":
*nos sentimos os piores do mundo: o que não é verdade, tem lugar muito pior do que o Brasil;
* todo e qualquer lugar, principalmente se for nos Estados Unidos ou na Europa, tudo é melhor do que no Brasil:
* aqui só acontece desgraça como em nenhum lugar do mundo acontece: nosso lado dramático é super valorizado (contém ironia);
* nada funciona, não fazemos nada de bom, não produzimos nada... só falta dizerem "somos a escória do mundo";
* tudo isso porque somos de um país de terceiro mundo: como se só nós fossemos do terceiro mundo.
Entre tantas outras coisas.
O que mais me deixa triste é perceber que tem muita gente que "parece" que torce para nada no Brasil dá certo e consequentemente não consegue enxergar e muito menos valorizar o que o Brasil tem de bom.
Problemas tem? Muitos. Como em todo lugar do mundo.
Já disse uma vez e repito: não existe lugar perfeito, como não existe pessoas perfeitas.
Tudo depende de como enxergamos a porra do copo meio cheio ou meio vazio.
Podemos nos cegar piamente e achar tudo lindo maravilhoso ou nos cegar piamente também e achar tudo ruim horroroso ou ainda tentar ver o que tem de bom sem negar o que não funciona tão bem.
É uma questão de escolha e de querer viver bem com o que tem de bom ou viver amargurado reclamando e jogando a culpa no que não funciona.
Dois "causos" curtos:
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Existe um SUS que funciona (publiquei isso no facebook por isso trago para cá)
Levamos o Nicolas em uma consulta com o dentista no Posto de Saúde e o atendimento foi exatamente igual ao atendimento de um consultório particular: uma dentista e uma assistente, tudo descartável, limpo e organizado.
Fomos no posto porque queríamos saber como é o serviço, porque não estou trabalhando e já tínhamos ouvido falar bem dos atendimentos dentário.
O que achávamos que era uma cárie não é então ele está com sete (7) anos e meio e nenhuma cárie ainda (obrigada alimentação saudável, obrigada pais chatos, obrigada organismo dele que colaborou); elas fizeram uma limpeza e a aplicação de flúor.
Antes de sairmos por ai só reclamando que nada é bom no Brasil, nada presta, tudo é ruim; vamos viver e tentar ser mais positivos, por favor.
(Eu já tinha ido ao posto antes tentar pedir um remédio de uso contínuo que ele toma para um problema no estômago e não consegui. A pediatra disse também que ele precisava passar com um pneumo só que vaga para consulta - como o caso não é urgente - só daqui 3 anos. Na hora fiquei triste mas lembrei que quando o Nicolas era pequeno demorou 2 anos para conseguirmos uma vaga com um dermatologista lá em Londres: onde muita gente acha que é o lugar perfeito. Desculpa galera mas não existe lugares perfeitos assim como não existe pessoas perfeitas. Tudo e todos tem seu lado bom e seu lado não tão bom).
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Existem escolas públicas de qualidade onde a comunidade escolar participa, cobra e colabora. Mas isso fica para outro dia.
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Se tiver um tempinho ainda leia essepost de um jovem inglês que em seis meses vivendo no Brasil percebeu o que muito brasileiro não percebe ou não quer ver durante uma vida inteira.
Meu pai com 26 anos (nov. 1959). Se hoje estivesse vivo completaria 82 anos. Que saudade. {como ele era lindo quando jovem. essa foto eu encontrei na Espanha na casa do meu tio, foi a primeira foto que meu pai mandou para a família depois que chegou no Brasil}.
Confesso que hoje não estou triste, ele me fez tão feliz mas sinto saudade e muita.
Amizade virtual existe? Tem cheiro, cor, é de comer, tem começo-meio e fim e etc, etc, etc?
A Ana Paula nos convidou para falar sobre esse tema e como faz tempo que eu não participo de uma BC (blogagem coletiva) vou tentar colocar em palavras o que eu sinto.
Falei tentar porque tem coisa que e´muito difícil fazer usando somente palavras.
Tem amigos que eu gostaria de olhar nos olhos novamente, dar um abraço, ouvir a voz, pegar na mão, comer a comida que ele prepara, ouvir as histórias sem fim e sem pé nem cabeça, rir juntos entre tantas outras coisas.
Existe amizade virtual? Acredito que sim mas ela tem uma "configuração" (ou um acordo/ contrato) diferente das amizades "reais".
Coloco reais entre aspas porque a amizade virtual também é real só que é diferente e como não encontrei outra palavra para distinguir virtual e real, fica essa mesma.
Acho que a maior diferença está na empatia que rola ou não ao conhecer alguém. E com as amizades virtuais essa possibilidade não existe.
Infelizmente nesses anos que ando pelo mundo dos blogs já vi tanta coisa estranha, por assim dizer. Já acompanhei casos de pessoas muito doentes (mental e fisicamente falando) tão doentes a ponto de forjar gravidez, doença de filho, morte de mãe, fazer vaquinha para realizar tratamentos e no final era tudo mentira entre tantas outras coisas não muito agradáveis da qual o ser humano é capaz.
E sabe por que?
Porque por trás de uma tela podemos ser o personagem que quisermos, que bem entendermos, que desejamos e criamos.
Posso ser uma mulher linda, fodástica em tudo que faço, a melhor esposa, uma mãe espetacular e estar sentada sozinha no sofá chorando as pitangas com um pacote de porcaritos em uma mão e um copão de coca na outra e dizer ainda que sou a mais saudável do mundo.
Posso ser um homem escrevendo com a sensibilidade de uma mulher para conquistar muitos amigos e amigas, comentários, visitas na minha página e ganhar direito sem dizer a verdade sobre quem eu sou.
Posso ser tudo e nada.
E como na vida real posso sumir sem deixar rastros, pistas ou nem mesmo dizer tchau.
Posso ser um herói e a vitima também.
Posso ser boazinha ou bem ruim, se assim eu quiser.
Agora na vida real amigão, você pode até tentar ser tudo isso mas um dia a máscara cai. Um dia você é deixado de lado sem nem perceber, um dia você vai pagar as consequências dos seus atos.
Eu adoro olhar as pessoas nos olhos >as amizades virtuais não permitem que esse momento tenha vida< e tem gente que não consegue olhar nos olhos, desvia o olhar. Para mim isso é um sinal de alerta. LUZ VERMELHA, FICA ATENTA.
Não posso negar que o blog permitiu que eu conhecesse muita gente legal, muita mesmo. Pessoas que se despiram da tela e se mostraram como elas realmente são. Sou muito feliz por isso pois foram pessoas que de alguma forma sempre me ajudaram (me ajudaram a pensar sobre mim, em momentos desafiantes, momentos alegres, momentos bem turbulentos na minha vida). Sou muita grata a todas as pessoas que de alguma maneira gostam de mim pelo que eu sou aqui, pelo um "pentelhesimo" do que eu dou de mim nas minhas palavras sem nem me conhecer ao vivo e a cores.
E adoraria conhecer muita gente que eu leio.
A vida tem me proporcionado momentos assim, poucos mas possíveis e eu só agradeço porque é delicioso encontrar a pessoa, olhar nos olhos, ver o sorriso, ouvir a voz. Eu passo a ler o blog de outra forma ouvindo a voz da pessoa a cada linha (sim sou louca pode dizer rsrs viu isso você não sabia de mim).
Sei que hoje tem várias formas de se fazer presente e dizer: oi eu existo mesmo mas nem todos querem. Eu, por exemplo, não gosto de vídeo e não sei se algum dia gravarei um mas é uma saída. Gosto muito dos encontros entre amigos, blogueiros com assuntos em comum ou não pois é uma oportunidade de você ver/ ouvir/ sentir e perceber que aquela pessoa está lá de carne e osso e ultrapassa o que você imaginou; e não estou falando de atribuições físicas não.
Para fechar que esse post está enorme de grande como diz uma amiga minha, eu sinto saudade de alguns amigos que já não estão tão perto, amigos e nem digo se reais ou virtuais somente amigos.
Saímos de casa as pressas e deixei sem querer minha lista com o nome de alguns livros em cima da mesa. Só me dei conta quando já estava lá.
Nem por isso desanimei em tentar lembrar de algum título. Nada. Minha memória não me permitiu. Comecei a olhar as prateleiras cheias de livros, fui visualizando as lombadas, nomes desconhecidos e de repente um me chamou a atenção, a capa me fisgou. Não conhecia o autor e nem tinha ouvido falar do título.
Para minha surpresa foi uma leitura deliciosa daquelas que te prende, te instiga, muito bem escrita, toda amarrada, te convence e só no final o desfecho aparece.
Voltei no tempo relembrando as histórias que vivi em um hospital psiquiátrico durante o ano que fiz estágios para a faculdade. Tudo, absolutamente, tudo retornou: os cheiros, as músicas, as vozes, as experiências, as voltas silenciosas para casa, as supervisões tensas e as vezes desconectadas, as dores - todas elas.
A história de Lívia, Joaquim, Machado se truncam, se misturam, fazem presente. Adorei o livro e quero ler mais livros do autor mesmo sem saber se segue o mesmo estilo.
Diz pra mim se essa capa não é linda♥ ?
"Se ainda assim continuarmos olhando atentamente para o nosso próprio reflexo, acabamos vendo algo parecido com um monstro. Se ainda assim continuarmos olhando mórbida e atentamente para o nosso próprio reflexo, podemos passar para o outro lado e nos tornarmos o monstro que estávamos vendo."(Isso é muito forte e adorei a forma clara como ele colocou!)
"...Não tinha vida social, não tinha amigos, apenas livros, muitos livros. Parecia não incomodar ninguém com sua mania de livros, até que aos poucos a loucura foi se instalando."
Livro: A Filha do Escritor Autor: Gustavo Bernardo Editora: Agir ISBN.: 9788522009718 Mais informações aqui. Li esse livro em fevereiro e estou tentando cumprir meu objetivo literário de ler no mínimo doze livros de autores brasileiros em 2015. Espero conseguir. ********** Sinopse: Uma bela paciente numa clínica de doentes mentais. Um médico acostumado a lidar com as dores físicas e da alma de seus pacientes aos poucos vê que essas também se tornam suas. Seria seu diagnóstico imparcial ou a atração por aquela que se diz filha de Machado de Assis o que influencia? Um romance tocante, no qual um homem vê-se reduzido e enredado entre os limites da doença psiquiátrica e da memória que reconstrói e transforma a realidade.
Quero voltar a escrever de forma regular no blog. Para alcançar esse objetivo pedi ajuda aos amigos e perguntei o que eles gostariam de saber ou o que gostariam que eu escrevesse sobre.
Apareceram duas linhas de perguntas:
1) dos amigos que estão longe;
2) dos amigos que estão no Brasil.
São perguntas distintas mas igualmente interessantes. Aproveito para fazer a pergunta aqui também e pedir ajuda: me ajuda a escrever posts que você gostaria de ler; então o que você gostaria de saber sobre/ de mim?
Só não quero comentar sobre política ou religião do restante fiquem a vontade.
Estou perguntando por aqui também porque tem muita gente que me acompanha há alguns anos, viveu comigo a nossa mudança e acho legal ter essa abertura com todos.
Vou conseguir responder todo mundo? Não sei mas tentarei. Já anotei as perguntas e juntei os assuntos comum, com isso tenho assunto para alguns posts.
Uma pergunta que apareceu mais de uma vez foi: Valeu a pena?
Tudo bem que a pergunta não está muito clara mas respondo de forma simples: valeu muito a pena ter ido embora do Brasil, aprendi, cresci, vivi coisas que provavelmente não viveria se continuasse aqui. AGORA se valeu a pena voltar para o Brasil... Desculpa amigos mas eu não sei ainda. Infelizmente não posso responder muito bem essa pergunta, quem sabe dentro de um ano ou dois conseguirei respondê-la melhor.
A saudade ainda é grande. Muitas vezes me pego perguntando milhões de vezes na minha cabeça: pra que, por que voltamos, p-o-r-q-u-e? Tem coisas que ainda não entendo ou não quero entender. Mas o tempo dirá.
A experiência de morar fora do seu próprio país é algo totalmente subjetivo. Não sei se é possível dizer com toda certeza "vai, que vai ser muito bom". Uma coisa é certa: sair da nossa zona de conforto não é fácil mas depois da fase inicial, do susto, da empolgação é delicioso perceber o quanto você é corajoso, o quanto é possível se adaptar a coisas que nunca imaginamos (frio demais, calor demais, passar sem aquela comida maravilhosa entre tantas outras coisas).
O mais surpreendente é perceber que tem muita coisa legal para viver, descobrir, explorar fora do mundo que nós conhecemos. Fora daquele mundo que nós criamos. Existe pessoas boas em todos os lugares e estar aberta as novas amizades é muito positivo. De repente você se dá conta que está construindo uma nova família, uma família que você escolheu e que também te acolheu. Sinto muito saudade da família de amigos que nós escolhemos e fomos escolhidos por eles e que agora estamos distantes e também dispersos pelo mundo; cada um em um lugar. Então quem quiser perguntar algo fique a vontade. E muito obrigada pela ajuda.
Assim sou definida pelo meu filho e ouço com frequência, para não dizer todos os dias.
Eu sou a chata porque pego no pé,
peço para desligar a tv e ir fazer outra coisa,
proponho outras coisas mas nunca são tão legais,
temos horário para comer, dormir,
fazer a lição de casa é prioridade as outras coisas vem depois
entre tantas outras coisinhas.
Coloco limites algo tão em falta hoje em dia.
Sei que ele me ama e mesmo assim me acha uma chata de galocha.
Sei que essa idade é um desafio e que também é uma fase que vai passar porém tem dia que cansa tanto.
Sei também que um dia ele irá perceber que tudo que fazemos é para seu bem, temos essa esperança.
Tudo isso me faz voltar no tempo e revisitar minha infância que não foi a mais doce da história. Confesso que prefiro ser essa mãe chata do que a mãe indiferente com quem convivi que hoje colhe frutos amargos mas isso é outra história, minha história que acaba refletindo na minha relação com meu filho.
Todos os dias eu peço a Deus força para continuar na caminhada, discernimento para não cair na tentação do caminho mais fácil e muito menos repetir os erros de um passado próximo. Não quero perpetuar situações e lembranças que não deixaram nada de bom.
E assim seguimos nessa caminhada chamada maternidade que aqui é real, nua e crua e sem maquiagem de revista.
Enquanto isso... mesmo eu sendo "a chata" ele não desgruda e eu adoro ele pertinho.
Nesse final de semana fomos apreciar a exposição "Os Tapetes Contadores de Histórias" na Caixa Cultural Curitiba.
Eu ouço/ leio e já "conhecia" os Tapetes de alguns bons anos mas nunca tinha tido a oportunidade de ver, sentir, ouvir e tocar com meus próprios olhos (da alma, da face e dos dedos).
Quando li que eles estariam em Curitiba não pensei duas vezes. O Nicolas ficou com aquela preguiça de não querer sair porque era sábado e estava com cara de chuva e sei lá mais o que; mas eu insisti um pouco porque sabia que seria muito legal e foi. Isso já aconteceu outras vezes, ele não quer ir, faz bico, emburra mas vai e depois que está lá, a coisa tá acontecendo abre um sorrisão e diz que é muito legal e tals. Ou seja conheço meu filho e insisto porque sei que ele vai gostar.
Saímos com a ideia de ver a exposição e a contação de história. Chegamos umas 14h45' vimos um pouco da exposição e as 15h um monitor avisou que os ingressos estavam sendo distribuídos. Garanti o nosso, fomos comer algo e voltamos as 16h.
Foi muito gostoso. Vi crianças (de idades variadas) e adultos atentos e se divertindo. Ouvimos três histórias: duas nos tapetes e uma no livro. A vontade no final era pedir mais e mais. Continuamos na exposição, lendo as histórias e manuseando os personagens nos tapetes.
Sim pode brincar e é bem legal.
Um dos Tapetes Contadores de Histórias.
Uma pequena amostra do que é a contação de histórias em si.
Se você está em Curitiba aproveita pois a exposição vai até dia 31 de maio.
De terça a domingo acontece a exposição e as sessões de contação de histórias são nos sábados e domingos as 16h (retirada dos ingressos as 15).
Para entrar na sala onde estão expostos os tapetes você terá que tirar os sapatos; ir com um sapato que seja fácil de tirar e colocar facilita a vida além de meias limpas, por favor.
Faz um tempinho que o Nicolas tem tido lições de cidadania na prática. Cada vez que visitamos o Parque Gomm ele vê o movimento, toda a energia que tem naquele espaço, corre, brinca, ajuda e sempre pergunta algo:
- De quem é o parque?
- O que é público e o que é privado?
Entre tantas outras questões dele. Vamos respondendo de uma forma que ele entenda, não com falas infantilizadas mas de forma clara e objetiva; explicando que todos os meses pagamos um pouco de impostos que são usados em tais e tais locais, para que serve o IPTU e por ai vai.
Ele, que é um menino observador, segue a vida observando!
Eis que um belo dia do nada, aparentemente, ele disse que queria escrever uma carta para o prefeito pedindo para ele arrumar as calçadas porque eles são muito ruins.
A oportunidade apareceu e ele escreveu uma carta e entregou nas mãos do prefeito de Curitiba - Gustavo Fruet. Não colocarei a foto aqui porque as crianças estão de uniforme e não posso expor ninguém mas vos asseguro que foi um momento emocionante.
Hoje faz uma semana que ele entregou a carta e sinceramente não sei se teremos resposta e muito menos se surtirá algum efeito porém nós (como pais) não poderíamos impedi-lo de fazer o que ele fez, não tínhamos nenhum direito de desencorajá-lo e não pensamos em fazer nada disso em nenhum momento. Foi uma iniciativa dele e demos nosso apoio incondicional.
Uns três dias depois eu ainda estava com a carta na cabeça, pensando o que levou um menino de sete (7) anos a escrevê-la. E aí comecei a juntar algumas coisas e o que ele teve/ tem foi empatia por quem tenta usar as calçadas e não consegue além de adorar correr.
Acredito que três fatores contribuíram para que ele desejasse escrever a carta:
* quase toda semana quando estamos indo para a escola cruzamos no caminho com um senhor em uma cadeira de rodas, ele usa luvas nas mãos e tem uma cadeira que parece ser leve. Ele andar super rápido na rua pois nas calçadas é impossível e já vimos vários carros tirando fina dele. Um perigo. Sem dizer que ele sobe uma rua considerável até chegar em um tubo (também conhecido como ponto de ônibus onde passam os ônibus que andam nas canaletas, é uma via exclusiva deles).
* na volta da escola também encontramos uma menina que aparenta ter uns dez anos, em uma cadeira de rodas sendo empurrada por uma mulher, talvez a mãe ou uma cuidadora, não sei. Ela sempre nos olha com um sorriso nos olhos enquanto a mulher faz um esforço enorme empurrando a cadeira mais pesada que a do senhor; ela intercala entre a calçada e a rua.
* um dia uma mulher com limitações motoras desceu do carro apoiada em uma bengala deu uns poucos passos e caiu, de cara no chão. Eu corri para ajudá-la a levantar e o Nicolas presenciou tudo. A mulher ralou as mãos e o rosto e estava muito incomodada por não conseguir andar direito na calçada que só dificultava ainda mais a vida dela.
Além desses fatores as pedrinhas portuguesas podem ser lindas mas são super escorregadias e em dias de chuva é um perigo só. Nesses dias saímos mais cedo de casa porque vamos mais devagar, muitas vezes tem pedras soltas que enchem de água e nos sujam, uma maravilha.
A sensibilidade do meu filho me surpreendeu. Orgulho desse menino que ainda tão pequeno me ensina tanto.
Muito obrigada por tudo filho.
(Tem erros de português, não corrigi e tentei intervir o menos possível. Auxiliei somente na elaboração de algumas frases questionando-o sobre algo. Produção dele.)
Sinto muita falta de várias coisas de Londres. Algumas são constantes e outras são mais sazonais como agora na Páscoa, ai que saudade de um pãozinho doce que tem por lá que conhecido como "Hot Cross Buns".
Páscoa, em geral, é na Primavera - a estação que eu mais gosto- apesar do marido sofrer muito com a alergia ao pólen mas era também o início de um novo tempo após vários meses de dias frios e cinza. Primavera chega trazendo o sol, as flores, os dias mais longos, mais dias fora de casa, no parque. Tudo tão gostoso. E esse pãozinho da Páscoa vem como que para coroar. Já que não os encontro por aqui tentarei um dia fazê-los, sei que não ficará igual, nem terá o mesmo sabor mas tentarei. Receita aqui.
Aí se juntar a Páscoa e a Primavera teremos um significado tão lindo e sincronizado nisto tudo que só de lembrar de emociono.
Uma foto publicada por Nigella (@nigellalawson) em
Meu desejo é que nessa Páscoa possamos nos revisitar, olhar para dentro de nós mesmos e tentar ser alguém melhor. Jesus morreu por nós e o que temos feito com nossas vidas?
Perdoar é necessário diariamente, agora deixar o passado para lá eu ainda não consigo, desculpa.
Em um 26 de março de 1959, após uma viagem que durou longos onze dias, meu pai chegou ao Brasil com 26 anos de idade.
Em um 26 de março de 2004, após onze horas de viagem, eu cheguei na Espanha com 26 anos de idade.
Em 26 de março de 2015 fez onze anos que eu mudei o rumo da minha vida para sempre.
Se hoje estou aqui ainda tenho, quase certeza, que é porque tive a coragem de embarcar naquele avião no dia 25 de março de 2004.
Fui com o que tinha, sem ajuda e apoio de ninguém. Não tinha sequer uma máquina fotográfica para fazer os primeiros registros da minha vida nova; os registros só começam algumas semanas depois com o empréstimo de uma máquina de uma prima querida.
Essa semana revi as fotos, as lembranças vieram a tona junto com vários sentimentos. Soltei um suspiro de alívio ao perceber que outro dia reclamei que a vida estava difícil e que difícil mesmo estava tudo lá em 2002/ 2003 e começo de 2004. Lembrei que agora a dificuldade é dividida e a solução somada não subtraída. Lembrei que não sou mais eu, somos nós e que esse era meu grande desejo: saber qual era meu lugar nesse dentro desse nós, descobrir mais sobre a história do meu pai que também é minha.
Vivi muitas coisas boas e intensas. E ao rever as fotos lembrei do meu percurso profissional que foi construído aos poucos, de forma intensa as vezes, serenas outras tantas. Na Espanha conheci escolas, estive com as crianças e vivenciei o processo de construção do conhecimento naturalmente e em várias esferas, nas crianças e em mim.
Para saber mais como foram essas coincidências numéricas, por favor, leia este post.
*Post escrito originalmente em 26/03/2015 mas só consegui publicá-lo hoje (29/03).
O ano passado conversamos com o Nicolas e combinamos com ele que presentearíamos as professoras e os funcionários da escola em três datas: Páscoa, Dia dos Professores e Natal.
Páscoa fomos de bombons e Dia das Profes uma lembrancinha de EVA comprada pronta.
Só que nos Dia dos Profes a professora dele ganhou um monte de chocolate que ela adora entre outras coisinhas mas aconteceu um incidente: uma caneca personalizada que ela havia ganhado caiu e quebrou. Ela, educadamente e sensível, disse que não teria problema porque ela iria levar para casa e colar, usaria normalmente porque ela tinha amado o presente.
Esse episódio marcou o menino de um jeito que finalzinho de novembro estavamos conversando e eu comentei: precisamos pensar na lembrança do final de ano para o pessoal da escola. Na hora ele disse: "mãe quero dar algo para a profe que eu vou fazer, não quero mais chocolate".
Decidido assim, ele disse também que queria bordar o nome dela em uma camiseta.
Achei lindo mas será que ela iria usar, será que ela iria gostar, será que será que será. Preferi não arriscar e expliquei para ele meus motivos entretanto sugeri que ele poderia confeccionar outra coisa que a profe iria gostar do mesmo jeito. Pensamos, pensamos e seguindo a idéia do bordado chegamos a uma almofadinha linda.
Tinha um desenho já riscado em um tecido que eu queria bordar a tempo, mostrei para ele que gostou então eu terminei o bordado e ele escreveu o nome da professora e bordou, do jeito dele, sozinho.
Só que eu não costuro, pedi ajuda para uma amiga porém não daria tempo de levar até a casa dela e depois ir buscar. Corri para outra amiga e pedi uma ajuda e ela prontamente disse que poderia me ajudar. Comentei a minha idéia e ela finalizou com muito capricho. Nós adoramos e a professora também.
Sabrina muito obrigada pela ajuda.
A parte do bordado que eu fiz. Bem amador porque eu não sei nada de bordar.
Aqui dá para ver a parte que o Ni fez e o trabalho maravilhoso da Sabrina.
Nota-se que preciso melhorar muito nos detalhes (do verso do tecido).
A Sabrina caprichou muito e dava para perceber as mãos de fada que ela tem.
Hoje, 19 de março, é dia do artesão e essa é minha singela homenagem a todas as amigas "fazedoras de arte".
Para conhecer os trabalhos lindos da Sabrina é só visitar a fanpage dela no facebook Fábrica Amarela.
Em meio a tantos prédios altos, grandes, monstruosos ou não, as "casinhas" de madeira ainda sobrevivem. São lindas e em geral estão em terrenos grandes, com jardim. Por quanto tempo elas estarão por ai? Ninguém sabe mas que elas são lindas, são.
Quem já morou em alguma dessas diz que no frio é cruel e que o medo de incêndio é grande.
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Essas belezas diária embelezam meu dia. Quer ver mais cliques de casinhas de madeira é só clicar aqui.
Ano passado fiz uma lista de livros que eu queria ler. Consegui ler alguns mas tinha um em especial que eu queria muito ler. Então lá nos últimos dias de dezembro criei coragem, escrevi um email e alguns dias depois o carteiro deixou um pacotinho aqui em casa.
Não acreditei quando peguei-o em minhas mãos.
Passei os olhos.
Cheirei-o e por fim decidi que leria em doses homeopáticas. Não queria terminar logo, assim de supetão. Segurei a ansiedade e os olhos também.
O livro é especial por ser da amiga, escritora e blogueira Ana Paula.
Adoro os contos da Ana no blog e os que estão no livro são tão bons quanto. A cada conto uma nova surpresa, várias coisas passaram na minha cabeça:
* serão os contos reais ou fictícios?
* de onde ela tira tanta inspiração?
* como surgiu a ideia do livro?
* fiquei angustiada em pensar na dificuldade da seleção porque a mulher escreve tão bem que, se fosse eu a designada para essa tarefa estaria em desespero porque iria querer incluir vários outros contos ou não (não sei);
* algumas vezes me perguntei e agora e agora? Em seguida, quero mais mais.
Se você gosta de histórias curtas, intensas e com uma boa pitada de humor então esse livro é para você.
"Enquanto houver aprendizado, estarei vivendo..."
Livro: Crônicas Gris Autora: Ana Paula Amaral Editora: Livronovo Mais informações: neste post. Ana Paula como já te disse, repito: muito obrigada. Li esse livro janeiro/ 2015.
Mês que vem (março) vamos completar um ano e meio por aqui.
Esse mês (fevereiro) consumimos um dos últimos itens que trouxemos de Londres. Em pleno mês do carnaval saboreamos um prato típico do natal e estava delicioso. O cheiro, o gosto tudo me levou para bem longe. Fechei os olhos por uns segundos e pude me transportar para nosso antigo apê e relembrar nossos natais gelados, juntos. Foi muito bom.
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Ás vezes queria escrever sobre tudo que temos visto e vivido mas aí lembro que tem muito coisa que não é tão legal e ficar focando só no negativo não leva a nada. Não adianta só reclamar, não adianta ficar bufando ou quebrando a cabeça até porque antes de voltar sabíamos de tudo isso ou quase. E é exatamente nesse ponto que quero falar um pouco mais.
Acho que quando estamos fora do Brasil por mais que nos informemos sobre como anda nosso país, não temos a real dimensão da situação. Temos uma leve ideia e talvez uma ideia até um pouco romantizada da coisa mas a real não.
Porque é uma delícia viajar para e pelo Brasil, passear e depois voltar para o sossego do nosso lar. Agora viver aqui, no Brasil, receber o salário daqui, pagar contas e ainda tentar viajar/ passear aí são outros quinhentos.
É difícil, é cansativo e muitas vezes é injusto.
Quando morava fora cansei de ouvir as pessoas falando: "É fácil para quem está fora criticar o Brasil porque não está aqui ajudando a construir um país melhor?"
Sim, ouvi e li isso várias vezes.
Aí voltamos e você sabe o que acontece? Não te dão uma única oportunidade porque você não conhece ninguém. É isso mesmo que você leu. Não importa sua formação, não importa a experiência que você tem, os cursos que fez, nada. Nada importa se você não tiver alguém para te indicar. É triste mas é real.
Tem outra coisa que, nós quando moramos fora, não temos noção nenhum: salário.
Aqui em Curitiba, aparentemente, se tem mais qualidade de vida mesmo quando temos menos dias de sol do que em Londres. Porém o custo de vida aqui é tão alto como em São Paulo, por exemplo, já os salários são absurdamente menores. Fui ao supermercado quando estive em São Paulo agora em janeiro e os preços são iguais (de coisas necessárias como leite, pão e arroz).
Sempre ouvi também muita gente comentando: "volto para o Brasil para ganhar no mínimo 5 mil". Rapaz em que mundo vivemos onde ganhar 5 mil no Brasil seja assim... digamos facinho. Não, não é fácil e como diz um amigo "não existe almoço de graça".
Claro que é uma delícia estar mais perto da família, falar e ver com mais frequência e a pergunta que sempre fica rondando minha cabeça é "será que tanto sacrifício vale a pena?", "será que quando eu estava longe não estava mais feliz e as poucas vezes que vinha para cá, aproveitava mais?".
Será que será que será?
Tentar imaginar a situação toda cria a expectativa, o que é bom mas precisamos ajustá-la pois a realidade pode ser bem dura e isso gera uma frustração tão grande que pode nos levar até a adoecer.
Essa imagemdiz um pouco de como está a real por aqui.
* Talvez eu ainda não saí do período de adaptação e isso só piora ou distorce minha visão de tudo. Santa Mãe da Adaptação dá uma forcinha ai porque não tá fácil não, quero estar mais aqui do que lá, dá para ajudar um pouquinho, please, por favor.
(Atualização) * Todas as pessoas que diziam que voltariam para o Brasil e iriam ganhar cinco mil reais por mês, voltaram para Londres antes de dois anos do retorno; * Tudo, absolutamente tudo é muito mais fácil quando se tem apoio, família por perto e conhecidos. (Re)Começar a vida em uma vida nova, ela é nova em qualquer lugar no mundo independente de ser sua terra natal; * Agora entendo melhor porque tanta gente quase enlouquece para passar em concurso público, estabilidade+segurança+bom salário; * No Brasil ter mais de 30 anos é considerado velho para trabalhar. Na hora de contratar preferem dar a oportunidade para quem tem seus 20 e poucos anos do que para quem passou dos 30. Então se prepare para mais uma rejeição; * Sei que ficou parecendo só reclamação, choradeira e sei lá mais o que. Não foi minha intenção só queria deixar registrado o quadro real e não aquele romântico-lindo-maravilhoso que existia (se é que existia mesmo) antes de irmos embora.
(Tá quase acabando, eu sei... é só força de expressão.)
Fiz várias coisas inclusive um check-up.
Tá tudo bem, tudo em ordem com exceção de um valor no exame de sangue.
Nada a se preocupar mas voltei para casa com a cabeça fervilhando pensando no que tenho que fazer para me adequar.
O mais engraçado ou não, é a incoerência que vem junto com tudo isso. Minha questão é: como alguém que está abaixo do peso precisa fazer dieta?
Pareceu-me tão estranho isso.
E farei dieta substituindo algumas coisas, continuarei buscando chegar ao peso ideal e me cuidar mais, claro. A idade chega e acredito que, infelizmente, essas alterações veem junto.