quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A Generosidade do Brasileiro #1

Um mes antes da data marcada da minha viagem ela se ofereceu para nos buscar no aeroporto.
Eu insiste que nao precisava, nao queria incomodar, ainda comentei que pegariamos um taxi ali no aeroporto mesmo.
Ela, pacientemente, me explicou que os taxis nao sao muito confiaveis, que nao era muito seguro tentar marcar com eles antes porque geralmente nao apareciam.
Eu, que nao conhecia a cidade, preferi nao arriscar e aceitei a ajuda.
No dia e hora marcado ela estava la', nos esperando, com um sorriso no rosto, um abraco apertado e que alivio que foi ver uma carinha conhecida em um lugar desconhecido.

Abracos, olhares, sorrisos. Pega mala poe no carro, tira mala e sobe com elas, pesadas, no elevador. 

Ela que alem de paciente, carinhosa, educada e' muito generosa. Nao precisava mas ela quis fazer um carinho a mais, pensou em nos, nos detalhes e nos presenteou com uma linda caixa. 

Eu fiquei sem palavras, sem acao e so' conseguir dizer: "Muito obrigada de coracao".

Na caixa um kit de primeiros dias com uma garrafa de agua, papel higienico, frutas,  umas bolachinhas e uma plantinha que esta' crescendo lindamente por aqui. 

O Brasil e' enorme e a generosidade de algumas pessoas e' proporcial ao tamanho do pais.

Ela nao precisava fazer isso mas fez porque quis.

Thais muito obrigada de novo.


Thais e' artista, mae, empreendedora e muito mas muito caprichosa. Saiba mais sobre o que ela faz no Santo Atelie.

* Este e' o primeiro post de alguns que pretendo escrever sobre a "Generosidade do Brasileiro" porque tem muita gente do bem me ajudando. Pessoas que me viram algumas poucas vezes e outras que nem me conheciam. 
Quero e estou focando no lado positivo porque no lado negativo ja' tem muita gente para tacar pedra e jogar a lama no ventilador.

sábado, 19 de outubro de 2013

Um pouco de Curitiba

* pelos meus olhos e e' so' um pouquinho do que eu vi ate' agora. Ainda ha' muito para visitar/ ver e conhecer.











Essa foto nao podia faltar e foi o Nicolas quem tirou na maquina dele com filme. Revelamos e eu tirei uma foto da foto porque ela ficou tao linda.

Aos poucos vamos "descobrindo" e se encantando com essa cidade tao linda do nosso Brasil.

sábado, 5 de outubro de 2013

Terceira semana e contando.

Contando, contando e contando.

Porque sou uma boba ja' que contar os dias ou semanas nao vai mudar em nada. Delimitar o tempo parece que torna a coisa mais palpavel, se e' que e' possivel.

Apesar da sensacao estranha que sinto, muitas vezes tenho a impressao que estou de ferias, logo, logo farei minhas malas e retornarei para minha casa, la' longe. Sei que isso nao acontecera', tento nao me iludir e viver aqui apesar dos pensamentos estarem mais por la', por enquanto.

Sair da zona de conforto e' dificilimo. Conseguir fazer uma lista enorme de pontos positivos de algo so' para se manter ali, firme e forte, agarrados no nosso mastro/ time/ equipe, e' facil. Aquele velho ditado nunca foi tao verdadeiro: "em time que esta' ganhando nao se mexe". 

Se esta' tudo bem para que mexer?

E a pergunta que fica no ar e': esta' tudo bem? Ate' que ponto e para quem esta' tudo bem?

A decisao de ir/ vir/ ficar nao e' uma decisao facil. Nao foi uma decisao facil para nos. O X da questao e' que quando nos juntamos e  formamos uma familia tudo mudou. Nao e' mais somente EU, o que eu quero e pronto. Somos nos.

Pesar os pontos positivos e negativos de morar longe foi um exercicio semanal. Foram horas e mais horas de longas conversas. 

Em 2003 quando decidi sair do Brasil sempre tive em mente que em dois anos eu voltaria. Nunca, jamai,s passou pela minha cabeca ficar fora mais do que isso e eu sabia que era por um tempo determinado e nao para sempre. Relembrar esses detalhes me ajudou a me situar na situacao de voltar.

O que mais pesou para nos foi a falta da familia. O Paulo pertence a uma familia grande, e' o cacula e sente muita mas muita falta da familia dele. Eu, conforme fui perdendo pessoas queridas e muito amadas fui perdendo um pouco a alegria de estar longe. Ate' porque quando eu decidisse voltar ja' nao teria mais como recuperar o tempo "perdido" com quem nao esta' mais proximo.

Ao mesmo tempo depois que meu pai faleceu, a minha voltade de voltar ao Brasil diminuiu um pouco. Eu nao conseguia imaginar chegar no aeroporto e nao encontra-lo. Tanto que nem fui direto para Sao Paulo, so' passamos e foi tao corrido que nem percebi que estava em Sao Paulo.

Privar o Nicolas do convivio com os avos, tios, primos, amigos queridos e de longa data tambem nos deixava muito triste. E como, infelizmente, nao conseguiamos vir para o Brasil todo ano, a melhor solucao foi  voltar.

Se voce me perguntar hoje se estou bem? Sinceramente ainda nao sei.

Como disse em outro post, aqui (Brasil) e' tudo muito intenso, estamos na fase de adaptacao que pode durar um mes, tres meses, seis meses, um ano ou anos. Nao sei, de verdade.

Gostaria que algumas coisas fossem mais faceis e menos caras? Adoraria mas nao sao. Entao e' arregacar as mangas e batalhar, de novo, como sempre foi.

O Brasil mudou? Nao sei tambem e ainda, o que sei e' que eu mudei. 

A vivencia que eu tive na Espanha e em Londres me transformaram. A maternidade me transformou, me tirou do meu lugar de sossego, do meu egoismo, da minha infantilidade, me fez perceber que o mundo nao gira em torno do meu umbigo, me mostrou a fragilidade da vida, me deu um cutucao tao grande que eu percebi o quanto eu preciso me cuidar, me amar e estar bem para poder passar tudo isso para meu filho. Minha vida nao percente somente a mim mais.

***
Talvez esse post nao diga absolutamente nada para quem le e acompanha o blog mas ele estava meio entalado na garganta, tava doendo no ouvido, martelando na cabeca. Talvez seja porque o que eu mais ouvi nesses ultimos meses foi  "voces sao loucos de voltar", "quando todo mundo quer ir embora, voces estao voltando" e a pior melhor "voces vao voltar (para Londres), pode escrever ai".

Volto a dizer o que ja' disse e sempre comento: Nao importa aonde voce esta' mas como voce esta'. 

As oportunidades existem em todos lugares resta a nos sabermos aproveita-las.

***
Ver a cara de felicidade do Nicolas ja' deixa meu coracao mais calmo.

E nao, nao estou fazendo nenhum sacrificio por ele ou pelo Paulo, vim de livre e espontanea vontade. Lembro que doeu muito mais deixar o Brasil em 2004 do que deixar Londres em 2013 mas Londres tem um lugar especial no meu coracao, para sempre. E a vida segue.

Nicolas e a bisa.
Bisa =  minha avo', minha maezona.
Que alegria foi ve-los juntos (novamente)!


Pedacos da minha vida que agora tambem fazem parte da vida dele.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Dia de Agradecer

Hoje e' mais um dia de agradecer.

* Muito obrigada Senhor por nossas vidas, por termos saude e um lar para nos acomodar.

* Muito obrigada ao sol lindo que esta' fazendo hoje, ainda que gelado.

* Muito obrigada pela recuperacao da saude do Nicolas e pelo trabalho do Paulo que nos permitiu pagar uma consulta particular com um pediatra para tirarmos nossas duvidas e sabermos se o tratamento estava adequado.

* Muito obrigada por colocar pessoas boas no nosso caminho. Sozinha eu nao daria conta de tudo.

* Muito obrigada por me dar forca e paciencia. Forca para me sustentar e paciencia para eu seguir em frente.

* Muito obrigada por me lembrar que eu posso, se eu quiser. E eu quero dar conta dessa nova mudanca, independente, de todos os desafios.

* Muitissimo obrigada pelo pao nosso de cada dia, que nao tem faltado, tem se multiplicado e me ensinado muito sobre "partilha".

* Muito obrigada (novamente) pelos amigos que nao nos abandonou em nenhum momento. Sempre estiveram e estao presentes com mensagens, emails, ligacoes, carinhos, encontros e abracos. 

E no meio de todas as novidades que estamos vivendo, amigas queridas, companheiras e de longa data organizaram um encontro. Conversamos, rimos, trocamos dicas, as criancas brincaram e ainda tiramos fotos. Muito obrigada Dani e Thais encontra-las a semana passada foi um momento de grande alegria para nos.

Na foto: Thais, eu, Dani e Renata.
Foto do telefone da Re.

Como foi sua semana? Como tem sido seus dias? Voce tem algo para agradecer? Nao deixe passar batido, ser grata a vida e' otimo e faz um bem danado.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O tamanho do buraco.

As vezes a gente so' consegue perceber o tamanho do buraco quando esta' dentro dele.

Hoje faz duas semanas que nos chegamos em Curitiba. Foram muitas emocoes, muitos sentimentos misturados - um que de "nossa quanta novidade" com "ai que saudade da minha casinha"- muito calor, muito sol, muita luz, muita gente, muitos abracos, muitos beijos, muita comida, muito barulho e de repente frio, chuva, raios, trovoes e muita chuva mesmo.

Chegamos em Curitiba e dias depois fomos para Sao Paulo por quatro dias so'. E ha' uma semana, quando voltamos de Sao Paulo, vivemos uma experiencia "nao muito boa" digamos assim. Porem e' uma experiencia que muitos brasileiros vivem todos os dias, nao se incomodam, nao se assustam e nem questionam. Arrisco dizer que nao questionam porque e' isso que tem, entao esta' bom, melhor do que nada.

Quarta passada quando chegamos de Sao Paulo, o Nicolas estava com uma tosse seca, super cansado, incomodado e tinha tido crise alergica nos dias anteriores (na segunda fraca e na terca mais forte).

Como durante o dia ele nao melhorou e comecou a sentir dificuldade em respirar, fui para a emergencia de um hospital infancil publico de referencia aqui em Curitiba. Pelas minhas pesquisas antes de vir ele e' o hospital mais proximo de casa.

Chegamos la' e entramos na primeira porta, estava frio, garoando e eu nao sabia para onde ir. Entrei, peguei a senha e sentei. Segundos depois nos chamaram:
- RG e carteirinha do convenio, por favor.

EstavaMOS no lugar errado, claro. A moca me indicou onde era a entrada para o atendimento pelo SUS. Na porta havia um cartaz dizendo que so' atenderiam quem viesse encaminhado pela Unidade de Saude, nem pensei em nada caso nao nos atendessemos, entrei e fiquei perdida.

Um caos. Nao sabia para onde ir, com quem falar, tinha duas pessoas gritando nomes de criancas, pais encostados em uma parede que pareciam formar uma fila mas nao era, so' descobri depois.

Fui ate' o balcao na cara e na coragem, correndo o risco de ouvir uns gritos que eu estava furando a fila, falei para a moca o que o Nicolas estava sentindo, ela disse que so' atendiam com encaminhamento da Unidade de Saude mas que iam abrir uma excessao HOJE, pediu nossos documentos e nos disse para aguardar.

O hospital estava cheio, muito cheio, com muitos bebes. Uma meia hora depois nos chamaram para fazer o cadastro, a moca me pediu o cartao do SUS, que nao temos e disse para providenciar em uma Unidade de Saude. Entao eu perguntei se ela sabia qual a Unidade de Saude mais proxima da minha residencia (ja' que eu havia passado o endereco) e ela disse que nao sabia, eu que tinha que procurar.

Sentamos novamente e depois de mais meia hora fomos chamados. Uma enfermeira fez uma triagem para saber quao urgente era nosso caso, mediu a temperatura, os batimentos cardiacos e disse que se caso ele ficasse com os labios ou as pontas dos dedos roxos era para eu ir imediatamente falar com ela. Terminou dizendo que naquele dia o hospital estava muito cheio e que o tempo de espera era de 2h a 3h. 

E nos esperamos, no frio, a porta estava aberta e entrava um vento gelado terrivel. Nao parava de chegar pais com criancas no colo. O Nicolas cansadao, ele era uma das poucas criancas grande naquela sala de espera.

Tinha hora que o barulho era ensurdecedor, uma mistura de choro, burburrinho de conversa, as pessoas chamando para o atendimento, o barulho que vinha de fora. Acho mesmo que eu estava muito cansada e talvez tudo tenha tomado uma proporcao muito maior do que foi.

Passado duas horas e meia chamaram o nome do Nicolas e la' fomos nos. Uma mocinha (inha inha mesmo) nos atendeu, perguntou o que estava acontecendo, ela foi digitando no computador, depois pediu para ele sentar em uma maca, ouviu peito, pulmao, checou atras da orelha, verificou olhos e pontas das maos. Em seguida pediu para ele deitar, aperta aqui, ali e acola'. Senta de novo e ela pediu para ele abrir a boca ***nesse momento foi surreal*** ela sacou do bolso do avental seu super celular "Aialgumacoisa" acendeu a luz e verificou a garganta dele. 

Nao, nao tinha nenhuma daquelas luzinhas de mao que deveria ter em qualquer hospital.

Ela, entao, pediu para o Nicolas voltar para o meu colo, so' tinha uma cadeira e disse que o pulmao dele estava limpo e que ia chamar a doutora. {{{{Ela era residente!}}}.

A doutora chegou, tao nova quanto a primeira mas pelo visto ja' tem um olhar mais apurado, pois so' de olhar para o Nicolas percebeu que ele nao estava respirando direito. Pediu para ele sentar na maca de novo e refez o exame clinico, no momento que ela colocou o estetoscopio no peito dele ja' falou: "Tem chiado aqui sim".

Chamou a estudante e pediu para ela escutar de novo. Eu havia comentado que ele tinha dermatite atopica e entao ela comecou: "Mae a partir de agora voce tem que saber que seu filho tem dermatite atopica e asma/ bronquite que e' a mesma coisa."

Receitou inalacao com remedio (a bombinha dos asmaticos), um xarope para a tosse seca e orientou que qualquer coisa voltar. Enquanto ela digitava o procedimento que seria feito (inalacao) me senti em um campeonato de surf dos filmes. 
- Cara tu vai ficar bom logo ta'?
- Carinha tu e' muito grande para tua idade.

Voltamos para a sala de espera para esperar a enfermeira nos chamar para as inalacoes e assim foram realizadas tres, a medica chamou novamente, o pulmao ja' estava mais "limpo" aberto e fomos embora para casa.

Enquanto esperavamos entre uma inalacao e outra, um bebe mexeu com o Nicolas e a mae puxou papo, perguntou o que ele tinha, eu comentei e ela disse vai tomar XXXX e fazer tal coisa. Ou seja procedimento padrao pelo visto. O bebe tinha um ano e pouco e passou por isso com seis meses.

Voltamos para casa, naquela noite fria, com uma receita para um tratamento de cinco dias, um diagnostico de uma doenca para vida e com a certeza que o medicos estrangeiros sao mais do que bem-vindos mesmo na cidade com um dos melhores IDHM do pais.

* Na hora que consegui deitar so' lembrava das pessoas que moram em Londres e reclamam do NHS (sistema de saude publico de la'), como ja' disse, so' reclama do NHS quem sempre usou plano de saude privado aqui no Brasil. Porque se formos comparar NHS com SUS, desculpa amigos, mas nao tem nem comparacao. 

A gente so' percebe o tamanho do buraco quando esta' dentro dele.

Muitas emocoes nesse recomeco de vida em Terra Brasilis.



* So' para titulo de informacao: se voce tiver uma receita medica, o governo distribui gratuitamente remedio para asma, informe-se com seu medico. Retirei na farmacia a bombinha e comprei esse espacador.

O governo tambem disponibilidade gratuitamente remedio para pressao alta e diabetes.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Recomecar


Recomecar com dias de muito sol, muito calor, muito carinho e ainda encontrar um parquinho no meio do caminho e'  algo que me deixou sem palavras.

Talvez a imagem fale por si.
Muito obrigada Senhor por cuidar de nos e nao nos desamparar.
Muito obrigada a todos por tudo. 
Obrigada por todas as mensagens de "tudo de bom", por todas as oracoes, pensamentos positivos e por serem meus amigos; na alegria e na tristeza.
Obrigada especial a minha familia, a Cleusa e o Marcio, a Thais, a Dani e o Oda. Acreditem, sem voces, esse novo momento das nossas vidas, seria muito mais dificil.

***
Assim que tudo estiver mais "ajeitado" por aqui, volto com noticias do "front" (sempre quis escrever isso!).

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Saber esperar.

Atitude dificil mas recompensadora.

"Lamentar aquilo que não temos é desperdiçar aquilo que já possuímos."
Proverbio Chines





Amo flores e a presenca delas na minha vida, tornam o meu dia muito melhor.

Ofereco esse mini girassol para voce. 

Desejo que, assim como essa flor, busquemos sempre a luz (do sol de preferencia). E' lindo ve-la mudar de posicao "procurando" o sol.

O verao esse ano nao esta' deixando nada a desejar. Muito obrigada Mae Natureza!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Conexoes


Muitas vezes no meio de uma multidao podemos nos sentir sozinhos. Essa sensacao de solidao, para algumas pessoas, pode ser horrivel, dolorida, sem graca.

Muitas vezes sozinhos podemos nos sentir muito bem conosco mesmo. 

Nao sei o nome de quem passa ao meu lado, nao conheco sua historia, o que lhe causar dor, alegria e rancor. 

A cara feia? Pode ser dor, fome, costume ou a cara da pessoa mesmo, nao que ela seja feia, so' esta' com a cara "amarrada". Tem gente que tem cara de paisagem outras riem com os olhos e parece que nao andam, flutuam.

***
Amizade para mim e' algo serio, que eu valorizo, cultivo e adoro aquelas antigas, da vida toda.

A unica coisa que nao pode falta em uma amizade e' o respeito. Tenho amigos que nao nos falamos quase nunca e mesmo assim quando nos encontramos e' como se tivessemos nos encontrado ontem. O melhor de tudo e' que nao ha' cobrancas, nao tem aquele "joguinho" de quem ligou por ultimo, quem nao foi atras entao a amizade ficou para la' por sua culpa, minha culpa, nossa culpa. Nao tem dedos apontados.

Ha' alguns meses vivi um situacao dificil e delicada. Aparentemente eu disse algo, que alguem contou para uma amiga nossa em comum e pronto o circo estava montado. 

Os comportamentos mudaram, amiga se afastou, eu ligava e ela nao atendia. Um dia nos encontramos e eu perguntei se havia acontecido algo porque nossa amizade estava diferente, perguntei tambem se eu havia feito ou dito algo que ela nao havia gostado e a resposta foi: NAO. Eu acreditei apesar de achar estranho a situacao em si, da nossa amizade.

Depois de um tempo tentando, ainda perguntei para ela umas duas vezes e recebi a mesma resposta: nao, acabou rolando mais uma situacao chata e ai percebi o que havia acontecido. Eu virei a fofoqueira, sem direito a me defender (de algo que eu nem sei o que fiz) e pronto, a amizade acabou.

Sofri e sofri muito. Pode parecer ridiculo mas chorei, tentei lembrar tudo o que eu poderia ter feito, suspirei e percebi que ja' nao havia mais nada que eu pudesse fazer. Mandei email pedindo desculpas, nunca tive uma resposta e assim segui minha vida. Apesar desse "calinho" ainda me machucar.

Acho tudo isso muito triste. Valorizo minhas amizades e se algo nao esta' bom sera' que e' tao dificil ser sincero, dizer o que esta' entalado ou simples dizer algo do tipo: voce falou algo que eu nao gostei e prefiro me afastar ou qualquer outra coisa do tipo (com educacao, sem ofender, claro) mas botar pra' fora. 

Apos essa situacao me fechei para novas amizades. Me senti muito mal por saber que fiz mal a alguem que eu gosto (nao sei que mal ou em que proporcao mas fiz mal, para a pessoa se afastar, deduzo que boa companhia nao sou mais).

Mas a vida nao para e pessoas queridas que se tornaram colegas surgiram na minha vida e passado um tempo, la' me vi na mesma situacao. Uma falando da outra, fofocas bobas que poderiam ser resolvidas com uma simples e sincera conversa olho no olho. 

O que eu fiz? Me calei e me afastei. Nao quero mais isso para mim. Uma das meninas deixou de ser minha amiga em uma das redes sociais e quando eu tive uma oportunidade fiz a mesma coisa: perguntei se eu havia feito algo que ela nao tinha gostado. Ela foi sincera, disse que nao mas que eu estava encontrando pessoas que ela nao gostava (as que estavam envolvidas na situacao da fofoca) e que ACHAVA que eu estava participando da historia toda.  Conversamos, esclarecemos os fatos e continuamos amiga.

Eu disse para ela: se voce tiver algum problema comigo, venha conversar comigo por favor. Nao deduza coisas, nao tome nenhuma atitude no momento de raiva, conversando podemos resolver tudo.

Qual a diferenca entre as duas situacoes? Maturidade.

A primeira foi uma verdadeira cena da 5a. serie. Voce lembra das briguinhas da 5a. serie? Que era mais ou menos assim:
- Voce e' feia.
- Voce e' feia e boba.
- Voce e' feia, boba e tem cabelo ruim.
- Voce e' feia, boba, tem cabelo ruim e gosta do Joaozinho ou nao tem o lapis roxo metalico ou so' tras pao com manteiga ou so' tem esse tenis ou (insira qualquer coisa que voce lembra dessa epoca -deliciosa- da vida).

Comeca-se uma briga que nao sabe-se o porque nem onde vai parar. Muitas vezes no final tava todo mundo rindo e sendo melhores amigas de novo: belem belem, nunca mais estou/ fico de bem (nao lembro direito mas era algo assim).

Na segunda situacao, mesmo sendo dificil, desafiante  e talvez ate' dolorido, enfrentamos o problema como adultas que somos. Nao corremos das nossas responsabilidade, assumimos nossas falhas e nos entendemos. Poderiamos ali, naquele momento, ter dito tambem: ok, nao quero mais ser sua amiga. Pronto. Ninguem morreria por isso mas a situacao seria resolvida com sinceridade e respeito.

Porque hoje o que eu mais quero na vida e' sossego e corro, corro muito de pessoas chiliquentas, que adoram ser vitimas ou que acham que o mundo gira em torno do proprio umbigo. Desculpa vida mas cansei. Me apego ao ditado "antes so' do que mal acompanhada" e nao tenho maiores problemas com a solidao mas nao quero ficar sozinha, com amigos vivo muito melhor.

Agora se voce quiser falar comigo, sabe como me encontrar. E nao, isso nao e' uma indireta para ninguem, so' um registro para tentar organizar os pensamento mesmo.

A pergunta que fica e': com quem voce quer se conectar? Com quem voce quer estar junto?

Ou sera' que Deus esta' ouvindo suas oracoes, atentendo aquela parte que diz: "livrai-me do mal" ? 

*****
Escrevi este post faz uns dias e fiquei "ruminando" ele desde entao. Outros pensamentos passaram pela minha cabeca:
1) a culpa e' minha de tudo isso acontecer porque eu permito;
2) a culpa nao e' dos outros de me tratar assim ou assado, a culpa e' minha que dou espaco, que ouco, dou atencao e depois o que recebo de volta e' um belo de um pe' na bunda.

Entao o que eu preciso e' aprender, me calar e me afastar com o passar do tempo estou aprendendo a separar o joio do trigo. E' facil? Nao. Mas e' possivel.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ferias: Crystal Palace Park

Londres tem parques lindos. E nas ferias aproveitamos ainda mais porque a combinacao parque + sol e' maravilhosa. Principalmente se tiver muitas arvores com sombra para as criancas brincarem e nao ficarem tanto tempo exposta ao sol naqueles horarios nada bom (entre 10h e 16h).

Os parques de Londres tambem sao famosos porem muita gente so' conhece os mais falados: Hyde Park ou Regentes Park. Eles sao lindos mesmo e em uma area bem central, de facil acesso mas se posso ir a um parque pertinho da minha casa porque vou pegar dois onibus so' para ir em um parque mais conhecido?

Aqui perto de casa tem um parque grande, enorme e lindo tambem. Com muita historia, varias coisas legais e nao precisamos ficar quase 1h no onibus para chegar la'.

Ja' que e' ferias e tinhamos visita por aqui fomos passar um dia no parque Crystal Palace. Fica o convite para quem quiser conhecer, vale muito a visita. Quem gosta de historia, o parque tem uma historia muito legal, minha amiga Chris fez um post bem completo (em ingles).

Vamos ao que mais interessa, as fotos!

 No dia que fomos era um dia de esporte dos jovens. Tinha bastante gente e o sol estava a pina na hora que tiramos essa foto. Pessoal jogando volei de praia em uma quadra improvisada.

Parquinho para as criancas.

Uma lanchonete simples mas limpinhas, com pratos tipicos: salsicha com pure de batatas, cachorro quente, hamburguer com batata fritas e por ai vai, alem de vender agua, suco e refri. Mas o sorvete que vem direto de uma fazenda local, nao muito longe daqui, e' delicioso! 

 Essa foto nao mostra a beleza desse caminho. Que e' uma decidinha. Acho tao lindo quando as arvores fazem essa sombrona e podemos passar no meio :)
 A parte que procuravamos: os animais, os dinossauros.

 {{{A legenda da foto de cima talvez valha para essa tambem rsrs >brincadeira<}}}
 Ah os dinos!









Foi um passeio delicioso em um belo domingo de sol.
O parque tem banheiro, bebedouro e e' facil chegar la' de transporte publico.

***Esses cantos de Londres me encantam***

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O que te faz feliz?

Em menos de tres meses vou completar 36 anos (uau, nem eu acredito as vezes!).

Adoraria fazer uma lista de 36 coisas que eu gosto/ adoro/ aprecio e me faz feliz.
Porem como por aqui e' epoca de ferias escolares, e' verao, estamos aproveitando muito e o tempo esta' corrido mas nao quero deixar o blog sem atualizacao, a lista ficara' para outra hora. 

Para nao perder o ritmo estou tentando fazer posts mais curtinho e pelo menos um por semana.

Minha pergunta de hoje e': O que te faz feliz?

Ja' parou para pensar? 
Voce consegue prestar atencao no que te faz feliz durante o dia, as pequenas coisas, as grandes, aquelas que parecem sem importancia mas que aquecem o coracao?

Respondendo a minha pergunta (a resposta vai ser um tanto quanto obvia mas tudo bem): ver meu filho feliz me faz muito feliz.


Eu, confesso, que nao sei quem ficou mais feliz nessa foto: o Nicolas, o esquilo ou eu :)
* o Nicolas porque o esquilo pegou o paozinho da mao dele;
* o esquilo porque estava comendo algo, eles estavam alucinados neste dia atras de algo para comer;
* eu que depois de umas 200 tentativas consegui uma foto decente. Infelizmente nao consegui "aquela foto" do esquilo pegando o pao na mao dele mas fiquei muito feliz com essa.

Conseguir ter momentos felizes no dia, deixa a vida mais leve e mais bonita tambem. Nao busco a felicidade eterna, acho que essa nem existe, mas ter momentos felizes, de felicidades, coisas boas e' maravilhoso.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

As redes

Queremos muito outro(s) filho(s). Nao sei quando acontecera' e nem se acontecera' mas queremos. Somente esse desejo ja' nos move a fazer planos, pensar em nomes e conversar muito sobre.

Durante esses planos eu faco um caminho de volta por tudo que passei/ vivi na maternidade ate' agora. Digo, sem nem pensar, que nao sei o que seria de mim senao fosse minhas (poucas) amigas.

Amigas que me apoiaram, me ajudaram, me socorreram, puxaram minha orelha, me fizeram pensar, me ouviram entre tantas coisas mas principalmente estiveram do meu lado. Sozinha eu nao conseguiria, tenho certeza.

Hoje vi essa imagem, com essa observacao da Laura e quis trazer para ca', deixar registrada meu agradecimento a todas as minhas amigas (as de perto/ longe, reais, virtuais): Muito obrigada por tudo.


" É responsabilidade das mulheres reconhecer que precisamos nos unir. Que se funcionarmos coletivamente e dentro de círculos femininos, a maternidade pode resultar muito mais doce e suave. E que " Mamá sola", é aquela que não é compreendida, apoiada nem incentivada, por mais que conviva com muitas pessoas. E "mãe acompanhada" pode ser uma mulher que não tenha um companheiro, mas que conte com o ápoio de sua comunidade"

Laura Gutman- Madres Solas

Tradução livre: Gessica Schoenemayer

Link para a publicacao do facebook.

Meu desejo e' que nunca fiquemos solas. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ferias

Ferias e' epoca de fazer coisas gostosas e diferentes.

Alem dos passeios que estamos fazendo, ir para a cozinha tambem e' algo que adoramos.

Apos assistir um programa na tv onde as criancas faziam bolos, ele pediu para fazer um bolo sozinho porque "ele ja' ajudou a fazer muitos mas nunca fez nenhum sozinho".

Nao tive como dizer nao. Peguei meu caderno de receita com aquela receita basicona de bolo de chocolate , fomos conferir para ver se tinha todos os ingredientes em casa e comecamos mais essa aventura.

Foi uma sensacao tao boa ve-lo ali sozinho "dominando" tudo. As duas unicas coisas que eu fiz foi acrescentar o leite quente, enquanto ele mexia e colocar a forma no forno.

Depois tivemos aquele momento interminavel de esperar o bolo assar, sentindo o cheirinho de chocolate invadindo a casa e por fim a hora tao esperada por ele, decorar.

A experiencia foi maravilhosa. Sabia que ele iria conseguir e em nenhum momento fiquei ansiosa ou preocupada com a bagunca, sujeira, nada disso.

Enquanto o bolo esfriava pedi para ele escrever o que precisamos para fazer um bolo. A lista saiu assim:

Comemos o bolo no lanche da tarde e nem consegui tirar foto, naquele momento o mais importante foi saborear a iguaria e o momento.


Ferias tambem e' epoca de "trabalhar".
* Reparem como ele usa letras que nao sao tanto usadas no nosso vocabulario (como y e o sh). Observacao de mae professora, nao tem jeito.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Semana Mundial de Aleitamento Materno 2013

Todo ano do dia 1o. ao dia 7 de agosto acontece a "Semana Mundial de Aleitamento Materno" . Algumas vezes participo outras nao e sei o motivo disso: a amamentacao e' meu maior calo (ate' agora) na maternidade.

Mas nao e' porque foi um "problema" para mim que eu deixaria de apoiar, nada disso, a unica coisa que aconteceu e' que alguns anos eu nao me envolvi tanto, preferi ficar de fora olhando, lendo e aprendendo.

Ate' que consegui entender onde o calo doi, onde eu errei e quais foram as condicoes que contribuiram para que eu nao confiasse em mim e seguisse com a amamentacao exclusiva; infelizmente recorri ao complemento, me senti culpada, nao consegui entender porque eu era "incapaz" de matar a fome do meu filho, me estressei e ai produzi menos leite e virou um circulo terrivel que parecia interminavel.

So' que ouvir: nao existe leite fraco, toda mulher pode amamentar e tantas outras frases feitas, nao me ajudaram em nada. Mesmo assim continuei lendo, pesquisando e procurando entender "onde foi que eu errei".

Nessa busca encontrei um texto da Kalu que foi como um respiro para mim e tem uma frase que representa um pouco de tudo que eu passei. Foi a primeira vez que eu li algo que me tocou e me ajudou a refletir por outros caminhos.


"Sem comer direito, sem dormir, tendo que cuidar da casa e de outras demandas físicas e emocionais próprias, de outros filho e membros da família, sobra pouca energia e entrega para a produção de leite."


So' para voces entenderem nos nunca tivemos ajuda de ninguem. Sempre foi somente eu e o Paulo e apos tres semanas do nascimento do nosso filho, ele voltou ao trabalho e eu fiquei sozinha com um bebe faminto, casa, comida, roupa, minha recuperacao e tendo que dar conta de tudo.

Nunca vivi o que eu ouvia, quando o bebe dormir voce tem que dormir tambem. Ah, ta'! Ele dormia e eu corria para ir ao banheiro, lavar louca, colocar roupa para lavar ou passar a roupa lavada, era pauleira.


Hoje entendo que fiz o que pude. Me culpo um pouco menos e por pura falta de informacao desmamei cedo (faltando duas semanas para ele completar seis meses), achei na minha santa ignorancia, que somente a mamada da manha e da noite nao estavam fazendo nada. Nao ofereci mais, ele nao pediu e assim acabou nossa historia de amamentacao. Apesar do meu sofrimento, sim eu sofri ao desmamar meu filho porque para mim, amamentar sempre foi o melhor que eu poderia fazer e eu tinha falhado.


Na minha busca pela maternidade consciente, tenho encontrado textos otimos, reflexoes que me tiram do meu lugar quentinho e seguro, pessoas com historias parecidas com a minha porem com finais mais felizes, historias de vitorias. Relactacao era algo desconhecido para mim na epoca e assim fui aprendendo.


Ha' poucos dias no facebook, na pagina do Pediatra Integral, algumas publicacoes foram verdadeiras aulas. Para entender melhor o caminho que estamos tracando na maternidade precisamos entender de historia, do contexto social, dos interesses e das consequencias das escolhas (seja ela de quem for).

Capitulo I 

Capitulo II 
A Rendição dos Médicos 

Capitulo III
A Maternidade Mal-Assombrada

Capitulo IV
A Armadilha da Mulher Maravilha 


O proximo capitulo ainda nao saiu mas vou acompanhar porque as "aulas" estao otimas e quero ver como ele ira' concluir. Com esses textos estou aprendendo tanto ou mais do que aprendi ate' agora nos poucos quase seis anos de maternidade que eu me encontro.

Quero muito repetir essa vivencia de amamentacao e espero que seja antes dos meus 40 anos. Sera'?

Adoro essa foto e tenho saudade dessa epoca. Sempre amamentei em qualquer lugar.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Verao e ferias.

Dia 21 de junho comecou o verao e foi tambem o dia mais longo do ano, com mais luz, e' o chamado solstício de verão.

Passado alguns dias do inicio do verao, o calor chegou chegando e passamos umas boas semanas com calor, calor. Daqueles dias com bem pouco vento e ate' que a chuva aparecesse novamente (o que aconteceu somente essa semana ou seja quase um mes depois do calor comecar) tivemos dias de muita luz, sol, calor.

As ferias escolares do Nicolas comecou dia 20 de julho, ultimo dia de aula foi dia 19 e estamos aproveitando muito os dias de verao. Junta-se a isso, recebemos uma visita especial.

{E eu sofro porque nao consigo atualizar o blog mas nao tem como nao aproveitar os dias com sol ainda que eu passe mal com muito calor e durmo pior. Porem agora que a chuva deu uma refrescada parece que tudo esta' ainda mais agradavel.}








Viva as ferias!
Viva o verao!

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